Um empolgante confronto de gerações promete animar o público presente na T-Mobile Arena, em Las Vegas, na noite do deste sábado (6). O campeão peso-mosca Alexandre Pantoja vai em busca de sua quinta defesa de cinturão e terá pela frente o primeiro colocado no ranking Joshua Van, de apenas 23 anos de idade, na luta co-principal do UFC 323.
No aquecimento para o aguardado duelo, o UFC.com.br apresenta a trajetória dos dois atletas e como eles chegam para a primeira disputa de título do card.
Alexandre Pantoja comemora a vitória no UFC 310. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
Considerado por especialistas como o segundo maior lutador da história da divisão peso-mosca, Alexandre Pantoja quer provar no UFC 323 que pode continuar quebrando recordes na categoria. Atrás apenas de Demetrious Johnson em número de defesas de cinturão, com quatro, o lutador carioca vem estabelecendo um reinado dominante, superando os principais nomes até 57 Kg.
Desde a conquista do cinturão, em julho de 2023, o brasileiro vem se mostrando um campeão ativo. Após bater Brandon Moreno no UFC 290, Pantoja enfileirou triunfos categóricos sobre todos os rivais que se puseram diante dele no Octógono, sonhando em tomar o seu título.
Entrevista Exclusiva: Alexandre Pantoja promete “duelo intenso” contra Joshua Van no UFC 323
Contratado em 2017 após se destacar na 24ª temporada do The Ultimate Fighter, “The Cannibal” conquistou 14 triunfos na organização, com seis finalizações e dois nocautes, comprovando sua versatilidade e eficiência no Octógono. Entre os principais rivais superados pelo brasileiro estão nomes que fazem parte do Top 15 da categoria como Steve Erceg, Brandon Moreno e Brandon Royval.
Joshua Van
Joshua Van comemora a vitória contra Brandon Royval no UFC 317. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
O termo “confronto de gerações” não soa exagerado quando é percebido que Joshua Van fez sua estreia na organização apenas 14 dias antes de Alexandre Pantoja disputar - e conquistar - o cinturão peso-mosca. No entanto, a ascensão meteórica do jovem nascido em Myanmar mostra que ele fez por merecer alcançar o posto de desafiante.
Desde a sua primeira aparição no Octógono, Van venceu oito de nove lutas, duas delas por nocaute. Seu momento mais marcante aconteceu no mês de junho, quando o atleta de 23 anos venceu Bruno “Bulldog” Silva e o ex-desafiante Brandon Royval, em um período de apenas 21 dias.
Com o triunfo, Joshua conquistou o sonhado confronto diante do campeão com direito a uma encarada respeitosa após a última defesa de título do brasileiro, contra o neozelandês Kai Kara-France.
O que esperar?
Alexandre Pantoja venceu Kai Kara-France por finalização no UFC 317, realizado em junho de 2025. (Foto por Ian Maule/Zuffa LLC)
A luta entre Alexandre Pantoja e Joshua Van coloca frente a frente dois estilos que sintetizam momentos distintos do peso-mosca. De um lado, o campeão que construiu sua identidade na pressão constante, capacidade de absorver riscos e ameaça permanente de finalização. Do outro, o fenômeno recente da divisão, guiado por volume no striking, precisão e um entendimento moderno de ritmo. É exatamente o tipo de confronto que redefine o rumo de uma categoria inteira.
Pantoja é um lutador que prospera em cenários caóticos e de curta distância. Sua variedade ofensiva fica evidente em lutas como a vitória sobre Alex Perez e o duelo insano contra Brandon Moreno no UFC 290, onde alternou bem entre chutes altos, jabs duros no contragolpe e entradas com cruzados curtos. O brasileiro tem uma leitura muito boa do momento em que o adversário dá brechas e o confronto contra o mexicano é o exemplo mais claro dessa habilidade.
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Sua durabilidade e capacidade de manter a pressão também ficam explícitas em lutas longas. Contra Brandon Royval, em 2023, Pantoja absorveu um volume considerável de golpes, mas continuou andando para frente e criando trocas favoráveis. A habilidade de “quebrar” a cadência do oponente vem muito dessa resiliência física combinada com avanços que geram oportunidades. É exatamente esse “caos organizado” que frustra adversários que gostam de ditar o ritmo.
No grappling, o campeão é ainda mais perigoso. Sua transição para as costas é uma das mais eficientes da categoria, e isso apareceu de forma cristalina contra Kai Asakura e Kai Kara-France. Também foi assim contra Alex Perez, onde praticamente decidiu a luta ao encontrar as costas com fluidez e fazer o norte-americano desistir com seu golpe mais eficiente: o mata-leão. Das sete vitórias por esta via, quase todas seguem o mesmo padrão de oportunismo e pressão constante.
Joshua Van golpeia Cody Durden no UFC 310. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
Van, por outro lado, é a versão moderna do striker baseado em volume: rápido, incansável e disciplinado. Sua performance contra Brandon Royval é um exemplo disso, onde o jovem lutador manteve média alta de golpes por minuto, alternando entre cabeça e tronco e dificultando qualquer tentativa do rival em ditar o ritmo. A agressão constante, sempre com mãos rápidas e combinações de três a cinco golpes, lembra muito Max Holloway em estrutura e intenção. Ele não busca o golpe único; busca a matemática do acúmulo.
A luta contra Rei Tsuruya mostra a evolução defensiva do desafiante. O japonês tentou quedas em sequência, explorando ângulos diferentes e insistindo no controle de pernas, mas Van defendeu a maior parte delas com técnica limpa e postura perfeita. Além disso, ele misturou jabs no tronco e cruzados curtos para punir as entradas, controlando o combate em todas as camadas.
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Seu grappling ofensivo e defensivo também merecem destaque. Contra Edgar Chairez, por exemplo, Van demonstrou calma ao ser levado ao chão, escapando de transições perigosas e voltando a ficar de pé sem entregar as costas. Ele não é um especialista em finalizações, mas é extremamente funcional: sabe sobreviver, criar espaço e evitar posições de perigo. Seus momentos de domínio no clinch, especialmente contra Brandon Royval, mostraram que ele já não é mais apenas um trocador, mas um atleta competente em todas as fases do combate.
Alexande Pantoja encara Joshua Van após a vitória sobre Kai Kara-France no UFC 317. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
E é justamente aqui que vem o choque de estilos. Para impor seu jogo, Pantoja precisa transformar a luta em um ambiente de caos controlado: encurtar a distância, pressionar com combinações, forçar trocas na curta e média distância e, a partir daí, criar oportunidades para quedas, mochilar e conseguir transições que desgastem Van round após round.
Já o desafiante depende de manter a luta longa, aberta e acelerada, explorando seu volume altíssimo, o jab em variações, entradas e saídas curtas e a circulação lateral que o impede de ser acuado na grade.
É nessa disputa de territórios que o confronto deve se desenrolar.
Independentemente do resultado, Pantoja e Van representam um encontro de gerações e estilos no auge técnico do peso-mosca. No dia 6 de dezembro, eles irão mostrar qual filosofia de combate irá predominar e ficar com o cinturão da categoria – e você não perde nenhum momento a partir das 20 horas (horário de Brasília) no UFC Fight Pass.
Não perca o UFC 323: Dvalishvili x Yan 2, dia 6 de dezembro, com transmissão ao vivo e exclusiva do UFC Fight Pass. O card preliminar começa às 20 horas e o card principal tem início à meia-noite (horários de Brasília).