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Bruno "Bulldog": da quase aposentadoria ao sonho pelo cinturão

Lutador peso-mosca conta como foi "do inferno ao céu" em trajetória na organização

Quando Bruno Silva atendeu o telefone para uma entrevista com a reportagem do UFC Brasil, o bom humor era facilmente notado.

Durante a conversa, ele contou que a comemoração pós-vitória no UFC Vegas 27 foi “comer muito”. Naquele momento da ligação, estava a caminho da academia para agradecer ao seu time pela ajuda no camp. O plano para daqui alguns dias seria talvez ir visitar uma cachoeira perto de onde mora, em Phoenix, no Arizona (EUA).

Quem ouve o lutador de Piracicaba (SP) falando com tanta animação talvez nem imagine que há dois meses ele pensava em pendurar as luvas e não competir mais no MMA.

“Eu estava em uma fase difícil. Fui do inferno ao céu”, disse o peso-mosca, relembrando as duas derrotas e o no-contest do início de sua trajetória no UFC. “Há dois meses eu estava pensando que poderia ser a minha última luta, que ia me aposentar. Pensei: 'se o UFC me mandar embora, eu não vou mais ficar lutando em evento pequeno para não ganhar nada. Estou morando nos EUA, posso fazer muitas outras coisas'. Já estava com o pensamento assim, planejando a minha vida. Então falei: 'essa luta vai ser a resposta da minha carreira. Se eu ganhar e ficar no UFC, continuo. Se eu não ficar, faço outra coisa'. E nossa, a resposta veio”.

Bruno Silva of Brazil celebrates after his knockout over JP Buys of South Africa in their flyweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on March 20, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Chris Unger/Zuffa LLC)
Bruno Silva of Brazil celebrates after his knockout over JP Buys of South Africa in their flyweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on March 20, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Chris Unger/Zuffa LLC)

E como veio! Em março, Bruno venceu J.P. Buys por nocaute técnico no segundo round. Agora, em maio, nocauteou Victor Rodriguez em exatos 60 segundos de luta e se tornou o dono do quinto nocaute mais rápido da história da categoria no UFC.

Com duas vitórias seguidas, o brasileiro já pode começar a traçar uma rota rumo ao topo da categoria. Mas para chegar até aqui, alguns ajustes foram necessários – e o primeiro deles foi justamente em seu método de treinamento.

“Passei um tempo treinando em Natal, no Brasil, e quando voltei eu consegui montar um time para mim. Quando consegui implementar esse sistema, que é o que a gente faz com o Henry Cejudo, senti que virei outro lutador”, disse.

“Essa experiência de treinar com uma galera diferente no Brasil e depois vir para cá, de estar em diferentes lugares a todo momento, faz com que você evolua muito como atleta. E por acompanhar o Cejudo todos esses anos, participar das disputas de título e dos treinos, eu aprendi como eu tenho que fazer. Aprendi como tenho que treinar, como tenho que me comportar, como tem que ser a recuperação depois do treino. Peguei tudo isso e comecei a implementar nos meus treinos”.

O show dos atletas brasileiros e as vitórias de Rob Font e Carla Esparza. Veja o que rolou de melhor no UFC Vegas 27, no último sábado (22).


Já no aspecto mental de seu jogo, Bruno buscou ajuda na hipnoterapia, que é o uso terapêutico de hipnose. Segundo o atleta, foi um recurso essencial para não perder a confiança em si mesmo.

“Eu sempre treinei muito bem. Poxa, treinava pau a pau com o Cejudo a minha vida inteira. Daí ia lá, fazia uma luta parelha, e não ganhava. Sabe quando você começa a se perguntar: 'será que eu posso mesmo fazer isso, será que eu consigo?’. Eu estava psicologicamente forte, mas um pouco em dúvida das coisas e isso me ajudou muito a focar de novo. Eu sempre pensei que sou um dos melhores do mundo, mas quando você perde, as dúvidas aparecem. Isso te atrapalha. Mesmo você sendo bom, ainda questiona se é isso mesmo. A hipnose me ajudou muito”.

Indo de uma quase aposentadoria ao status de potência no peso-mosca, “Bulldog” garante que ainda não mostrou todo o seu potencial no Octógono. Inspirado pelo campeão peso-leve Charles “do Bronx”, (“o cara é ídolo, sou fã pra c******* dele”), o paulista quer subir os degraus necessários para chegar ao patamar de dono de um cinturão do UFC.

Bruno Silva of Brazil celebrates after his knockout over JP Buys of South Africa in their flyweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on March 20, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images)
Bruno Silva of Brazil celebrates after his knockout over JP Buys of South Africa in their flyweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on March 20, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Chris Unger/Zuffa LLC via Getty Images)

“Vocês estão me conhecendo melhor agora. Quando você não tem uma performance boa, eu sinto que as pessoas não reparam muito, entendeu? Então agora eu tenho mais atenção para mim, as pessoas estão reparando mais. Acho que vocês viram 50% do meu jeito de lutar, e agora estão conhecendo meu caráter, estão conhecendo mais da minha pessoa”, declarou.  

“Eu quero nocautear de novo, ganhar outro bônus. Acredito que até o final desse ano, ou ano que vem, eu consiga vencer todas as minhas lutas, disputar o cinturão e virar o campeão mundial. Esse é o plano, sempre foi o objetivo, desde o primeiro dia que comecei a treinar”.