A nova geração do grappling tem um rosto em destaque: Andrew Tackett. Campeão dos meio-médios, o norte-americano retorna ao UFC Apex nesta quinta-feira (31) para defender seu cinturão diante do experiente Renato Canuto na luta principal do UFC BJJ 2, em Las Vegas. Recém-coroado, o lutador transmite mais empolgação com o desafio. E não é para menos - já que ele está desde os seis anos envolvido com o esporte, e vive nos dias de hoje exatamente o que sempre sonhou.
“Eu tive que sacrificar muita coisa: amizades que poderiam me puxar para baixo, festas, relacionamentos...até a ideia de ser o ‘cara legal’ por saber beber ou fumar. Nada disso me interessa. Eu escolhi fazer o que é certo: dormir bem, me alimentar bem, suplementar direito e treinar com inteligência”, comentou em entrevista ao UFC.com.
Natural de Laguna Hills, na Califórnia, Tackett conquistou o título do UFC BJJ ao finalizar Andy Varela em junho. Durante o confronto, o lutador precisou de menos de cinco minutos para confirmar o favoritismo e sair com a vitória do UFC Apex.
Andrew Tackett comemora a conquista do cinturão peso meio-médio no UFC BJJ 1. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
O segredo para uma performance tão dominante? A dedicação ao esporte, segundo ele próprio. Carismático e comunicativo, Tackett é o típico atleta da nova era. Acostumado com câmeras desde a adolescência, período em que já se destacava nas competições de jiu-jitsu, ele hoje colhe os frutos da exposição. Desde que conquistou o cinturão, mais oportunidades e visibilidade surgiram.
“Fui criado em uma boa família, educado em casa, e sempre quis estar na frente das câmeras. Esse momento é muito especial. Desde os 13, 14 anos já tinham câmeras me filmando por causa do jiu-jitsu. Estou acostumado com isso, mas depois que virei campeão, tudo ficou mais intenso. E eu estou amando”, afirmou.
Seu próximo desafio foi um pedido dele próprio. Renato Canuto, de 28 anos, é um dos grapplers mais explosivos e técnicos do mundo. Campeão mundial de jiu-jitsu com e sem quimono, o brasileiro representa um novo patamar de adversário para o norte-americano, já que será um clássico confronto de gerações e estilos: o ímpeto agressivo do campeão contra a experiência e imprevisibilidade do desafiante.
Apesar da qualidade de Renato e do clima de rivalidade gerado após a encarada entre ambos no UFC BJJ 1, Tackett se mostra tranquilo e garante que tem a fórmula para sair vitorioso na quinta-feira: o preparo mental.
Andrew Tackett e Renato Canuto se encaram no UFC BJJ 1. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
“Não sinto pressão alguma. Sei o quanto sou empolgante e quantas pessoas acompanham minhas lutas por isso. O que me dá vantagem sobre muitos adversários é justamente minha forma de pensar. Muitos atletas do jiu-jitsu quebram mentalmente. Quando se cansam, sentem medo e desistem. Eu não. Eu continuo. Posso vencer só na estratégia e na força de vontade. Acredito totalmente em mim, na minha equipe e no meu plano de luta”, explicou.
Essa mentalidade moldou um atleta que, apesar da pouca idade, já entende que o sucesso não vem apenas do talento. Ainda longe de seu auge, segundo ele próprio, Tackett busca ser não apenas estar entre os melhores do mundo, mas também ser o rosto de um pioneiro que representará o UFC BJJ no futuro.
“Tive muitas lesões ao longo da carreira. Hoje em dia, treino jiu-jitsu de três a quatro vezes por semana, no máximo. O resto do tempo é dedicado a fisioterapia, musculação, yoga e drills técnicos. Sim, eu estou vivendo o sonho. Mas sei que isso só é possível porque eu aceitei fazer o que precisava ser feito, não o que eu queria. Não trocaria essa vida por nada. Estou construindo minha reputação, animado e pronto para entregar mais um grande espetáculo”, concluiu.