Vagner Rocha – Um filho adotivo do primeiro UFC

"Meu ponto forte é o jogo de chão, mas acho que sou um bom lutador em outros aspectos, alguns melhores que outros". - Vagner Rocha
A importância da família Gracie na história do MMA é inegável. O crescimento do esporte aqui no Brasil, primeiramente conhecido como Vale Tudo e mais tarde como o moderno MMA, motivou e entusiasmou muitos. Tenho exemplos disso na minha própria vida, como Carlos, Jorge e Hélio eram os motivos do meu avô viajar para assistir suas lutas. Meu pai seguiu os desafios dos Gracies nos anos 70 e década de 80 foi minha - quando Rickson começou seus duelos contra oponentes muito maiores.
      
O tempo passou, e agora estamos vendo garotos que se transformaram em lutadores profissionais depois de adultos exclusivamente por causa das ações de Royce dentro do octógono. Por volta de 1993, quando o UFC foi criado, adoslecentes e crianças ficaram alucinados quando o leve praticante de Jiu-jitsu finalizou caras mais pesados provenientes de respeitadas artes marciais voltadas para a trocação.
      
O brasileiro Vagner 'Ceará' Rocha, que enfrenta Donald 'Cowboy' Cerrone em um confronto leve no UFC 131 neste sábado, é um subproduto perfeito do quero dizer, apesar das diferentes direções que sua vida tomou ao longo do caminho.    
  
O friburguense viveu no Brasil só até os três anos de idade. Enquanto ainda era um bebê aprendendo suas primeiras palavras, seus pais se mudaram para os Estados Unidos à procura de melhores condições de vida. Somente 13 anos mais tarde, Vágner descobriu o que faria para ganhar a vida - se tornar um artista marcial - tudo devido ao impacto do que ele assistiu no UFC 1.    
  
"Eu vi o show da família Gracie (Royce) deu dentro do octógono do UFC e fiquei curioso para aprender Jiu-jitsu, com o sonho de ser um atleta de MMA", diz ele. "Então eu comecei a treinar aqui na Flórida com Pablo Popovitch".  
   
Ainda um adolescente deslumbrado com a descoberta, Vagner teve de lidar com as dificuldades de ser um estrangeiro em uma nova terra. Aprender uma língua diferente da sua e a distância de alguns membros da família eram problemas, que se tornaram um pouco piores quando o menino começou a trabalhar para ajudar seus pais, que limpavam restaurantes.  
    
"Quando criança eu sempre gostei de lutas, assim, quando me tornei um adulto, percebi que eu era bom nisso", disse Vagner. "Meus pais sempre me incentivaram e me apoiaram muito. Desde o meu primeiro campeonato, eles estavam torcendo por mim".
      
E o suporte dado pela família Rocha se transformou em resultados sólidos, uma vez que o morador de Pembroke Pines ganhou títulos no submission grappling e no Jiu-jitsu como campeão da seletiva americana do ADCC, um bronze no Abu Dhabi Pro World (peso e absoluto), múltiplas vitórias em eventos da NAGA e do Grapplers Quest, um ouro no Pan Americano (na faixa-marrom) e um terceiro lugar no Mundial de Jiu-jitsu.
     
No entanto, embora ele estive focado em se tornar um lutador de MMA, com muita vontade e talento para a luta, Vágner, graduado faixa preta em 2007 por Popovich, só estreou no esporte há 28 meses. Então, qual é a explicação para esse atraso?
     
"Arranjar lutas", ele respondeu. "Eu sempre quis competir no MMA, no entanto, não tinha as conexões para que isso acontecesse. Mas eu precisava dessa experiência para melhorar. Então a idéia (de estrear no MMA) ficou mais próxima da realidade após eu abrir a minha academia quatro anos atrás. Finalmente tinha a oportunidade de treinar profissionalmente".    
  
Todo lutador de Jiu-jitsu tem dificuldades iniciais de adaptar seu jogo para o MMA moderno, já que alguns movimentos simplesmente não funcionam sem alguns ajustes, e com Vágner não foi diferente. Mas inserir seu jogo de chão no MMA parece ter sido um sucesso, pois seu primeiro duelo durou apenas 42 segundos.  
   
"Eu não estava nervoso, de qualquer maneira não foi a luta mais fácil da minha carreira", diz ele, difícil acreditar que não foi, a luta terminou com um mata-leão e não um golpe de sorte. "Eu realmente não sabia o que esperar dessa luta, mas acho que mandei bem".
      
Após um bom começo, e mais duas lutas em 2009 e quatro em 2010, incluindo uma estréia internacional, em Lima, no Peru, Vagner acumulou um cartel de 6-1, com apenas uma vitória por decisão. Esse triunfo, em especial, tem um irônico golpe do destino, sua segunda luta, a única vitória que durou 15 minutos, foi diante de um membro da família que o motivou a se tornar um lutador, ele bateu Igor Gracie no Bellator 11.  
    
"Essa foi uma luta muito importante para mim, porque eu treino a arte marcial que veio da família dele", Vagner diz. "O show foi grande e eu o enfrentei praticamente na casa dele".
     
Chegar ao UFC, com apenas seis vitórias em sete lutas, não é problema para o brasileiro, sua experiência em duas passagens pelo Bellator e uma pelo Strikeforce ajudaram muito. E foi principalmente no Strikeforce que ele se deparou com o único resultado negativo de sua carreira (por decisão contra Bret Bergmark). E embora saibamos que depois de derrotas nos tornamos mais fortes, Vagner diz que esse não é o caso.    
 
"Eu aprendi que você não pode lutar sem estar 100%, seu corpo precisa estar condicionado, lutei no Strikeforce com infecção e febre, mas eu não queria cancelar por causa da oportunidade". disse ele. "Participar dessas organizações me deu uma idéia do que vou enfrentar no UFC, mesmo que o UFC seja inigualável".
     
O faixa preta esta batendo de frente com 'Cowboy' Cerrone em uma luta onde foi chamado em cima da hora, com menos de 30 dias para se preparar e, embora concorde que o momento não é o melhor, ele não estava disposto a deixar essa chance para depois.  
    
"Eu fiquei surpreso com o convite, mas sou muito grato por isso", disse ele. "Eu nunca negaria a chance de enfrentar o Cerrone, eu estava treinando para uma outra luta antes de saber sobre esta e então só aumentei o ritmo de preparação".  
    
Com títulos em torneios de submission grappling e Jiu-jitsu, e quatro finalizações e um nocaute técnico entre suas seis vitórias, podemos esperar um lutador de chão focado em tentar levar Cerrone para baixo. Mas com a sua preparação no Team Avengers, Team Armory, com os conterrâneos conhecidos como temidos strikers, Edson Barboza e Luiz 'Banha' Cané, além do Team Popovich, Vagner espera trazer muito mais para o octógono do que as pessoas podem esperar.    
 
"Eu treino trocação, com bons treinadores para afiar essa área", diz ele sobre a luta em pé. "Meu ponto forte é o jogo de chão, mas acho que sou um bom lutador em outros aspectos, alguns melhores que outros. E é claro que espero explorar as aberturas no jogo do Cerrone. Nós podemos perceber que ele não se importa em lutar de costas no chão e com a guarda aberta, e eu posso aproveitar o que acho que é o seu ponto fraco, esse tipo de guarda".     


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Midia

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