Stephan Bonnar se aposenta aos 35 anos

Um tributo ao meio-pesado que está se aposentando, Stephan Bonnar...
Stephan Bonnar
Stephan Bonnar oficializou, na terça feira, sua aposentadoria do MMA aos 35 anos de idade.  

"Muito obrigado a cada fã do UFC por aí", escreveu Bonnar na sua página do facebook. "Tudo que sempre quis foi trazer um pouco de diversão para vocês, espero que tenham se divertido."  

Saindo do esporte com uma marca de 17-8, que inclui uma derrota final pelas mãos de Anderson Silva em 13 de outubro, a carreira de Bonnar nunca vai ser resumida como uma coleção de vitórias e derrotas, mas pelo que ele trouxe ao Octógono noite sim, noite não.  

Como escrevi depois da luta contra Silva, a primeira memória que virá à cabeça sobre Bonnar será a sequência final de sua vitória sobre Krzysztof Soszynski em 2010.  

No card do UFC 116 cheio de alguns dos melhores lutadores daquele ano, batalhas entre Brock Lesnar e Shane Carwin, Chris Leben e Yoshihiro Akiyama, e Ricardo Romero e Seth Petruzelli, Bonnar e Soszynski lutaram por 8 minutos e 8 segundos, com Bonnar saindo vitorioso no segundo round de sua revanche por nocaute técnico.  

Assim que a luta acabou, Bonnar ensanguentado foi ao meio do Octógono, com as mãos nos quadris, e encarou a câmera de modo desafiador. Foi icônico, e mostrou ao mundo o que significava ser um lutador. É claro que o nativo de Indiana não deu muita importância sobre  a reação ao momento da decisão.  

"Achei que ia parecer bem legal", ele me disse no começo do ano. "Eu estava fazendo uma afirmação tipo, 'é, você pode me bater o quanto quiser, mas eu não vou a lugar algum.'"  
Se você for colocar um epitáfio na carreira de 11 anos de Bonnar, pode muito bem ser esta, e ele provavelmente aprovaria.
 
Em sua última luta, Bonnar entrou de última hora para vencer o rei pound for pound (Anderson)  na luta principal do UFC Rio 3. A luta terminou com quase um ano de semi aposentadoria no qual ele disse que só voltaria se fosse para um grande desafio .

Essa foi grande, uma chance de trocar com o maior lutador desta era e possivelmente de todos os tempos. Para um lutador de 35 anos que nunca teve a oportunidade de disputar o ouro, esta era a sua chance. Porém como todos os que desafiaram Anderson antes no Octógono, ele não estava preparado, e foi despachado no primeiro round, pela primeira vez em suas 25 lutas profissionais, sem ser devido a cortes.
 
Apesar da derrota, Bonnar apareceu e fez o que disse que ia fazer. Ele veio para lutar, e quando você aparece e joga a precaução ao vento, às vezes o resultado não é aquele que você esperava. Mas pelo menos você pode erguer sua cabeça quando acabar, sabendo que não se trata de ganhar ou perder, é sobre a luta.   

Vamos encarar, nem todo mundo pode ser Anderson Silva. Na verdade, somente uma pessoa conseguiu fazer isso, mesmo com o campeão insistindo que sua maior luta seria com seu clone. Mas com os experimentos futurísticos de lado, você pensaria que, por ouvir alguns fãs e especialistas, você acharia que é fácil ser um Anderson Silva, um Georges St-Pierre, um Jon Jones, ou um Jose Aldo, e que todo lutador não devia somente querer ser um desses lutadores de elite no MMA, mas que deveriam ser eles, sem ser isso, você seria nada menos do que um fracasso colossal.  
Mas esta não é a realidade. E mesmo sendo o fim da linha para Bonnar como um profissional de MMA, ele vai embora como um verdadeiro lutador, alguém que não competiu somente contra os melhores, mas que lutou contra os melhores.  

Lyoto Machida, Forrest Griffin, Rashad Evans, Jon Jones, Mark Coleman, Anderson.  Existe um membro do Hall da Fama e seis campeões nesse grupo, com dois que juntos com Coleman podem entrar para o Hall da Fama um dia. O resultado não importa quando você está se misturando com a companhia deste jeito. De fato, se você está procurando um paralelo em outro esporte quando fala de Bonnar, o nome Jerry Quarry imediatamente vem à mente. Quarry foi um dos melhores boxeadores dos Anos Dourados dos pesos pesados na década de 70. Mas quando se está rodeado por Muhammad Ali, Joe Frazier e George Foreman, é difícil chegar ao topo da montanha. Então denegrir Bonnar pela derrota tira o que ele realizou no esporte, o mais importante possivelmente sendo sua primeira luta com Griffin em 2005, uma luta épica de três rounds que mostrou ao resto do mundo o que os obstinados sabiam sobre MMA. E era algo que Bonnar sabia que aconteceria antes do reality que lançou o esporte, o The Ultimate Fighter ter ido ao ar.  

