Mr. Lytle vai para a política? Ainda não, ele tem coisas a resolver no MMA

Não é necessariamente dizer que eu só vou ficar aqui e deixar você me dar um soco e eu soco você, mas é para acabar com a luta o mais rápido possível e de forma mais dramática possível". - Chris Lytle
Chris Lytle está enfurecido e não vai mais agüentar. Não, o veterano meio-médio e rei dos bônus pós-lutas não decidiu ir contra tudo o que tem sido por todos esses anos, a fim de começar uma guerra de palavras com o seu adversário deste domingo, em Milwaukee, Dan Hardy.
        
Mas o nativo de Indiana tem um desejo de ajudar a endireitar as coisas em seu estado natal, daí o seu anúncio recente de que está buscando entrar para a política em 2012.
      
"Se você olhar para o que faço, eu também sou um bombeiro, e a razão de fazer esse tipo de coisa é que tenho um desejo de melhorar a minha comunidade e me dá uma sensação boa no final do dia, quando sei que fui capaz de ajudar as pessoas", explicou. "Eu olho para a maneira como as coisas estão indo aqui, e vejo um monte de problemas e acho que eles vão piorar e não melhorar. Eu sei que o certo é ser otimista, ter esperança, mas quando você olha para os fatos, não vejo isso acontecendo. Tenho quatro filhos, e quero que as coisas sejam melhores para eles, especialmente onde moro, então eu acho que posso reclamar ou tentar fazer algo, então vou tentar".  
      
É claro, você tem que perguntar por que um cara legal e cidadão sólido como Lytle gostaria de se envolver em um jogo sujo como a política. Quando perguntado qual a reação diante da notícia, ele ri.

"Eles estão reagindo, provavelmente, como eu teria reagido cinco anos atrás", disse ele. Eles dizem 'por que você quer se envolver com isso?' Para ser honesto com você, a minha idéia de um político não é boa. Quando penso em um, acho que é um vendedor de carros usados. Eu vejo como esse negócio é, e não gosto desse tipo de coisas, a política de como você tem que jogar bola para obter isto ou aquilo. Eu não gosto do som disso, e será um pouco diferente. No UFC, mesmo os caras que estou me preparando para lutar tendem a ser agradáveis comigo e eles gostam de mim. E sinto que tenho uma boa reputação por ter integridade, mas não importa, quando eu me envolver na política, desde o primeiro dia, várias pessoas não vão gostar de mim. Vai ser diferente, e eu entendo isso, mas não estou pensando que vou fazer isso para melhorar ou aumentar meu status. Só estou fazendo isso porque sinto que teremos grandes problemas aqui e acho que sou capaz de ajudar".

Só por isso, você tem que dar um muito crédito à Lytle por ser o tipo de homem disposto a intensificar e fazer algo ao invés de apenas reclamar. Mas essa não é uma questão no momento, considerando que ele vai ter Hardy tentando nocauteá-lo na luta principal de domingo. E isso é bom para ele, como mais de uma década lutando e 62 lutas não tiraram seu entusiasmo para a melhor parte do MMA - a luta.  
      
"Essa é a parte divertida para mim", disse ele. "Isso é realmente o pagamento e a parte que eu gosto. Eu posso geralmente fazer um bom trabalho de fingir que ninguém está lá, que não estou sendo visto por ninguém, é só meu oponente e eu, e nós estamos apenas lutando".
       
Poucos revelam essa alegria no octógono como Lytle, e seus oito prêmios pós-luta comprovam isso. Mas em sua mais recente, vencedora do prêmio de "Luta da Noite" - uma derrota em fevereiro para Brian Ebersole no UFC 127 - a emoção não estava lá como normalmente, e dava para perceber isso em sua voz, tão logo foi informado de que seu adversário original naquela noite, Carlos Condit, estava lesionado. Ebersole, o substituto, dono de uma ferramenta completamente diferente de Condit. Lytle estava lutando com algumas lesões nos treinos, mas sentia que seria capaz de lutar por três rounds em pé, agora tinha que mudar tudo.      
      
