A semana de luta costuma transformar expectativa em tensão. Para Caio Borralho, porém, o sentimento que antecede o duelo contra Reinier De Ridder, no UFC 326, tem outro nome: confiança. O peso-médio brasileiro encara o holandês na luta co-principal do evento deste sábado (7), em um momento crucial para seu grande objetivo no Ultimate – o de ser campeão.
Caio Borralho venceu Abus Magomedov no UFC São Paulo, em novembro de 2023. (Foto por Pedro Vilela/Zuffa LLC).
A confiança de Caio não é vazia, de discurso ensaiado. É a convicção de quem acredita ter encontrado o caminho mais curto entre ele próprio e o e o topo da divisão dos médios. Para isso, ele sabe qual roteiro tem que seguir.
“Estou com a expectativa alta para essa luta. Meu plano é nocautear o De Ridder. Esse é o jeito mais inteligente de vencer”, resume, sem rodeios, em entrevista exclusiva para o UFC.com.br.
O adversário, porém, não é obstáculo fácil de ser ultrapassado. Faixa-preta de judô e jiu-jítsu, De Ridder construiu a reputação de um dos melhores grapplers do esporte na atualidade. Das 21 vitórias no MMA, 14 vieram por finalização. Os números são um cartão de visitas que intimida a maioria dos oponentes.
Mas Borralho não parece disposto a aceitar o papel de coadjuvante.
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Também oriundo do jiu-jítsu, o maranhense conhece o terreno onde o holandês se sente em casa. “Ele vai propor o grappling, buscar as quedas, jogar onde é mais confortável. Meu objetivo é defender essas investidas”, explica. “E não se trata apenas de neutralizar. Se for para o chão, eu vou atacar. Tenho um grappling tão bom quanto o dele”.
A estratégia é clara: defesa sólida de quedas, controle de distância e imposição no ritmo, sempre com o nocaute como desfecho ideal. A ideia não é apenas vencer, mas deixar sua marca.
Caio Borralho venceu Paul Craig, por nocaute, no UFC 301. (Foto por Alexandre Loureiro/Zuffa LLC).
A trajetória de Borralho no Ultimate ajuda a entender o tamanho de sua ambição. Revelado no Dana White's Contender Series, ele estreou no UFC em abril de 2022 e embalou sete vitórias consecutivas, escalando rapidamente o ranking do peso-médio. Um dos momentos mais simbólicos dessa ascensão veio no nocaute sobre Paul Craig, diante do público brasileiro, no UFC 301.
O maranhense, porém, teve seu primeiro revés no Octógono em setembro de 2025, quando foi superado por Nassourdine Imavov no UFC Paris. A derrota por decisão unânime interrompeu o embalo, mas não a convicção.
Hoje, número sete do ranking, Borralho enxerga na luta co-principal do UFC 326 um momento decisivo. “Estou esperando o melhor De Ridder da carreira. É exatamente desse tipo de adversário que eu preciso para mostrar que ainda estou na corrida pelo cinturão”.
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Do outro lado, De Ridder também tenta se reafirmar. Após estrear no UFC em novembro de 2024 com quatro vitórias seguidas, três pela via rápida, o holandês saiu derrotado por Brendan Allen no UFC Vancouver após não conseguir voltar para o duelo após o intervalo entre o 4° e 5° rounds.
A resistência física e emocional do europeu passou a ser questionada, e é justamente aí que Borralho acredita poder fazer a diferença. “Vamos propor uma luta de ritmo intenso. Quando ele chega a um teto de batimento cardíaco, é difícil normalizar”, analisa. “Ele fica exausto, e a frustração aparece quando as coisas não saem como planejado”.
Na T-Mobile Arena, a promessa é de choque entre especialidades semelhantes, mas estratégias distintas. De um lado, o grappler metódico; do outro, o brasileiro que quer transformar defesa em ataque e pressão em nocaute.
O tipo de situação perfeita para alguém que mira o topo do esporte, assim como Caio Borralho.
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