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Atletas

Análise de momento: peso meio-pesado

A divisão dos meio-pesadas foi definida por Jon Jones nos anos 2010. Entrando em uma nova década, uma nova geração está se preparando para fazer frente

Com todo respeito a Daniel Cormier, mas a divisão dos meio-pesados foi definida por Jon Jones nos anos 2010. Após se tornar o campeão mais jovem da história em 2011, Jones passou por quatro icônicos ex-campeões antes de virar suas atenções para os desafiantes mais novos. Suspensões e outros problemas interromperam seu reinado por um tempo, mas o retorno a ação em 2018 abriu as portas para mais três defesa de título ao final da década.

Agora, Jones segue reinando enquanto a divisão dos meio-pesados busca seus próximos desafiantes. A lacuna, no entanto, parece estar diminuindo, já que suas duas últimas defesa de cinturão foram as mais competitivas que ele fez desde o primeiro embate com Alexander Gustafsson. Hoje, os rankings da categoria recebem mais e mais candidatos que cresceram vendo o domínio de Jones e sonhando serem os responsáveis por derrubar possivelmente o maior de todos os tempos.

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Aqui vai uma análise da divisão:

Campeão: Jon Jones
(26-1, 1 sem resultado, 10 nocautes, 6 finalizações)

Última luta: vitória por decisão unânime sobre Dominick Reyes (8/2/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: por quase uma década, a verdade é que a trajetória de Jones no topo é tão especial quanto qualquer outra que tenhamos visto no esporte. Desde que pisou no Octógono para sua estreia em 2008, “Bones” correspondeu às expectativas colocadas sobre ele e entrou em um grupo especial de lutadores que talvez inclua apenas Anderson Silva e Georges St-Pierre. É claro, sua bagagem fora do Octógono afeta seu legado, mas ele é inquestionavelmente um dos maiores após limpar a divisão. Recentemente, no entanto, ele enfrentou alguns de seus testes mais difíceis. Thiago “Marreta” o levou à decisão dividida mesmo lutando com o joelho lesionado por boa parte do combate, e alguns dirão que Dominick Reyes fez o suficiente para destronar o rei. Contudo, Jones ainda tem o cinturão, e quando você fica tanto tempo por cima, essas margens encolhem e os holofotes se mantém. Jan Blachowicz talvez seja o próximo desafiante mais lógico ao título, mas possíveis revanches com Reyes e Marreta também são opções, assim como uma possível subida de Jones aos pesos-pesados. Quando você passa tanto tempo assistindo a um atleta, é fácil desmerecê-lo. Na próxima vez que Jones entrar no Octógono, vale tirar o tempo para apreciar a campanha que ele segue construindo.

1) Dominick Reyes
(12-1, 7 nocautes, 2 finalizações)

Última luta: derrota por decisão unânime para Jon Jones (8/2/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: Dominick Reyes tem somente a companhia de Alexander Gustafsson em termos de o quão perto passou de tirar a coroa de Jon Jones. Reyes teve momentos de superioridade no duelo de 25 minutos no UFC 247, conectando golpes limpos no corpo e cabeça de Jones. Ele mostrou ainda que sua defesa de quedas é bastante subestimada. O que virá a seguir é complicado para Reyes. Ele pode pedir uma revanche, e ninguém seria contra vê-los se enfrentando novamente, exceto Jan Blachowicz. O bom para Reyes é que sua escalada ao Top 5 não incluiu ninguém do Top 5, então há diversas opções caso ele precise fazer mais uma luta antes de um novo title shot. O que nós sabemos, no entranto, é que Reyes tem nível para ser campeão.

2) Thiago Santos
(21-7, 15 nocautes, 1 finalização)
SAO PAULO, BRAZIL - OCTOBER 28:  (R-L) Thiago Santos of Brazil punches Jack Hermansson of Sweden in their middleweight bout during the UFC Fight Night event inside the Ibirapuera Gymnasium on October 28, 2017 in Sao Paulo, Brazil. (Photo by Josh Hedges/Zu

Última luta: derrota por decisão dividida para Jon Jones (6/7/2019)

Próxima luta: a definir

Panorama: quando Thiago Santos subiu para os 93 Kg, era de se imaginar como ele lutou tanto tempo no peso-médio. Vindo de três nocautes seguidos para a disputa de título com Jon Jones, o consenso geral era de que Marreta tinha o poder para parar Jones e ficar com o cinturão. Apesar de a luta ter sido apertada, ele saiu de mãos vazias e com sérias lesões no joelho. O cronograma para seu retorno ainda é incerto, mas ele ganhou muito respeito ao ter sido o primeiro lutador a levar Jones para uma decisão dividida. Quando voltar, Marreta pode precisar de apenas uma ou duas lutas para bater à porta de Jones novamente, e quando ele bater, fará barulho.