"Eu lembro do (presidente do UFC) Dana White ficar preocupado que o reality não iria emplacar na TV, e posso dizer que ele estava preocupado de que não seria um sucesso", Bonnar disse em 2009. "Por alguma razão, na minha cabeça, eu pensava, 'O que? Você está brincando? Essa coisa vai ser um sucesso e teremos várias temporadas como essa.'  Eu sempre achei que seria a coisa mais legal do mundo."  

Griffin-Bonnar com certeza foi uma das lutas mais legais, enquanto os dois rivais amigáveis socavam e chutavam o outro sem parar por três rounds, lutando como se mais do que um contrato com o UFC estivesse em jogo. Griffin sairia com a vitória naquela noite, mas os dois deixaram o Cox Pavillon em Nevada com um emprego, e era o próximo passo para o lutador quase por acidente ser apelidado de "The American Psycho".
 
"Era meio que um hobby para mim", disse Bonnar quando perguntado sobre a origem de sua luta. "Sempre amei lutar, fiz wrestling e tae kwon do quando estava crescendo  e entrei no jiu jitsu e no boxe.  E realmente só queria melhorar, então qual o melhor jeito para melhorar? Entrar em uma competição e ver onde você está.  Então você entra em outra; com o boxe é tipo, me deixe entrar no Golden Gloves e veja o quão bom eu sou. E continua subindo. Toda vez que você vence ou entra para um torneio, você fica melhor. E então com o MMA, porque não tentar? Eu ganhei algumas lutas e consegui lutas maiores, e então foi uma bola de neve. E não era algo que eu havia planejado fazer - era algo que sempre quis fazer e sou muito agradecido por estar aqui."
 
Bonnar sempre lutou como se só estivesse vendo o quanto longe poderia ir, com cada luta que passava, outra razão para ir em frente. Então foi uma bola de neve e ele se tornou uma figura fixa na glamorosa divisão até 93 kgs. Mas ele não era um mero lutador, o ex-campeão do Golden Glove também possuía uma faixa preta dada pelo grande Carlson Gracie, e quando necessário - como nas vitórias sobre James Irvin e Kyle Kingsbury - ele podia e levaria a luta ao chão para obter melhor chance de vitória.  
 
As guerras em pé porém, fizeram sua reputação, mais notável contra Griffin (duas vezes) e Soszynski (duas vezes). Essas lutas também cobraram um preço em seu corpo, enquanto lidava com tudo, desde um cotovelo estourado e uma mão quebrada até uma cirurgia para reconstrução de seu joelho. Quando estava no meio do Octógono após vencer Soszynski, havia muita quilometragem nele, mesmo depois tendo marcado mais duas vitórias em cima de Igor Pokrajac e Kingsbury antes da derrota para Anderson.  

Porém, é assim que verdadeiros lutadores se aposentam. Não há finais arrumadas, nenhuma dança de três rounds onde você mal começa suar até ter sua mão erguida no final. Para um lutador como Bonnar, se você não pode sair no auge, você sai do jeito que entrou - se pendulando junto as grades. Claro, ele foi pego com uma joelhada pelo melhor lutador do mundo enquanto estava saindo, mas Bonnar sempre gostou de pistoleiros.  

Apenas olhe a gravação de sua luta no UFC 77 contra Eric Schafer, quando ele ergueu seu braço em direção a "Red" durante as instruções pré luta ao estilo de um de seus heróis e um dos grandes pistoleiros dos esportes de combate, Aaron Pryor, antes de vencer a luta por nocaute técnico na cidade natal de Pryor, Cincinnatti, no segundo round.
 
Foi um tributo apropriado a Pryor, e não sei se "The Hawk" é um fã de MMA, mas se ele é, provavelmente é um fã de Bonnar. E você deveria ser também. Ele juntou uma carreira de lutas muito boas, e em resposta a sua esperança de que todos nós fomos entretidos, sim Stephan, nós fomos.

Obrigado por isso.   

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