Nunca entediante, a saga de Melvin Guillard continua

"Eu sei o que ele vai trazer, mas acho que ele nunca lutou com um cara como ele, vou dar-lhe um pouco do que ele gosta de fazer, pressioná-lo". - Melvin Guillard
UFC lightweight Melvin GuillardAbra espaço na mesa, em Nova Jersey para o jantar de Ação de Graças. O irmão perdido de Jim e Dan Miller está voltando para casa.

"Nós seremos trigêmeos", riu o competidor peso leve Melvin Guillard. "Minha mãe só me deixou no sol um pouco mais".

É uma calorosa risada que "The Young Assassin" deu depois da explicação, com toda a seriedade, porque ele sente que seu adversário na luta principal do UFC on FX na sexta-feira, na categoria até 70 quilos, o colega de divisão Jim Miller - é quase uma imagem no espelho de si mesmo.

"Eu estava de olho em Jim Miller por pelo menos um ano e meio", disse Guillard. "Eu o  vi  destruir caras constantemente, e a razão pela qual eu admiro o cara é porque ele me lembra muito eu mesmo. Ele vai lá para bater, ele tem instinto assassino, e ele apaga os caras. E esse é o tipo de lutador que gosto. É como lutar contra mim mesmo no espelho, basicamente. A única diferença é que não estarei me socando, vou estar socando ele. (Risos) "Eu sei o que ele vai trazer, mas acho que ele nunca lutou com um cara como ele, vou dar-lhe um pouco do que ele gosta de fazer,  pressioná-lo".
 
Guillard, 28 anos, está em um bom lugar estes dias, apesar do fato de que ele viu sua série de cinco vitórias consecutivas ser tirada dele por Joe Lauzon em outubro passado no UFC 136. Foi um resultado chocante para muitos, mas Guillard enxerga como apenas uma daquelas coisas onde neste jogo, se você cometer um erro, pode ser o fim da sua noite.

"Apenas uma coisa deu errado", disse Guillard, que foi finalizado em 47 segundos por Lauzon. "Eu estava muito impaciente. Tentei apressar. Eu sabia que estava em melhor forma, sabia que era o melhor lutador, mas tentei apressar as coisas e esse é o resultado quando você apressa algo tão delicado. Você é pego com um soco violento e depois o cara vai para as suas costas e sufoca você. Eu não perdi nada nessa luta, mas mas aprendi algo, que preciso ser mais paciente. Me ensinou a ir mais devagar e de respirar fundo três vezes e, em seguida, ter uma reação".

Antes da derrota, Guillard estava voando baixo, tendo marcado em 2011 nocautes sobre Evan Dunham e Shane Roller, e uma esperada vitória sobre Lauzon teria impulsionado o nativo de Nova Orleans a uma chance ao título dos leves de Frankie Edgar. Alguns até sugeriram que Guillard estava confiante demais para a luta contra o lutador da Nova Inglaterra, algo que ele descarta.

"Eu simplesmente me senti bem", disse ele. "Eu estava em bons espíritos e estava animado. Eu respeito Joe e sei que ele tem boas habilidades. Eu sabia disso indo para a luta, foi por isso que pedi para lutar com ele. Eu não queria nenhum panga. Eu queria lutar em casa na frente da minha torcida em Houston e dar às pessoas uma boa luta. Só foi um pouco cedo. Mas nunca subestimei ninguém, nem mesmo os novatos. E olho de uma perspectiva de vida. Você não sabe de onde a pessoa vem, você não sabe sua origem, e você não sabe o que estão passando nas vidas delas ou porque estão lutando. Algumas pessoas vêm ali, porque eles têm um propósito de sobreviver. Eles querem lutar para sobreviver na vida, não apenas no Octógono, e essa é a maneira que luto. Quando entro ali, estou tentando melhorar minha vida, então cada luta é importante , e trato todo mundo da mesma maneira. Eu luto com os todos os caras com a mesma intensidade, porque no final do dia, você pode estar a uma luta de ser cortado neste negócio, e quero me certificar de que vou manter meu emprego por um longo tempo".
 
