Shogun - O campeão, e a voz da experiência

"Ser um campeão significa muito, mas não porque você é melhor ou pior que os outros, mas porque significa que você atingiu o maior objetivo que pode ter como lutador". - 'Shogun' Rua
Ele está longe de ser um ancião aos 29 anos de idade, mas o campeão dos meio-pesados do UFC Mauricio 'Shogun' Rua se lembra da sensação de estar com 23, como seu adversário deste sábado, Jon Jones.     
    
Naquela época, em 2005, Shogun foi o fenômeno do esporte, o jovem prodígio que explodiu por todos os cantos. No caso dele, os adversários tinham nomes como 'Rampage' Jackson, Rogério 'Minotouro' Nogueira, Alistar Overeem e Ricardo Arona. Foi uma sequência 'sinistra' para acabar com qualquer 'sinistro', mas Shogun não apenas sobreviveu, mas ganhou de todos no caminho para o título dos médios do PRIDE Grand Prix.     
    
Nada mal para o garoto, que recorda que algumas de suas lutas mais duras não foram no ringue, mas na academia Chute Boxe em Curitiba, sua terra natal.     
    
"Eu lembro que o treino diário na minha academia era mais puxado do que qualquer outra coisa (risos). Antigamente na Chute Boxe só tinha casca-grossa, normalmente, você tinha treinos duros na academia", disse Shogun. "Assistir Wanderlei treinar todos os dias, fazer sparring com ele, isso me inspirou a acreditar em mim e querer conquistar meu espaço. Meus treinadores sempre me fizeram acreditar em mim, e eu senti que era capaz de vencer qualquer adversário. Eu entrei no PRIDE Grand Prix sendo considerado o azarão de 16 para ganhar a coisa toda, isso realmente me motivou muito, pois eu não me importo quando as pessoas duvidam de mim, só me motiva a trabalhar mais".     
    
Quase seis anos depois daquela primeira vitória no Grand Prix - um TKO no primeiro round sobre o futuro campeão dos meio-pesados do UFC, 'Rampage Jackson, - Shogun, apesar de ser um campeão do mundo, se encontra em uma posição semelhante ao defender seu título sem o status de favorito, mas como o azarão diante de Jones. É um território familiar para Shogun, mas ele se esquiva quando alguns acreditam que a luta pelo título, para Jones, ainda é muito cedo.     
    
"Eu não acho que é cedo demais para ele, porque ele é o desafiante número um e ele ganhou esse posto, que deve ser o momento certo", disse Shogun. "Só quando a luta acabar é que podemos dizer algo diferente, mas ele conquistou seu respeito e sua oportunidade".     
    
É a citação de um campeão digno, aquele que percebe que as lutas são vencidas e perdidas na competição, não em coletivas de imprensa ou em fóruns de internet. É também a atitude de alguém que já partiu um dobrado para chegar onde está. Para todo seu sucesso, Shogun sofreu mais do que algumas derrotas.     
    
Foi uma lesão contra Mark Coleman em 2006, que produziu sua única derrota no PRIDE, sua derrota para Forrest Griffin por finalização em sua estréia no UFC em 2007, sua a luta polêmica com o Lyoto Machida em 2009 e, mais devastador, as várias cirurgias no joelho que teriam acabado com a maioria dos lutadores. No entanto, Shogun, agora saudável, pela primeira vez em anos, usou esses solavancos na estrada como ferramentas motivacionais.     
      
"A experiência é um aspecto muito importante para um lutador", disse ele. "Passando por tudo que passei, eu me vejo com muito mais experiência e como um lutador completo hoje em dia. O jogo está sempre mudando e evoluindo, então eu realmente sinto que estou sempre melhorando. A experiência pode vir de muitas maneiras diferentes - não só no combate, mas também na vida, na preparação, etc, não é só uma questão de idade".     
    