"Eu tinha algumas lesões, e lutando contra Carlos, eu sabia que ele não ia tentar me levar para baixo", disse Lytle. "E eu também não iria, assim ia ser uma luta em pé. E eu poderia fazer uma luta em pé. Um mês e meio antes da luta, eu não treinei wrestling ou grappling. Em seguida, uma semana e meia antes, eles chamaram o Ebersole - um wrestler de faculdade que não parte para a trocação, e ele nunca foi nocauteado. Esta é uma luta um pouco diferente para mim. Naquela semana, quatro dias seguidos, fiz wrestling e grappling. Mas eu não consegui uma boa forma em quatro dias".
        
Lytle foi Lytle na noite da luta, porém, e até receber uma joelhada de Ebersole, a luta ainda estava para ele. O pouco ortodoxo Ebersole passou a assumir o controle, vencendo por decisão unânime. Lytle viu sua série de quatro vitórias cair naquela noite, se perguntando se tomou a decisão certa em aceita-lá. Nah, você sabe - se ele tivesse que fazer tudo de novo, ele faria a mesma coisa.        
"Na minha cabeça, eu só tenho uma espécie de... Não sei se é uma doença ou o quê (risos), mas não posso recusar uma luta".
       
Mesmo que ele ganhasse o direito de recusar um adversário substituto neste momento de sua carreira?  
     
"Não é o UFC dizendo algo", disse ele. "Seria na minha cabeça que eu disse não. Seria como se o meu sentimento não estivesse confiante para lutar. E eu não posso viver assim".
       
É precisamente a razão pela qual Hardy olhou para o adversário a enfrentar depois de três derrotas consecutivas, e pediu Lytle. Não porque ele acha que o "velho" de 37 anos é um alvo fácil, mas porque ele é um lutador, e ele virá sempre para lutar. E considerando a última derrota de Hardy (para Anthony Johnson) no que acabou por ser 15 minutos de wrestling baseado no desejo do "The Outlaw" em ir para a velha trocação.
           
"Já estive onde ele esteve e é frustrante", disse Lytle. "Ele só queria fazer uma boa luta e teve alguém que queria segurá-lo no solo por três rounds para vencer. Eu conheço esse nível de frustração, eu estive lá e entendo isso, e isso é mais ou menos meu objetivo também. Não é necessariamente dizer que eu só vou ficar aqui e deixar você me dar um soco e eu soco você, mas é para acabar com a luta o mais rápido possível e de forma mais dramática possível. Eu quero ir lá e vencer a luta rapidamente. Eu não vou até lá dizendo 'vou levá-lo para baixo e segurar este otário'. Eu nunca vou tentar fazer isso. Eu prefiro ir lá e tentar derrubá-lo e ser nocauteado do que vencer na amarração".
      
Hardy compartilha dessa idéia, e com seu trabalho, possivelmente, polido, ele vai trazer tudo o que tem para Milwaukee. Lytle vai fazer o mesmo, e é por isso que esta é a luta principal.
        
"Sinto-me honrado com o fato do UFC ter nos colocado na luta principal e eles fizeram isso por uma razão", disse Lytle. "Eles fizeram isso por causa dos meus desempenhos anteriores. Eu não sinto como se dissesse, 'eu vou jogar com este menino mau de forma segura e conseguirei a vitória', é por isso que eles querem que eu seja a última luta (do evento). Se acontecesse, eu ficaria muito decepcionado comigo mesmo, não vou deixar isso acontecer".    
  
Chris Lytle vai lutar no domingo. Depois disso, quem sabe, talvez ele adicione a política a seus trabalhos como bombeiro e lutador. Se Manny Pacquiao pode fazê-lo, por que não ele?    
    
"Exatamente", ele ri. "A próxima coisa que vou fazer é cantar".    


 

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Midia

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