Atenção: O velho Luiz Banha está de volta

"Muitas pessoas pensam que quando você vem de uma derrota, você precisa fazer uma luta segura e chata na próxima. Eu não vou parar de procurar um nocaute". - Luiz Cane
Existe um velho ditado que diz: 'Após uma derrota você se torna mais forte', e ao longo dos anos vemos lutadores se redimindo após resultados negativos. Pode ser Georges St-Pierre após a primeira luta contra Matt Serra ou Jon Jones após enfrentar Matt Hamill, o caminho é o mesmo, quando um resultado adverso acontece, você precisa de um momento de reflexão.
            
Mas e se o mesmo resultado ocorre no combate seguinte, onde o lutador em questão - Luiz 'Banha' Cané - nos deixou com aquela impressão de 'eu já vi isso antes', contra o kickboxer francês Cyrille Diabate, no UFC 114 de maio do ano passado. Com mais essa derrota, o duro brasileiro tinha caído duas vezes seguidas por nocaute técnico no primeiro round, e fica a pergunta - será que ele desaprendeu o que tinha absorvido durante esses seis anos de carreira profissional? 
        
"Meu problema é que às vezes coloco muita emoção em minhas lutas, e aprendi, da forma mais difícil, que isso é um erro", disse ele. "Contra o Diabaté, eu estava indo bem, consegui um knock down no princípio da luta, mas quando ela voltou em pé e nós clinchamos, vi sangue escorrendo do meu nariz. No mesmo instante esqueci a estratégia e todo mundo viu o que aconteceu. É estúpido, mas é a verdade (risos)".          

Com dois nocautes técnicos sofridos consecutivamente (o primeiro diante Rogerio 'Minotouro' Nogueira no UFC 106), Banha vai vivendo aquele estágio de 'você é tão bom quanto o seu último desempenho', e ele foi de um temido lutador de Jiu-Jitsu e Muay Thai para um competidor não tão bom assim. O membro da equipe The Armory entende, mas não aceita uma avaliação como essa. E depois de sofrer danos nas duas últimas lutas, Banha começou a ver o lado bom de algumas situações ruins. Para ele, o otimismo é o primeiro passo para o renascimento.  
      
"Ficar sem lutar (de maio de 2010 a março de 2011) foi importante para focar 100% no meu trabalho", diz ele. "Joe Silva (matchmaker do UFC) me deu tempo suficiente para organizar a minha vida depois de uma cirurgia de nariz que me submeti após minha última luta, junto com a mudança para minha nova equipe, The Armory. Estou muito mais motivado após a compreensão que o Joe teve da minha situação".     

Este fim de semana no UFC 128, Banha estará enfrentando Eliot Marshall, que substituiu o tcheco Karlos Vemola, primeiro adversário do brasileiro. Marshall será um bom teste para a confiança de Banha. E isso não envolve os problemas que o americano vai apresentar se a luta for para o solo, mas sim onde ela começa - em pé. Se após as trocações contra Minotouro e Diabaté, Banha caiu, será que ele vai ter confiança para trocar de novo?
          
"Eu não sei se é positivo ou negativo, mas muitas pessoas pensam que quando você vem de uma derrota, você precisa fazer uma luta segura e chata na próxima", disse ele. "Eu não vou parar de procurar um nocaute porque não posso me arriscar. O que eu aprendi e estou trabalhando aqui na equipe The Armory é lutar com inteligência. Meu objetivo não se alterou, quero finalizar ou nocautear". 
      
Neste combate dos meio-pesados, muitas perguntas serão respondidas após 15 minutos ou menos. Marshall deixou a organização em 2010, venceu três lutas e está de volta ao UFC, então ele precisa provar que pertence à elite, enquanto Banha perdeu duas seguidas e também quer mostrar que seu lugar é aqui.  
     
"Na minha última luta, ouvi que eu tinha que sair vitorioso para me manter no UFC e isso não influenciou o meu estilo", disse ele. "Estou na melhor forma da minha vida, tecnicamente também, tive uma preparação perfeita que vai fazer a diferença. Estou muito focado e preparado para provar que eu pertenço a elite do esporte. Estou melhor do que nunca, com muito mais experiência, estou mais rápido, mais forte e com a agressividade para acabar as lutas".     

Midia

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