O campeão peso-mosca Alexandre Pantoja volta ao centro das atenções no UFC 323, último evento numerado de 2025. No dia 6 de dezembro, o brasileiro vai em busca de mais uma defesa de título e terá pela frente o talentoso Joshua Van pna T-Mobile Arena, em Las Vegas.
Nascido em Myanmar (antiga Birmânia), Van rapidamente ascendeu ao topo da categoria. O lutador chega ao evento em uma sequência de cinco vitórias, sendo a última contra o ex-desafiante Brandon Royval no UFC 317, em um confronto que o jovem peso-mosca aceitou de última hora.
A diferença de trajetórias e gerações dá ao duelo um tom especial, praticamente simbólico, de passagem de bastão ou confirmação de reinado. Em conversa exclusiva com o UFC.com.br, Pantoja rasgou elogios ao rival e analisou o seu estilo no Octógono, prometendo bastante agressividade de ambos os lados.
Alexandre Pantoja defende o cinturão peso-mosca pela quinta vez no UFC 323, dia 6 de dezembro, contra Joshua Van. (Foto por Cooper Neil/Zuffa LLC)
“O Joshua tem um boxe muito alinhado, se movimenta muito bem dentro do Octógono. Assim como eu, é um caçador durante a luta. Vai para cima, impetuoso, gosta de bater muito forte, então sei o quão perigoso pode ser”, avaliou. “Mas isso também me dá liberdade de usar isso contra ele. Acho que meu grappling pode ser o diferencial, junto com o jiu-jítsu. Acredito que a gente possa ter vantagem usando isso”.
Ao observar o meteórico caminho percorrido por Van, Pantoja lembrou-se de onde estava quando tinha a mesma idade. O ano era 2013 e o campeão peso-mosca já era um profissional de MMA com 15 lutas no cartel, mas ainda longe de fazer seu primeiro duelo no Octógono. O brasileiro dividia sua carreira de atleta com outras profissões, algo comum para muitos lutadores no início de suas jornadas.
Hoje, aos 35, ele sabe que muita coisa mudou – e mostra respeito por seu adversário ter chegado tão cedo a uma disputa de cinturão no UFC.
“O Joshua é um lutador muito talentoso, com uma pegada boa. Eu já estava o observando há algum tempo, mas achei que não precisasse me preocupar com ele agora. É um cara que ganhou suas lutas, fez valer o posto de desafiante”, disse. “Com 23 anos eu estava trabalhando em um restaurante, e o Van vai disputar o cinturão do UFC de forma merecida. Vai ser muito intenso”, prometeu.
Alexandre Pantoja venceu Kai Asakura e defendeu o cinturão peso-mosca no UFC 310. (Foto por Steve Marcus/Zuffa LLC)
A etapa que Pantoja percorre hoje é o auge de uma trajetória construída à base de persistência, talento e autoconfiança. Com quatro defesas de cinturão e diversos nomes de elite superados, o brasileiro já figura entre os maiores da história do peso-mosca.
Apesar de ter menos experiência do que o campeão, Van é um dos lutadores mais ativos da categoria. Lutando na organização desde junho de 2023, o desafiante venceu oito de nove confrontos no Octógono, retrospecto que o levou à disputa de título contra Alexandre Pantoja no UFC 323.
“Vejo o meu adversário num hype muito alto e com razão. O Joshua Van é um atleta muito talentoso. Esse confronto me lembra muito a luta com o Steve Erceg (no UFC 301, no Rio de Janeiro), que era um cara que estava um pouco mais atrás no ranking e eu acabei enfrentando antes do que esperava”, lembrou.
Caso supere Van, Pantoja terá fechado um ciclo raro: vencer os três primeiros colocados da divisão e consolidar um dos reinados mais consistentes da história dos moscas. Ainda assim, ele não demonstra pressa para buscar voos maiores, como a ideia sempre tentadora de subir de categoria em busca de um segundo cinturão.
“Eu não sei. Agora todo mundo que sobe de categoria tem que abrir mão do cinturão, aconteceu isso com o Ilia Topuria e com o Islam Makhachev. Não vou fazer isso. Deu certo para eles e se não der certo para mim, o que eu vou fazer?”, finalizou.
Não perca o UFC 323: Dvalishvili x Yan 2, dia 6 de dezembro, com transmissão ao vivo e exclusiva do UFC Fight Pass. O card preliminar começa às 20 horas e o card principal tem início à meia-noite (horários de Brasília).