O que não deve ser um problema para Guillard, dado o seu talento e capacidade de sempre oferecer lutas convincentes. E isto sem mencionar o seu nível cada vez maior de maturidade, algo evidente nos dias após a derrota para Lauzon. Perguntei a ele como o Melvin Guillard de 2007 teria reagido à derrota. Ele riu.

"Eu provavelmente teria sido imaturo e estúpido e teria dito um monte de coisas estúpidas que não deveria dizer e, provavelmente, teria entrado em apuros. Mas acho que lidei com isso muito bem e muito profissionalmente. Estou chateado com a derrota? Sim. Ninguém quer perder, e odeio perder, mas acontece".

E mesmo quando isso acontece, às vezes o seu profissionalismo e a forma como você reage fazem você ter uma grande luta de retorno - exatamente o que ele ganhou contra Miller, que também está buscando se recuperar de uma derrota recente, para Benson Henderson em agosto passado. Guillard é grato pela oportunidade e não quer desperdiçá-la.

"O UFC deve realmente pensar bem de mim e deve  saber que sou um dos principais competidores, e posso provar isso em 20 de janeiro, lutando contra um cara como Jim Miller", disse ele. "Eles não teriam me dado um cara como Jim Miller e na luta principal principal na FX depois de uma derrota, se não achassem que estamos entre os principais caras".
 
Agora começa o trabalho duro para construir uma outra série de vitórias e voltar a corrida pelo título. Para esta próxima etapa da viagem, Guillard mudou seu centro de treinamento de cenário, passando do CT de Greg Jackson em Albuquerque, para Boca Raton, Flórida, casa da sempre crescente equipe Blackzilians.

"Tem sido ótimo, e não tiro os méritos de Jackson", disse Guillard da mudança. "Eu tive grandes parceiros de treino lá e eles tinham caras que entram e saem da cidade, mas acho que o que estava faltando na Jackson era estrutura. E aqui eu tenho isso, em relação ao treinamento. Eu tenho que chegar na hora e todo mundo tem que estar na mesma "página" na academia e fazendo a mesma coisa. Você não tem pessoas aqui fazendo uma coisa e as pessoas lá fazendo outra. Todo mundo está lá para trabalhar e melhorar. Então acho que foi uma jogada inteligente para a minha carreira agora".

Não houve ressentimentos na separação também.

"No começo eu ia fazer metade aqui, metade lá, mas quando cheguei aqui, percebi o quão bem estruturada e quão ótimo o treinamento era, e percebi que estava me deixando um pouco melhor porque agora eu estava focando mais no meu wrestling e no meu jiu-jitsu. Eu não saí em condições ruins e espero que Greg (Jackson) veja dessa forma. Às vezes, os lutadores têm que seguir em frente para melhorarem, e senti como (Mike) Winkeljohn e Greg Jackson fizeram o seu trabalho. Eu tive cinco vitórias consecutivas com esses caras, e foi uma jornada incrível, sempre vou querer voltar e  aprender com eles. Espero que a porta não se feche na minha cara e espero ter a chance de voltar e continuar a treinar com esses caras. Muitos deles significam muito para mim, como Cowboy (Cerrone), Leonard (Garcia), Clay (Guida), John (Dodson), Diego (Brandão), Carlos Condit, e Jon (Jones) é um bom amigo também. Então, sempre quero voltar. Eu ainda amo aqueles treinadores da mesma maneira, e eles vão ser sempre treinadores para mim".

A única coisa que resta é sexta à noite, e é o início do que é esperado para ser um ano interessante na vida de Melvin Guillard. E enquanto o livro ainda está para ser escrito por "The Young Assassin," ele pode lhe dar uma prévia do que ele acredita que 2012 reserva para ele.

"Uma palavra - campeão", disse ele. "Eu vou ser o campeão em 2012".

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