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Blogs - Marcelo Alonso

Amanda, Marreta e Masvidal: eles chocaram o mundo

A imprevisibilidade inerente ao MMA faz com que o fã dificilmente consiga assistir a uma edição do UFC sem terminar a noite impactado. E a maior prova disso é a dificuldade que temos para pegar no sono depois dos eventos. No quesito “motivos para insônia”, aliás, este UFC 239, no último sábado, trouxe um cardápio recheado e difícil de ser batido, principalmente para o fã brasileiro.

Como tirar da cabeça o nocaute aplicado pela campeã Amanda Nunes em Holly Holm, usando o golpe predileto da norte-americana? E o que dizer daquela joelhada voadora brutal aplicada por Jorge Masvidal no favoritíssimo Ben Askren, que passou de invicto (em 20 lutas)  a vítima do nocaute mais rápido da história do evento (cinco segundos)?

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Mas, por incrível que possa parecer, o momento mais impactante da noite ocorreu na luta principal com a surpreendente atuação de Thiago Marreta sobre Jon Jones. Você pode até concordar com o resultado, mas definitivamente não há como negar que o garoto da CDD chocou o mundo.

Pessoalmente, tinha convicção de que, por conta do casamento de estilos, o brasileiro não chegaria ao 5º round. A clara admiração de Marreta pelo ídolo, também me fazia crer que ele entraria impactado. Para piorar fiquei sabendo, por um dos treinadores de Thiago,  que ele havia se recuperado de uma cirurgia no joelho direito (menisco) durante o camp para luta com Jones e só teria começado a render bem nas últimas semanas de treino.

Quando a luta começa, eis que o cidadão lesiona o outro joelho (esquerdo) no início do 1º round. Tendo do outro lado o rei dos pisões, carniceiro maior do joelho alheio. Parecia uma tragédia anunciada. Mas definitivamente não foi.

Marreta não se acuou e, em nenhum momento, deixou o campeão confortável, levando perigo em todos os rounds. Quando a luta terminou, achei que o brasileiro venceu, mas como estava sob impacto da surpresa, fiz questão de rever o combate no domingo, desta vez contando com a ajuda do controle remoto para rever golpes que foram realmente conectados por ambos. Pois mais uma vez continuei dando os rounds 1,2 e 5 para o brasileiro.

O fato é que não há como pontuar uma luta só pelo controle do Octógono, o que leva os jurados a poderem “marcar pontos em suas papeletas” são golpes conectados e, acima de tudo, o dano causado por estes. E neste aspecto, a contundência do brasileiro foi indiscutivelmente maior nos rounds acima citados.

Mas não há como negar que a luta foi realmente muito parelha e lutando nos EUA, contra o mais popular campeão local não dá pra reclamar do resultado. Independente de não ter conseguido o cinturão, o fato é que o brasileiro foi o primeiro lutador a fazer o maior peso meio-pesado da história sair do Octógono carregado, após uma decisão dividida. Se levarmos em conta que Jon Jones caminha a passos largos para ser o maior lutador de todos os tempos, como negar que Thiago Marreta chocou o mundo, como havia prometido?

Próximos passos para Jones e Marreta

Ao final do evento, na coletiva de imprensa, contrariando a maioria dos analistas, Dana disse que viu vitória de Jones em todos os rounds, fez questão de deixar claro que não havia a menor possibilidade de uma revanche imediata para Marreta e, mesmo sem cravar quem será o próximo desafio do campeão, deixou no ar algumas possibilidades óbvias.

Depois de enfileirar os três primeiros da divisão Cormier (#1), Marreta (#2), Smith (#3) e, o 5º (Gustafsson) duas vezes, o campeão poderia até enfrentar o 4º da divisão, Dominick Reyes. Mas depois de duas vitórias na decisão (sobre Ovince St Preux e Volkan Oezdemir), sendo a última em março, penso que seria mais justo se Reyes fizesse mais um teste antes de lutar pela cinta. Seja enfrentando Aleksander Rakic (#11), Johnny Walker (#12) ou o próprio Marreta, que deve continuar como número dois do ranking.

Veja o que disseram o campeão Jon Jones e o brasileiro Thiago Marreta após a guerra travada durante 25 minutos na luta principal do UFC 239.


Pelo que Jon Jones disse na coletiva pós-luta, ele está precisando de algum desafio que “acenda a chama” e volte a fazê-lo lutar com senso de urgência, algo que certamente não aconteceria com nenhum dos nomes acima.

