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Atletas

Análise de momento: peso meio-médio

Mesmo após a competitiva defesa de título de Kamaru Usman contra Colby Covington, o peso meio-médio segue como uma das divisões mais ricas em talentos do UFC

O peso meio-médio rivaliza com o peso-leve no que diz respeito a provocações e drama. Isso não é minimizar o talento dos 77 Kg, mas parece que todos têm problemas uns com os outros no Top 5, fora Stephen Thompson, é claro. Tendo isso dito, os meio-médios são uma categoria brutal para se chegar ao topo, especialmente considerando o nível dos wrestlers que se encontram nas primeiras posições da lista. Naturalmente, entretanto, quando Kamaru Usman finalmente encarou Colby Covington, eles fizeram uma ótima disputa de título sem praticamente nenhuma ação no chão.

Outra ameaça no horizonte é o carinho de Conor McGregor pelos 77 Kg. Sem precisar cortar muito peso, McGregor deixou claro que aceitaria de bom grado uma luta com um dos melhores da divisão, particularmente Jorge Masvidal ou Usman. Isso sem falar da longa sequência de vitórias de Leon Edwards ou do iminente retorno do ex-campeão Tyron Woodley à ação.

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Vamos dar uma olhada na divisão:

Campeão: Kamau Usman
(16-1, 7 nocautes, 1 finalização)
Kamaru Usman of Nigeria stares down Colby Covington in their UFC welterweight championship bout during the UFC 245

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Colby Covington (14/12/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: se Khabib Nurmagomedov não existisse, Kamaru Usman talvez ocuparia o posto de lutador mais fisicamente dominante no plantel. Entre os meio-médios em atividade, Kamaru está empatado no 3º lugar com mais quedas aplicadas (42) e é o primeiro no diferencial entre golpes aplicados e absorvidos (2,43). Ex-campeão nacional de wrestling da 2ª divisão da NCAA, Usman confiou nesse pedigree ao acumular suas 15 vitórias consecutivas, incluindo 11 delas no UFC. Apesar de a abordagem nem sempre render nocautes ou finalizações, não dá para dizer que Usman não tem sido dominante, como foi visto na luta que lhe rendeu o cinturão contra Tyron Woodley no UFC 235. Na clássica luta com Colby Covington, que possui muitos dos mesmos atributos estilísticos de Usman, o “Pesadelo Nigeriano” mostrou melhora na trocação, mesclando golpes no corpo e a habilidade de plantar os pés e usar combinações de boxe até eventualmente conquistar o nocaute no 5º round. Usman tem uma série de interessados atacando-o nas redes sociais, mas o que não se pode negar é que o campeão meio-médio não costuma achar um parceiro de dança disposto a dançar nas águas profundas para as quais ele leva suas lutas.

1) Tyron Woodley
(19-4, 7 nocautes, 5 finalizações)

Última luta: derrota por decisão unânime para Kamaru Usman (2/3/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: fale o que quiser sobre Tyron Woodley, mas como disse Jorge Masvidal, quando Woodley está focado e comprometido, ele é o lutador mais perigoso na divisão até 77 Kg. Duas vezes All-American da 1ª divisão de wrestling da NCAA, Woodley talvez tenha o maior poder de nocaute entre os atletas no topo da categoria. A performance na derrota para Kamaru Usman foi uma de suas mais estranhas, parecendo desinteressado às vezes, mas independentemente, a realidade é que Woodley está consolidado como um competidor de alto nível e um adversário duro para qualquer um. Antes de a pandemia do coronavírus adiar sua luta com Leon Edwards no UFC Londres, parecia que Woodley estava preparado para se reestabelecer como o melhor meio-médio do mundo. Desde então, ele publicamente expressou seu interesse em enfrentar alguém do Top 5, e se isso significa que ele está pronto para mostrar que é o melhor entre os melhores, é melhor a divisão se preparar.

2) Colby Covington
(15-2, 2 nocautes, 5 finalizações)
Colby Covington reacts after the conclusion of his welterweight bout against Robbie Lawler during the UFC Fight Night

Última luta: derrota por nocaute técnico para Kamaru Usman (14/12/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: o que Colby Covington provou em sua disputa de título com Kamaru Usman é que, além de suas provocações por vezes ofensivas, o cara sabe lutar. Agora, se as pessoas prestaram atenção, elas já sabiam disso. Covington lidera todos os meio-médios em atividade em quedas aplicadas, com 58 (3º maior número na história). O segundo na lista é Neil Magny com 45, mas ele tem nove lutas a mais que Colby no Octógono. Além disso, o ritmo sufocante de Colby foi demonstrado em lutas como contra Robbie Lawler. Covington anotou o maior número de golpes tentados em uma única luta com 541, pressionando o ex-campeão e fazer o cara conhecido como “Impiedoso” parecer um tanto quanto ineficiente. A única pessoa que parece ter aguentado o ritmo de Colby foi Usman, e, mesmo assim, Covington levou a melhor em diversos momentos do confronto. É claro, as pessoas podem se cansar do que Covington fala, mas não dá para se cansar de ver o que ele é capaz de fazer em alto nível no Octógono.

