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Atletas

Análise de momento: peso-galo masculino

Enquanto a divisão aguarda a primeira defesa de título de Henry Cejudo, os desafiantes vão formando uma fila

Parece que em todo card tem um jovem promissor atleta competindo na divisão até 61 Kg no UFC. Chegar ao topo de qualquer divisão é difícil, mas a categoria peso-galo masculina parece um verdadeiro tanque de tubarões. Quando TJ Dillashaw foi forçado a abandonar o cinturão, Marlon Moraes e Henry Cejudo fizeram uma luta empolgante pelo título vago, e Cejudo atravessou todas as adversidades a caminho de seu segundo cinturão. O norte-americano se mantém relevante diante dos olhos e ouvidos dos fãs do UFC, mas diversos outros desafiantes podem estar a uma luta de um title-shot.

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Confira uma análise sobre o peso-galo:

Campeão: Henry Cejudo
(15-2, 7 nocautes)

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Marlon Moraes (8/6/2019)

Próxima luta: José Aldo no UFC 250

Panorama: é fácil esquecer o quão bom artista marcial misto Cejudo é pelo tanto de barulho que ele faz na internet e nas entrevistas, especialmente depois que lesões o mantiveram de molho pelos últimos 10 meses. Mas não se engane, Cejudo é bom. Ele é o único peso-mosca a ter vencido Demetrious Johnson no Octógono, e mostrou capacidade de dar sangue pela vitória ao superar duros golpes no corpo em sua disputa de título com Marlon Moraes. Os ajustes que Cejudo fez naquela luta foram uma prova de seu QI de luta e sua durabilidade, e com dois cinturões e uma medalha de ouro olímpica no currículo, seu argumento de ser o maior atleta dos esportes de combate não é infundado. Ele fez a controversa escolha de defender o cinturão dos galos contra José Aldo, que vem de duas derrotas, mas Aldo ainda é tão duro quanto qualquer outro, então uma vitória aumentaria ainda mais seu legado. Cejudo pediu por uma luta pelo peso-pena com Alexander Volkanovski nas redes sociais, e seus empresários revelaram a intenção de voltar ao peso-mosca também. Seja como for, caso continue ganhando, “Triplo C” terá várias opções.

1) Marlon Moraes
(23-6-1, 10 nocautes, 6 finalizações)

Última luta: vitória por decisão dividida sobre José Aldo (14/12/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: o “Mágico” Marlon Moraes parecia a caminho do cinturão do UFC. Após um longo reinado como campeão peso-galo do WSOF, Marlon se reabilitou de uma derrota por decisão dividida para Raphael Assunção em sua estreia no Octógono e somou quatro vitórias seguidas, incluindo três no 1º round. Após vingar sua derrota para Assunção, ele conquistou a chance pelo então título vago e dominou Cejudo nos primeiros cinco minutos de luta. Cejudo, no entanto, fez ajustes, e a maré virou de tal forma que o norte-americano conseguiu o nocaute do 3º round. Em sua próxima luta, Marlon deu as boas vindas a José Aldo na divisão até 61 Kg e venceu em uma apertada - e polêmica - decisão dividida. Dada a derrota para Cejudo, uma revanche foi ventilada, mas o homem que ele derrotou é que acabou ganhando a chance de brigar pelo ouro. Marlon segue sendo tão perigoso quanto se pode ser na divisão com sua trocação dinâmica e seu jogo de chão justo. Sendo um dos atletas mais impressionantes física e tecnicamente na categoria, não é difícil imaginá-lo disputando o título novamente em breve. Por enquanto, todavia, uma luta com qualquer Top 5 faz sentido em sua tentativa de se reestabelecer como o próximo desafiante.

2) Aljamain Sterling
(18-3, 2 nocautes, 7 finalizações)
Aljamain Sterling punches Pedro Munhoz of Brazil in their bantamweight bout during the UFC 238

Última luta: vitória por decisão unânime sobre Pedro Munhoz (8/6/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: Aljamain Sterling pareceu melhor do que nunca na vitória sobre Pedro Munhoz, na mesma noite em que o novo campeão peso-galo foi coroado. Foi uma performance completa em que ele mostrou sua capacidade de trocar em alto nível nas duas bases, o que é assustador dado seu alto nível de wrestling. Foi o caminho certo para superar Munhoz, que ama liquidar seus oponentes usando a guilhotina. A luta teve um ritmo sólido e ambos atletas alternaram momentos de pressão, mas Sterling foi quem mais impressionou. Dessa forma, ele anunciou que está se encontrando como artista marcial misto. Talvez, Sterling esteja a uma vitória contundente de se garantir como o próximo a disputar o cinturão, mas o “Funk Master” definitivamente não está longe de levar mais um título à equipe Serra-Longo.

