Rani Yahya – Sem essa de lutador de uma técnica só

"Minha cabeça está centrada em uma coisa, e meu foco é apenas ganhar a luta". - Rani Yahya
Rani Yahya de Brasília é um especialista em finalizações, e todo mundo sabe disso. Desde o início de sua carreira, o produto da Constrictor Team tem tentado mostrar suas excelentes habilidades no chão ensinadas pelo professor Ataide Junior. E o objetivo dele é sempre finalizar seus oponentes com chaves ou estrangulamentos quando a luta vai para o solo. Com 16 vitórias em 22 lutas, 14 por finalização, nunca ninguém duvidou disso.

Certamente o seu próximo adversário, no UFC 133 na Filadélfia, dia 6 de agosto - Chad "Money" Mendes - está ciente da quantidade de problemas que o brasileiro pode causar por cima ou por baixo uma vez que a luta vá para o chão.      
      
Dito isso, a única incerteza que temos sobre o faixa preta de Jiu-jitsu é a sua transição por três classes de peso diferentes durante sua carreira profissional. Rani lutou em torneios no Brasil e no Japão como peso leve, entrou para a WEC como peso pena, desceu para 61 quilos em uma oportunidade de título em 2007 e ficou entre os galos até sua estréia no UFC em janeiro, quando voltou para os 66 kg para enfrentar ex-chefão do WEC, Mike Thomas Brown.      
      
Foi uma longa e louca viagem, e embora Rani sempre tenha possuído a reputação de um perigoso lutador de chão, suas transições de uma divisão para outra pareciam ser um empecilho em sua carreira. Mesmo batendo os pesos sem problemas, ele nunca chegou a se estabilizar nas divisões quando começou a lutar entre os melhores.      
      
No entanto, com um novo ano, novas metas, e determinado a se manter como peso pena no UFC, Rani começou 2011 muito bem. Derrotando Brown por decisão unânime - e completando ao dizer que tudo pelo qual passou, foi simplesmente uma questão de oportunidade.      
      
"Em cada momento da minha carreira eu tive boas e diferentes chances", disse ele. "Como atleta até 70 kg, eu lutei um torneio do Hero's no Japão, depois que me ofereceram uma luta pelo título como peso galo no WEC [contra Chase Beebe], mas a categoria ideal para mim é a atual, o peso pena".      
      
Como um competidor até 61 kg, Rani acumulou um recorde de 3-3 no WEC e 1-0 como 66 kg na organização. No entanto, ele não parecia tão bem como peso galo, pelo menos não no nível que se esperava dele.      
      
"É difícil apontar o que exatamente aconteceu", disse ele. "Hoje acredito que não estava preparado para ganhar as lutas, não tinha a experiência necessária. Então, elas fizeram parte do meu destino, um atleta que precisava tirar algumas lições. As derrotas influenciaram na minha evolução mental e física".      
      
O processo de melhoria que Rani está falando envolve mais peças do que essas que ele detalhou. Para um lutador subir a escada da experiência, ele precisa remover o rótulo de unidimensional (lutador de uma única técnica) e transformá-lo em um de atleta de MMA completo. Para o brasiliense, isso parece uma contradição do que ele inicialmente apresentou ao público. "Um pônei de um truque só" não é um título que ele quer - já que Rani tem adicionado mais armas ao seu jogo, sem anular a sua técnica principal - as finalizações.      
      
"Eu treino muito mais trocação do que finalizações, mas minhas habilidades no solo se desenvolvem naturalmente", disse Rani. "Teve lutas que eu vinha com um plano de ficar mais em pé e o combate ia para o chão. Essa luta contra Brown é um bom exemplo. As pessoas comentam que é fácil de evitar um clinche, mas não é. Os lutadores gastam muita energia trocando em pé e depois acabam clinchando. O octógono facilita isso porque você pode colar o adversário contra as grades em diferentes momentos".      
      
Durante a luta, Brown tentou ficar afastado, a fim de punir o brasileiro da longa distância, mas foi agarrado por alguns movimentos de pura astúcia, e, no terceiro round, foi derrubado, viajando para um campo onde muitos não querem estar com o brasiliense.      
      
O ex-campeão, que aceitou a luta com apenas duas semanas de antecedência - substituindo o lesionado Chan Sung Jung - sobreviveu a uma dura seqüência de tentativas de finalização no final do assalto, surpreendendo muitos. Então o que faltou para Rani finalizar Brown?      
      
"Calma", diz ele. "Talvez eu não tenha tido a calma suficiente para finalizar, mas de qualquer forma, ele defendeu as tentativas muito bem. O importante foi ganhar e lutar os três rounds com um veterano como o Brown".      
      
Agora - enfrentando o invicto Mendes, na segunda luta para ambos no UFC, Rani é claro sobre o que vai trazer para combater o membro da equipe Team Alpha Male. Se contra Brown a calma não estava presente, diante Mendes ele pretende mostrar cada uma das lições que aprendeu durante sua passagem pelo WEC.      
      
"Desidratação, dieta e hidratação são partes muito importantes hoje em dia, e você precisa estar muito consciente disso. Se um cara sabe um pouco mais do que seu oponente neste quesito, ele está um passo à frente". Rani diz. "As estratégias para a luta também são importantes, quero dizer, você precisa ter um plano A, B, C, D e etc. No começo, eu lutava com apenas um plano, e quando não funcionava, ficava perdido. Ele [Mendes] pode tentar me surpreender, mas tenho treinado muita trocação, dando continuidade a minha evolução técnica e mental".      
      
Para Mendes, que está perto de uma luta pelo título, enfrentar Rani é o obstáculo no caminho de seu duelo dos sonhos. Por outro lado, o lutador brasileiro está pronto para estragar os planos dele, e se você olhar bem, com vitórias sobre dois ex-campeões do WEC (Brown e Eddie Wineland) e a experiência de uma luta pelo título nas costas, este não é apenas um combate onde ele pode frustrar os desejos de seu adversário, mas iniciar o seu próprio caminho para o cinturão também.      
      
"Estou em busca disso", disse ele. "Mas muitas pessoas têm falado sobre frustrar os planos dele, e não estou deixando isso influenciar a minha mente agora. Minha cabeça está centrada em uma coisa, e meu foco é apenas ganhar a luta".      

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