3) Jorge Masvidal
(35-13, 16 nocautes, 2 finalizações)

Última luta: vitória por nocaute técnico sobre Nate Diaz (2/11/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: ninguém, a não ser Israel Adesanya, teve um 2019 mais icônico que Jorge Masvidal. Voltando à ação após um ano e meio em uma luta principal em Londres contra Darren Till, “Gamebred” silenciou a O2 Arena com uma vitória por nocaute. Mas essa nem foi sua principal manchete. Após uma altercação nos bastidores com Leon Edwards, Masvidal se viu subindo nos rankings e ganhando novos fãs. Em seguida veio um aguardado duelo com Ben Askren que terminou com o nocaute mais rápido da história do UFC. Um dos caras mais experimentados do esporte, Masvidal finalmente alcançou o status de estrela. Ele capitalizou a hype se unindo a Nate Diaz para criar o cinturão BMF a ser disputado no Madison Square Garden, com o presidente dos Estados Unidos e Dwayne “The Rock” Johnson ao lado do Octógono. Possivelmente no ápice de sua carreira, Masvidal está no mix para enfrentar Conor McGregor ou lutar pelo cinturão, e, para ele, tudo se resume a se manter ativo e relevante. Antes conhecido como o cara que sempre acabava do lado errado de uma decisão dividida, Masvidal mostrou maior urgência em liquidar suas lutas desde o retorno contra Till. Seu 2019 teve um nocaute para a história, um cinturão em seu ombro e hoje ele é um dos maiores nomes do esporte, e uma atração imperdível toda vez que pisa no Octógono.

4) Leon Edwards
(18-3, 6 nocautes, 3 finalizações)

Última luta: vitória por decisão unânime sobre Rafael dos Anjos (20/7/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: por muito tempo um azarão na divisão, Leon Edwards sem alarde construiu uma sequência de oito vitórias consecutivas, ficando atrás apenas de Kamaru Usman que, coincidentemente, foi o último homem a derrotá-lo. O próprio Usman declarou que Edwards foi seu oponente mais difícil antes do UFC 245. As últimas três lutas do britânico mostraram que ele tem que ser levado a sério após as vitórias sobre Donald Cerrone, Gunnar Nelson e Rafael dos Anjos em uma performance dominante que o levou ao Top 5. Enquanto Edwards talvez não seja o lutador mais empolgante do plantel, ele é claramente difícil de ser batido e, até agora, impossível de ser nocauteado ou finalizado. Com uma sólida defesa de quedas, Edwards parece ter o que é preciso para desafiar os ótimos wrestlers do topo da divisão. É por isso que sua luta com Tyron Woodley, previamente agendada para o UFC Londres, era tão atrativa para o “Rocky”: o britânico finalmente teria a aguardada chance de enfrentar um oponente da elite em uma luta principal em casa. Se o confronto será remarcado ainda não se sabe, mas Edwards não é o tipo de lutador que vai desistir tão facilmente e ele realmente acha que esta é a oportunidade para provar que é o rei dos meio-médios.

5) Stephen Thompson
(15-4-1, 7 nocautes, 1 finalização)
LIVERPOOL, ENGLAND - MAY 26:  Stephen Thompson poses on the scale during the UFC Weigh-in at ECHO Arena on May 26, 2018 in Liverpool, England. (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images)

Última luta: vitória por decisão unânime sobre Vicente Luque (2/11/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: é quase chocante perceber que a vitória de Stephen Thompson em Luta da Noite sobre Vicente Luque foi seu primeiro triunfo em quase dois anos. Isso não significa que ele vinha de uma sequência de apresentações ruins. Incluindo as duas decisões apertadíssimas em disputas de cinturão contra Tyron Woodley, a sequência teve ainda uma igualmente equilibrada derrota por decisão para Darren Till e um nocaute para Anthony Pettis em duelo que Thompson controlava com relativa tranquilidade até que o “Showtime” tirou um superman punch da cartola. Contra Luque, no entanto, Thompson voltou ao seu ritmo usando seu conhecido caratê, se movimentando e acertando o brasileiro ao longo do confronto. O “Wonderboy” quebrou as duas mãos no combate, mas provou que permanece na elite da categoria. Nesse momento, ele pode não estar próximo de uma disputa de título, mas provavelmente a apenas duas vitórias contundentes de voltar à cena. Um dos caras mais bacanas do plantel, ele não fará muito barulho pedindo por uma nova chance, mas como, possivelmente, o striker mais técnico da categoria, seus resultados falarão por ele.

Ainda no mix:
Gilbert Burns, Michael Chiesa, Geoff Neal, Conor McGregor

Panorama: quando Michael Chiesa controlou boa parte dos 15 minutos na vitória por decisão unânime sobre Rafael dos Anjos, ele deixou claro que pertence aos meio-médios. Na verdade, considerando o trabalho que fez para que seu corpo se adequasse à categoria, é loucura pensar que ele costumava bater 70 Kg. Com três boas vitórias sobre Carlos Condit, Diego Sanchez e Rafael, Chiesa apostou e desafiou Colby Covington, e por mais que não enfrente “Chaos” imediatamente, ele merece um oponente Top 10. Falando de especialistas na luta agarrada e de “Como ele batia 70 Kg?”, Gilbert Burns acaba de conquistar uma vitória definitiva por nocaute técnico sobre Demian Maia em Brasília. “Durinho” é tão perigoso quanto qualquer um com seu poder de nocaute e seu jiu-jítsu de primeira linha. Outro nome perigoso é Geoff Neal. Invicto em cinco lutas no UFC, com quatro vitórias por nocaute ou finalização, ele mostrou uma combinação de técnica e força com o nocaute sobre Mike Perry, que lhe rendeu um lugar no Top 10. Tendo dito isso, Conor McGregor pode atrapalhar os planos de qualquer meio-médio já que segue dizendo como gosta de lutar sem a perda de peso extra para atingir os 77 kg. No espírito de “qualquer um, em qualquer lugar”, McGregor é uma estrela e pode se colocar em uma disputa de título com Usman, uma luta divertidíssima com Masvidal ou, francamente, qualquer coisa que desejar fazer. O “Notório” pode pintar a qualquer momento, mesmo com sua intenção de uma revanche com Khabib Nurmagomedov e uma série de outros possíveis embates interessantes no peso-leve.

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