3) Anthony Smith
(32-14, 18 nocautes, 12 finalizações)
Anthony Smith punches Alexander Gustafsson

Última luta: vitória por finalização sobre Alexander Gustafsson (1/6/2019)

Próxima luta: Glover Teixeira

Panorama: após subir para os 93 Kg, Anthony Smith se tornou uma espécie de “matador de lendas”, vencendo Rashad Evans e Mauricio Shogun em suas duas primeiras lutas. Ele também conquistou dois triunfos sobre os ex-desafiantes Volkan Oezdemir e Alexander Gustafsson antes e depois de sua derrota para Jon Jones no UFC 235. Smith, no entanto, pareceu inabalado e de volta ao seu estilo agressivo contra o sueco, provando que veio para ficar na elite da divisão. A pergunta que ele quer responder, todavia, é se voltará a disputar o título após uma performance desapontante contra Jones. Olhando para o cartel de Anthony, o caminho pode ser pela quantidade. Culminando com o duelo com “Bones”, Smith lutou cinco vezes em 13 meses e venceu Gustafsson três meses depois. Ele tirou um tempo e estava escalado para enfrentar Glover Teixeira este mês, e está claro que o “Coração de Leão” é um cara que topa qualquer luta e sempre busca o nocaute, principalmente agora nos meio-pesados.

4) Jan Blachowicz
(26-8, 7 nocautes, 9 finalizações)

Última luta: vitória por nocaute sobre Corey Anderson (15/2/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: antes do duelo com Thiago Marreta, Jan Blachowicz vinha de quatro vitórias consecutivas e se aproximava da chance pelo título. Aquela luta não terminou bem para ele, mas o polonês recomeçou seu caminho de forma enfática com um nocaute sobre Luke Rockhold, uma vitória apertada sobre Ronaldo Jacaré e outro nocaute sobre Corey Anderson, com Jon Jones assistindo ao lado do Octógono. Blachowicz não poderia ter feito uma afirmação mais clara de merecer o title shot do que fez contra Anderson, e com cinco bônus de Performance em suas últimas oito lutas, ele é o tipo de pessoa que levaria a luta até Jones ao invés de esperar uma chance para capitalizar.

5) Corey Anderson
(14-5, 5 nocautes)
LONDON, ENGLAND - MARCH 18:  Corey Anderson enters the Octagon before facing Jimi Manuwa of England in their light heavyweight fight during the UFC Fight Night event at The O2 arena on March 18, 2017 in London, England. (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuf

Última luta: derrota por nocaute para Jan Blachocwicz (15/2/2020)

Próxima luta: a definir

Panorama: vindo de uma vitória contundente sobre o então embalado Johnny Walker, Corey Anderson deixou claro que se achava merecedor do title shot. Apesar de isso não ter acontecido, ele teve a chance de se provar de uma vez por todas em luta principal contra Jan Blachowicz. Anderson havia vencido o polonês cinco anos antes, mas no reencontro, o norte-americano foi de encontro a um uppercut que acabou com sua esperança de título. Mas não está tudo perdido para Anderson, é claro. Ele vinha de quatro vitórias seguidas anteriormente, e parece ter encontrado a trocação para complementar seu forte wrestling. Há uma série de oponentes possíveis na metade de cima da divisão, então ele terá mais oportunidades de entrar na briga pelo title shot em breve.

Ainda no mix:
Volkan Oezdemir, Glover Teixeira, Aleksandar Rakic
Glover Teixeira of Brazil poses for a portrait backstage during the UFC Fight Night

Panorama: o ano passado viu um ressurgimento de antigos desafiantes ao título. Volkan Oezdemir se viu em uma encruzilhada após perder para o então campeão Daniel Cormier e ser finalizado por Anthony Smith na sequência. Apesar de perder por decisão dividida par Dominick Reyes, o suíço se reafirmou passando por Ilir Latifi e Aleksandar Rakic. Glover Teixeira, apesar de chegar aos 40 anos de idade, está pela primeira vez desde 2016 em uma sequência de vitórias com dois triunfos por finalização. Ele terá a oportunidade de voltar de vez à elite da categoria no confronto com Anthony Smith. Rakic provou ser duro contra Oezdemir, e mesmo com uma lesão na perna perdeu por decisão dividida. Foi o fim de uma sequência de 12 vitórias seguidas, mas ele provou ter o que é preciso para subir ao próximo patamar.

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