3) Petr Yan
(14-1, 6 nocautes, 1 finalização)
SINGAPORE - JUNE 23:  Petr Yan of Russia celebrates after his knockout victory over Teruto Ishihara of Japan in their bantamweight bout during the UFC Fight Night event at the Singapore Indoor Stadium on June 23, 2018 in Singapore. (Photo by Jeff Bottari/
June 23, 2018 in Singapore. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Última luta: vitória por nocaute sobre Urijah Faber (14/12/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: Urijah Faber era o maior nome do duelo com Petr Yan no UFC 245, mas o embate acabou sendo um grande espetáculo do russo. A trocação afiada e o instinto de finalização de Yan estiveram à mostra contra Faber, que se mostrou disposto a dançar até Yan conectar um chute alto que encerrou o duelo. Ele também mostrou um sólido jogo de chão, levando a melhor que Faber nesse quesito em algumas ocasiões. Contra Faber e Jimmie Rivera, a trocação paciente, metódica e devastadora de Yan sobressaiu, e qualquer um no topo da divisão está ciente do poder de mudar o rumo da luta que ele possui. Seu jogo completo faz dele um adversário empolgante para qualquer um que aceite enfrentá-lo.

4) Cory Sandhagen
(12-1, 4 nocautes, 3 finalizações)

Última luta: vitória por decisão unânime sobre Raphael Assunção (17/8/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: o membro menos falado do Top 5 estava pronto para se consolidar como mais um jovem, perigoso e completo peso-galo quando foi escalado para enfrentar Frankie Edgar na estreia do ex-campeão na divisão. Ao invés disso, Edgar entrou de última hora para encarar o Zumbi Coreano no UFC Busan e Sandhagen ficou sem adversário. O norte-americano de 27 anos está faminto para provar ser o melhor do mundo, mas sabe que precisa de uma vitória contundente, mesmo que faça piadas com o fato de ser a única pessoa que Henry Cejudo não desafiou na categoria. Quando tiver a chance, Sandhagen, no entanto, será um oponente duro para qualquer um na divisão. Com 1,80m e uma enorme envergadura, Sandhagen faz bom uso da vantagem física em sua abordagem cerebral e paciente. Ele esteve melhor do que nunca na maior vitória de sua carreira contra Raphael Assunção, e agora está 5-0 no Octógono. Quando Sandhagen receber sua próxima grande chance, será merecida.

5) Raphael Assunção
(27-7, 4 nocautes, 10 finalizações)

Última luta: derrota por decisão unânime para Cory Sandhagen (17/8/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: olhando para o cartel de Raphael Assunção, é impressionante que ele ainda não tenha lutado pelo título. O brasileiro tem vitórias sobre TJ Dillashaw, Pedro Munhoz, Marlon Moraes e Aljamain Sterling. E apesar de ter perdido quase dois anos por lesões, o atleta de 37 anos se manteve no topo da categoria por muito tempo e não parece estar desacelerando. Vindo de derrotas para Sandhagen e Moraes, ele estava originalmente de olho em um confronto com Cody Garbrandt antes de o norte-americano sair do combate por problemas médicos. O card, entretanto, foi adiado de qualquer forma devido ao coronavírus, então é de se imaginar que o embate pode ser remarcado.

Ainda no mix:
José Aldo, Pedro Munhoz, Cody Garbrandt
DETROIT, MI - DECEMBER 01:  Jose Aldo of Brazil poses on the scale during the UFC 218 weigh-in inside Little Caesars Arena on December 1, 2017 in Detroit, Michigan. (Photo by Mike Roach/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Panorama: é uma prova da reputação de Aldo e de quão bem ele esteve em sua estreia no peso-galo contra Marlon Moraes que, mesmo vindo de duas derrotas seguidas, ele terá a chance de lutar pelo cinturão dos 61 Kg. O antigo rei dos pesos-pena cortou 4,5 Kg extras como se não fosse um problema, e seu combate com Marlon foi de igual para igual. Aos 33 anos, Aldo parece ter muita lenha para queimar caso ainda queira. Outro brasileiro de 33 anos, Pedro Munhoz estava em uma boa sequência, vencendo sete de oito lutas até perder para Aljamain Sterling em luta empolgante. Sempre um perigoso finalizador, Pedro fez uma das lutas mais divertidas que já vimos contra Cody Garbrandt, e mostrou poder para aceitar a trocação franca e permanecer de pé. Já Garbrandt, é curioso pensar que o ex-campeão dos galos tem apenas 28 anos. Pouco mais de três anos se passaram desde sua performance incrível contra Dominick Cruz, e Garbrandt foi nocauteado em suas últimas três lutas. Ele estava escalado para retornar após mais de um ano contra Raphael Assunção, mas foi tirado de combate por problemas médicos. Quando voltar, será interessante ver as mudanças em seu jogo agora que treina com Mark Henry, Frankie Edgar e companhia em Nova Jersey. Apesar de todos os veteranos, jovens talentos como Marlon Vera, Song Yadong e Sean O’Malley são apenas alguns dos promissores pesos-galo buscando fazer barulho neste ano. Um duelo de pesos-galo no card é garantia de artes marciais mistas de alto nível.

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