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Amanda Nunes of Brazil celebrates after defeating Cris Cyborg of Brazil in their women's featherweight bout during the UFC 232 event inside The Forum on December 29, 2018 in Inglewood, California.(Photo by Brandon Magnus/Zuffa LLC)
Atletas

Amanda Nunes torna-se campeã dupla | Quebrando Barreiras

"A Leoa" fez história de maneira enfática quando ela conquistou seu segundo cinturão em Anaheim

Em 2008, a mulher mais temida do planeta era Cris Cyborg.

Claro, havia lutadoras de elite ao seu redor, mas com anos e anos no topo, ninguém chegou perto de tocar na brasileira. Literalmente. Invicta desde que perdeu a primeira luta profissional de sua carreira em 2005, Cyborg ficou 21 lutas sem saber o que era perder e, para ser franco, ninguém chegou nem perto de vencê-la.

No caminho, ela derrotou Shayna Baszler, Gina Carano e Marloes Coenen, e quando chegou ao UFC, ela ganhou cinturão peso-pena ao nocautear Tonya Evinger, e em seguida bateu Holly Holm por decisão.

Assista à Amanda Nunes x Cris Cyborg no UFC Fight Pass

Cris Cyborg e Amanda Nunes se encaram na Pesagem do UFC 232. (Foto por Josh Hedges/Zuffa LLC)

Cris Cyborg e Amanda Nunes se encaram na Pesagem do UFC 232. (Foto por Josh Hedges/Zuffa LLC)


Mas foi depois da luta de Holm que Cyborg foi desafiada por Amanda Nunes, a rainha do peso-galo.

Amanda já havia enfrentado adversidades no UFC, chegando a perder um combate em 2014 para Cat Zingano. Porém, após esse revés, ela conquistou seis vitórias consecutivas, incluindo duas sobre Valentina Shevchenko, Miesha Tate e Ronda Rousey. Se houvesse uma lista de mulheres peso por peso naquela época, Cyborg e Nunes seriam provavelmente primeira e segunda colocadas.

Então, olhando para trás, pareceu ser natural que ambas se enfrentassem. Naquela época, porém, havia a sensação de que Amanda poderia estar tentando morder algo maior do que sua boca, especialmente se ela subisse ao peso-pena.

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"Ela me desafiou após a luta de Holly Holm e eu aceitei imediatamente", disse Cyborg na época. "Quando se desafia alguém, não se pode pedir nove meses para treinar. Se alguém for à sua casa agora, tranca a porta e diz: 'Vou te dar uma surra', você vai dizer: 'Ok, espere, tenho que fazer cem flexões, tenho que fazer trabalho de saco, preciso começar a correr'. Não. Você tem que estar pronto para fazer isso".

Amanda não deixou barato e mostrou suas armas, provando que estava pronta para a campeã peso-pena e que era apenas uma questão de assinar o contrato.

Confira o perfil de Amanda Nunes

"Eu fui a primeira mulher a pedir pela Cyborg porque quero e gosto de um desafio", disse Amanda. "Quando a ideia surgiu entre mim, meu treinador e Nina (Nunes), eu decidi imediatamente, 'vamos fazer isso'. Foi algo natural, e eu sei do que sou capaz. Por que não tentar isso? Naquele momento, decidi desafiá-la. Acho que outras garotas não fazem isso porque podem ter medo da Cyborg ou algo parecido, mas eu não tenho. Eu sou uma Leoa".

E em 29 de dezembro de 2018, a super-luta aconteceu no The Forum em Inglewood, Califórnia. Eis como eu a vi naquela noite:

Amanda Nunes acerta Cris Cyborg na luta co-principal UFC 232. (Foto por Josh Hedges/Zuffa LLC)

Amanda Nunes acerta Cris Cyborg na luta co-principal UFC 232. (Foto por Josh Hedges/Zuffa LLC)


Amanda Nunes fez história de mais de uma forma no The Forum, em Inglewood. Com seu estonteante nocaute de 51 segundos sobre Cris Cyborg na luta co-principal do UFC 232, Amanda se tornou a primeira mulher a ter cinturões do UFC em duas categorias, entra no seleto hall dos lutadores que possuíram dois títulos simultaneamente e é a primeira lutadora a derrotar sua compatriota em mais de 13 anos.
 
Foi um sábado e tanto para a "Leoa", a campeã peso-galo e peso-pena do UFC. Ela agora tem dois cinturões para colocar em sua caixa de troféus, juntamente com uma lista de vitórias sobre Cyborg, Ronda Rousey, Miesha Tate e Valentina Shevchenko.
 
Já soa como um currículo do Hall da Fama do UFC, e se houvessem dúvidas, provavelmente foram silenciadas.
 
Não houve nenhum estudo, com Cyborg e Amanda indo para cima uma da outra de forma imediata no Octógono. Mas no meio das trocas de golpes, Nunes provou ser mais rápida e precisa, acertando diversos golpes antes de vir uma potente direita para acabar com a noite Cyborg. O árbitro Marc Goddard parou a luta 51 segundos depois dela começar.

Em poucas palavras, foi um combate avassalador, e Amanda saiu vencedora. Uma apresentação brilhante da lutadora, e nenhuma vergonha para Cyborg. Este foi um caso de duas grandes lutadoras que ousaram ser grandes uma contra a outra, e tivemos sorte em ver isso.