Shogun é marido e pai agora, os seus joelhos estão bem, e depois de um começo difícil, ele restabeleceu seu domínio no mundo do MMA em um novo espaço - o octógono do UFC. E se houve um momento ao longo do caminho que mostrou o Shogun 2.0, esse foi sua vitória na revanche sobre Lyoto no UFC 113 em maio passado. Ele ainda se submeteria a mais uma cirurgia no joelho, mas houve pouca ou nenhuma dor depois que ele nocauteou seu compatriota aos 3:35 do primeiro round, ganhando o título meio-pesado do UFC.     
    
"É difícil descrever o que se passava pela minha cabeça depois da luta", disse Shogun. "Fiquei muito feliz, foi um sentimento de satisfação enorme. Você pensa em tudo que você passou para chegar lá e você só quer celebrar o momento com sua família, amigos e fãs.     
    
"Ganhar um título é sempre muito gratificante, mas só os que me conhecem bem sabem da montanha-russa que passamos para chegar lá", continua ele. "Então, aquilo certamente tinha um outro significado e mostra que você sempre tem que continuar lutando para alcançar seus objetivos e sonhos".     
    
De volta para casa no Brasil, fãs, amigos, família foram saudá-lo no aeroporto, tinha até um outdoor de congratulações e um churrasco e festa o aguardavam em Curitiba. O herói local, estava de volta com aquilo que seus fãs sabiam que ele tinha por dentro e, agora, ele é campeão mundial.     
    
"Ser um campeão significa muito, mas não porque você é melhor ou pior que os outros, mas porque significa que você atingiu o maior objetivo que pode ter como lutador", disse ele. "Você trabalha a vida inteira para se tornar um campeão, por isso dá uma sensação de recompensa e realização por tudo que você lutou".     
    
E agora tem Jon Jones. O nova-iorquino fez com que sua carreira no UFC pareça fácil até agora, alcançando um histórico de 6-1 (a derrota veio através de uma polêmica desqualificação contra  Matt Hamill), com vitórias sobre atletas como Brandon Vera, Vladimir Matyushenko, Stephan Bonnar e Ryan Bader. Shogun está impressionado, mas pronto.     
      
"Acho que Jon Jones é justamente o candidato número neste momento", disse ele. "Ele vem de uma série de vitórias sólidas e ele é um lutador muito talentoso. Ele é um lutador completo, com competência em todas as áreas, e uma luta é uma luta. Toda vez que você pisa no octógono, muitas dificuldades podem aparecer e nunca se sabe. É por isso que você precisa estar preparado para todas as situações possíveis".     
    
Shogun viu todas as situações possíveis. Ele se viu enfrentando o pior dor da contusão e da derrota, ele chegou no posto mais alto como campeão do UFC e do PRIDE Grand Prix, e lutou contra todos os estilos possíveis, desde trocadores longilíneos e passando por wrestlers de elite e perigosos atletas de jiu-jitsu até poderosos nocauteadores. Ele foi o jovem pistoleiro, o fenômeno, o lutador que o mundo abraçou como a 'próxima grande coisa'. No entanto, apesar de tudo, ele mantinha as coisas em perspectiva, e ele ainda faz assim.     
      
"Eu nunca pensei que era invencível", disse Shogun. "Não existe essa de lutador invencível. Todo lutador pode perder se um soco entrar, ou se seu oponente estiver em um dia melhor. Eu sempre confiei muito nas minhas habilidades, porque os meus treinadores sempre construíram minha confiança e me fizeram acreditar em mim mesmo. Mentalidade é um aspecto muito importante para um lutador e assim você está respeitando seus adversários. Quanto mais você respeitar seus adversários, mais duro você vai treinar, colocando sua confiança no caminho certo".      
    
Azarão? Você não conhece 'Shogun' Rua.     
    
"Luta é luta e muitas coisas podem acontecer", disse ele. "Você só sabe como a luta começa. Eu trabalhei em um planejamento com a minha equipe, mas você tem que estar preparado para diversas situações que podem acontecer em uma luta. Como sempre, a única pressão que eu coloco em mim é fazer o meu melhor, o resto é conseqüência".     

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Midia

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