Ronda - A rainha inicia seu reinado

"Tento explicar como o esporte é lindo. Não é um espetáculo bárbaro, é realmente uma arte, e é por isso que a palavra 'arte' está nele." - Ronda Rousey
UFC women's bantamweight champion Ronda Rousey
Depois de passar muito tempo de sua vida com uma visão tipo túnel reservada para o judô, particularmente uma âncora olímpica no esporte, Ronda Rousey nunca teve tempo para considerar ou sequer ser fã de outros esportes. Até que um de seus amigos de longa data Manny Gamburyan entrou no The Ultimate Fighter em 2007.  
  
"A primeira vez que assisti uma luta do UFC foi quando Manny Gamburyan estava na final do The Ultimate Fighter contra Nate Diaz", disse Ronda. "Conheço o Manny desde que era criança, e estava treinando para as olimpíadas em Boston. Eu tentava assistir todos os episódios, mas os treinos eram malucos. Então quando ouvi que ele estava na final, eu disse 'vou assistir esta luta', e fiquei pulando por todo o lugar, eu literalmente pulei e fiquei correndo por onde estava umas dez vezes, correndo pra lá e pra cá gritando. (Ela ri) Isso nunca aconteceu comigo enquanto estava assistindo um esporte, nunca."  
  
Mal sabia ela que, em pouco mais de seis anos depois, teria sua medalha olímpica, e não somente seguiria Gamburyan no MMA, mas que se tornaria a primeira mulher a lutar e a ser campeã. Olhando para trás agora, Ronda admite que pensou na hipótese de entrar para o MMA antes de conseguir a medalha de bronze em Pequim, 2008, mas percebeu que não era algo realista.  
  
"Eu pensava em lutar antes das últimas olimpíadas quando estava no judô, mas não falei nada para ninguém", ela disse. "Pensava que não era uma coisa realista para se querer. E depois que parei com o judô, meio que percebi que não tinha muitas opções. E eu estava no grappling só para manter a forma com alguns caras com quem treinei antes, e eles diziam 'ah, você mataria aquelas garotas' e então começou a entrar na minha cabeça uma possibilidade real. Eu disse, porque não tento? Se não der certo, vou me juntar à guarda costeira."  
  
Essa é a personalidade de Ronda, criada no Strikeforce, e brilhará mais no UFC. Ela parece estar incorporando o papel de embaixadora do esporte, mas com calma, mesmo ainda tendo trabalho a ser feito em educar a mídia pública sobre o MMA feminino.   
  
"Quando tenho que lidar com mídia que nunca cobriu MMA antes, tem muito interesse no esporte agora por causa da primeira luta feminina", ela disse. "E, nestes momentos, eu sinto que estou realmente representando o esporte. Eu sei que eles querem me fazer falar 'eu gosto de machucar pessoas' e coisas que são estereotipadas do que o MMA é, e tento conduzir a conversa para longe disso, tento explicar como o esporte é lindo. Não é um espetáculo bárbaro, é realmente uma arte, e é por isso que a palavra 'arte' está nele.  
  
"Então muito progresso foi feito, mas ainda há muito a ser feito", Ronda continua. "Eu sei que não vivemos em uma sociedade utópica onde todos são tratados igualmente. As pessoas estão mais tolerantes do que costumavam ser, mas não são tolerantes como deviam ser. Então não estou surpresa que ainda temos muito progresso pela frente, mas me dá uma meta para seguir."  
  
Entrar no Octógono pela primeira vez, vencer Liz Carmouche, e sair de lá com seu cinturão intacto é a próxima tarefa. Isto é bastante para digerir em uma noite, e para alguém que ganhou uma medalha olímpica, você tem que imaginar como se compara. Em uma das poucas vezes, Ronda não tem uma resposta.  
  
"Eu não sei", ela disse. "Eu não fazia ideia de como seria ganhar uma medalha olímpica, até acontecer. Eu achava que porque não era de ouro eu ainda andaria pelo tatame brava e não sabia que ficaria tão eufórica como fiquei. Então não sei, você terá que me perguntar depois."  




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