Posto isso, fica claro que o melhor caminho para o UFC seria colocá-lo para lutar pelo cinturão dos pesados contra o vencedor da luta entre Daniel Cormier e Stipe Miocic no UFC 241 (17 agosto). Se o vencedor da luta for Cormier, esta trilogia, agora na divisão de cima, teria tudo para atingir excelentes números no pay per view.

A maior da história

Se Thiago tinha como grande desafio vencer o ídolo, Amanda Nunes talvez tivesse uma oponente invisível pior que o do parceiro de treinos, afinal de contas é muito mais fácil chegar ao topo do que se manter nele. Se não tivesse centrada, com o ego domado, muito bem treinada e com a cabeça no lugar, a conquista de três estatuetas no Oscar do MMA, dois dias antes do UFC 239, poderia ter sido uma armadilha e tanto quando se tem do outro lado uma das maiores pugilistas da história.

Mas Amanda mostrou que além de talento, tem cabeça de campeã e, superando todas as expectativas,  nocauteou Holm no 1º round com sua principal arma (o chute na cabeça que lhe garantiu a vitória sobre Ronda e o cinturão do UFC).

Confira como foi o nocaute que selou a defesa de cinturão de Amanda Nunes contra Holly Holm no UFC 239, realizado no último sábado (7).


Depois de nocautear Holly Holm e Cris Cyborg em cinco minutos, a baiana manteve seus dois cinturões e calou em definitivo todos aqueles que ainda discutiam se ela é ou não a maior lutadora da história.

A performance da brasileira levou Dana White a rasgar elogios para a campeã colocando-a entre os melhores da história do esporte independente de peso e sexo: “O que mais me impressiona sobre ela é a maneira como vence os piores desafios, sem se machucar. Ela está saudável pronta para a próxima luta”.

Na coletiva de imprensa após o evento, Amanda deixou claro que cumprirá suas obrigações junto ao UFC para manter os dois cinturões. Está disposta a aceitar a revanche com Cris Cyborg (se ela vencer Felicia Spencer no dia 27 de julho e renovar contrato com o UFC), bem como lutar com as próximas desafiantes do ranking dos galos. Quem pode ser a primeira do ranking, Germaine de Randamie, que faz a luta principal do UFC do próximo sábado com a invicta Aspen Ladd (#4), ou a brasileira Ketlen Vieira (#3) que está invicta. Caso vença Randamie sábado, Aspen Ladd também pode ser escolhida.

Destruidor de promessas “mistura as cartas” até 77kgs

Outro que chocou o mundo no sábado e ainda embaralhou as cartas entre os meio-médios foi o “terror dos matchmakers”, Jorge Masvidal. Em menos de quatro meses, o descendente de cubanos atropelou duas apostas altas do evento, Darren Till e Ben Askren. Primeiro nocauteou em Londres o homem que vinha sendo apontado como substituto de Michael Bisping como estrela do MMA inglês. No último sábado, foi a vez do ex-wrestler olímpico, invicto no MMA, Ben Askren. Ex-campeão de outras organizações, o falastrão Askren estava invicto com 20 lutas de MMA e há muito já vinha preparando terreno para um title-shot com o campeão Kamaru Usman. Mas tinha um cubano no meio do caminho. Com uma joelhada voadora impressionante, Masvidal aplicou o primeiro nocaute da carreira de Askren e, de quebra, escreveu seu nome na história do evento com o nocaute mais rápido já aplicado no UFC (cinco segundos).

Jorge Masvidal se tornou o autor do nocaute mais rápido da história do UFC ao vencer Ben Askren em 5 segundos no UFC 239. 


Com as vitórias sobre Till e Askren, Masvidal pulou do 11º para o 4º lugar do ranking dos meio-médios e agora só tem Rafael dos Anjos, Colby Covington, Tyron Woodley e o campeão Usman à sua frente.

Como Colby Covington (#2) já tem luta marcada com Robbie Lawler (#10) no dia 3 de agosto e Rafael dos Anjos (#3), enfrentará Leon Edwards (#11) no dia 20 de julho, Masvidal tem pressionado o evento para conseguir um title-shot sem ter que fazer mais uma luta, mas, segundo o próprio Dana, isso não deve acontecer. Já que terá que fazer uma luta para chegar ao cinturão, o caminho talvez seja tentar vencer o ex-campeão Tyron Woodley (#1), único top do ranking sem luta marcada, ou aguardar o vencedor da luta entre Dos Anjos e Edwards, que aliás é seu desafeto. Depois do que fez nos últimos meses, não me surpreenderei mais se Masvidal voltar a chocar o mundo e quebrar as bancas de apostas.

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