GSP mantém o cinturão nos 20 anos do UFC

Resultado dividiu as opiniões em noite que também teve vitória de Thales Leites
Grandes combates, finalizações, nocautes, disputa de título e decisões polêmicas. Teve um pouco de tudo no UFC 167, neste sábado, em Las Vegas, evento que comemorou os 20 anos do Ultimate Fighting Championship. Na principal luta da noite, numa decisão que não agradou muitos, Georges St-Pierre manteve o título dos pesos meio-médios contra Johny Hendricks. Único brasileiro em ação na noite, Thales Leites levou a melhor diante de Ed Herman.

A principal luta da noite trouxe o maior ídolo da atualidade no UFC, um dos melhores em todos os tempos na organização, Georges St-Pierre. Defendendo o título de meio-médios pela nona vez, GSP teve pela frente o desafiante mais perigoso até então, Johny Hendricks, embalado numa série de seis triunfos. Mais contundente, Hendricks fez o dever de casa e castigou o rosto do canadense. A chave da luta, na decisão final, foi o terceiro dos cinco rounds (as análises não refletem necessariamente as pontuações oficiais).

No primeiro assalto, GSP logo encurtou, derrubou e tentou um estrangulamento, Hendricks igualou as ações no seguimento, mas melhor para o campeão. O segundo assalto foi exatamente o contrário, o americano surpreendeu com uma dura sequência de socos e Georges voltou a lutar bem nos últimos minutos, mas perdeu. O terceiro round foi o que abriu margem para maiores dúvidas, St-Pierre vinha controlando na trocação, mas Hendricks conseguiu derrubar no final. A quarta etapa foi do americano, que derrubou e conseguiu bons golpes, enquanto a última parcial foi de GSP, que partiu para o tudo ou nada e, além de bons socos, conseguiu derrubar em duas oportunidades. A verdade é que, apesar da dificuldade de apontar o vencedor de alguns dos rounds, St-Pierre ficou com o rosto bem mais avariado que o do oponente, com cortes profundos. Mesmo assim, na decisão dos jurados, o canadense manteve o título.

“Com certeza esta foi a minha luta mais difícil. Apagou um pouco a minha memória e não consigo me lembrar bem de tudo. Machuquei um dos olhos, o Johny Hendricks teve uma atuação louvável, ele leu muito bem o meu jogo e me fez andar para trás. Ele bate muito pesado”, comentou GSP.

“Agora preciso descansar um pouco, algumas coisas estão acontecendo na minha vida e preciso me afastar. Levei muitos golpes e preciso reavaliar se tudo isso ainda vale a pena”, completou o campeão, enigmático sobre uma possível aposentadoria.

Johny Hendricks, por sua vez, não concordou com o resultado, da mesma forma que Joe Rogan, que o entrevistou. “Achei que venci claramente. O GSP é grande, agradeço a ele, mas vou voltar e pegar este cinturão.”

Na luta co-principal da noite, Rashad Evans e Chael Sonnen, que trabalham juntos, comentaristas de uma emissora americana, tinham encontro marcado dentro do Octógono. Ambos com características parecidas, logo partiram para o clhinch. Sonnen tentou derrubar e prensou o adversário nas grades, mas Rashad logo inverteu a situação e passou a controlar Chael. Evans conseguiu quedar e pressionou até chegar à montada. Desesperado, Sonnen deu as costas e recebeu uma série de socos, o que resultou no nocaute, aos 4min5s.

“Ele combina bem os golpes, mas fiz o que gosto de fazer. Gosto muito dele como pessoa e logo estaremos trabalhando juntos novamente. Não poderia ter vencido sozinho e agradeço a toda a minha equipe”, comentou Rashad, que espera uma nova chance pelo cinturão dos meio-pesados, categoria que já foi campeão. 

Robbie Lawler tinha Rory MacDonald pela frente, um oponente mais jovem, numa série de cinco vitórias e apontado como futuro desafiante ao cinturão dos pesos meio-médios. Porém, dentro do cercado, Lawler fez valer sua maior experiência e, sobretudo, suas mãos pesadas. O primeiro assalto foi estudado, mas o americano foi mais ofensivo que MacDonald. Na segunda parcial, o atleta do Canadá derrubou Lawler e conectou os melhores golpes na trocação. As maiores emoções ficaram guardadas para o terceiro round. Lawler encaixou duros socos e chegou próximo do nocaute. Nos últimos segundos, MacDonald derrubou e disparou uma sequência de cotoveladas, mas não foi suficiente. Por decisão dividida dos jurados, Robbie Lawler levou a melhor, sua terceira vitória desde que retornou ao UFC após uma passagem entre 2002 e 2004, quando ganhou quatro lutas e perdeu três.

Tyron Woodley e Josh Koscheck adentraram o Octógono com a pressão pela vitória, já que ambos vinham de resultados negativos. E o que se viu foi uma verdadeira batalha desde o início, que dava indícios de que alguém cairia a qualquer momento. Woodley levou perigo a Koscheck, com as mãos pesadas. Conseguiu um knockdown nos primeiros instantes e deu impressão de que definiria. Mas o nocaute veio no quarto minuto. Depois de acertar um cruzado de direita que aniquilou Koscheck, Tyron precisou de mais um soco para sacramentar a terceira derrota seguida do veterano de cabelos tingidos.

“Temos características muito parecidas, seja nas técnicas ou na envergadura. Escutei os meus técnicos e deu tudo certo. Demos um show, este é um dos melhores cards da história”, comemorou Tyron Woodley.

Os pesos moscas Ali Bagautinov e Tim Elliot deram largada ao card principal numa disputa bastante movimentada e parelha. Os lutadores dividiram bons momentos na trocação, mas levou vantagem o russo Bagautinov, que teve nítida vantagem no primeiro round. Por decisão unânime, Bagautinov chega à segunda vitória no UFC.

Na última luta do card preliminar, Donald Cerrone usou todo o seu arsenal contra Evan Dunham, entre os pesos leves. No primeiro assalto, o Cowboy já mostrou sua versatilidade com uma sequência de joelhadas que abalou o oponente e, no chão, com uma justa chave omoplata. Na segunda parcial, Cerrone Manteve o ritmo e, depois de cair por baixo, encaixou um justo estrangulamento triângulo, que obrigou Dunham a dar os três tapinhas da desistência, seu segundo revés seguido.

“Peço desculpas, não vinha de boas lutas e até pensei em me aposentar”, desabafou o Cowboy, que vinha de derrota para o brasileiro Rafael dos Anjos.

Único brasileiro no card comemorativo de 20 anos do UFC, Thales Leites entrou no Octógono em busca da segunda vitória desde o retorno à organização. Contra Ed Herman, o representante da equipe Nova União, time de feras como os campeões do UFC José Aldo e Renan Barão, fez valer suas habilidades na luta agarrada, apesar de surpreender algumas vezes na trocação. Nos três rounds, o faixa-preta de jiu-jitsu conseguiu boas quedas e trabalhou no chão com diversas pegadas de costas, passagens de guarda e montadas. A finalização não veio, mas o brasileiro faturou com facilidade a decisão unânime dos jurados a seu favor. Com o segundo triunfo em duas apresentações, Thales segue escalada parecida com a da sua primeira passagem pelo UFC, quando chegou a disputar o cinturão dos pesos médios, derrotado por Anderson Silva.

Em outra luta que chamou a atenção no card preliminar, a expectativa girava em torno da estreia no Ultimate de Sergio Pettis, irmão de nada menos que Anthony Pettis, atual campeão peso leve. Apesar do combate movimentado, Sergio não mostrou desempenho como o do mano, conhecido como “The Show Time”, mas fez o suficiente para bater Will Campuzano por decisão unânime e se manter invicto no MMA, com dez triunfos. A luta valeu pela categoria peso galo.

No único nocaute das preliminares, Gian Villante, acompanhado no corner pelo atual campeão peso médio Chris Weidman, precisou de apenas 1min22s para bater Cody Donovan.
 

Confira todos os resultados do UFC 167:
Georges St.Pierre venceu Johny Hendricks por decisão dividida
Rashad Evans venceu Chael Sonnen por TKO aos 4min5s do R1
Robbie Lawler venceu Rory MacDonald por decisão dividida
Tyron Woodley venceu Josh Koscheck por KO aos 4min38s do R1
Ali Bagautinov venceu Tim Elliot por decisão unânime  

CARD PRELIMINAR
Donald Cerrone finalizou Evan Dunham com um triângulo aos 3min49s do R2
Thales Leites venceu Ed Herman por decisão unânime
Rick Story venceu Brian Ebersole por decisão unânime
Erick Perez venceu Edwin Figueroa por decisão unânime
Jason High venceu Anthony Lapsley por decisão unânime
Sergio Pettis venceu Will Campuzano por decisão unânime
Gian Villante venceu Cody Donovan por TKO a 1min22s do R1

Midia

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