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Entrevistas

Carlos Prates quer ter ainda mais protagonismo em 2026

Peso meio-médio brasileiro se recuperou de sua primeira derrota no Octógono com dois nocautes devastadores no ano passado

Carlos Prates teve dois cenários distintos em 2025. O brasileiro transformou sua primeira derrota no Octógono em uma história de reafirmação, encerrando 2025 com duas vitórias contundentes, incluindo um nocaute sobre o ex-campeão Leon Edwards, e entrando em 2026 como um dos nomes mais badalados do peso meio-médio.

O revés sofrido no confronto contra Ian Machado Garry, no UFC Kansas City, serviu como ponto de inflexão. O lutador voltou à base, intensificou os treinos e reapareceu diferente: mais agressivo, mais confiante e, sobretudo, com maior senso de urgência. A vitória por nocaute em cima de Geoff Neal abriu o caminho para o segundo semestre que mudaria completamente sua posição dentro da divisão e sua percepção interna sobre onde poderia chegar.

O capítulo final de 2025, no entanto, foi escrito com letras maiores. Ao enfrentar Edwards, Prates encarava um ex-campeão, que dividia sua posição atual em relação ao topo da categoria. A performance avassaladora do brasileiro mostrou que ele estava pronto. Foi seu momento de afirmação para todos os rivais da divisão até 77 Kg.

Carlos Prates venceu Leon Edwards no card principal do VeChain UFC 322. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Carlos Prates venceu Leon Edwards no card principal do VeChain UFC 322. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)


“Eu terminei o ano 'felizaço'", comentou o lutador em entrevista ao UFC.com.br. "Comecei 2025 de um jeito ruim, com uma derrota, e ninguém gosta disso. Mas eu sabia que era só questão de tempo. Eu voltei pra casa, treinei pra caramba, foquei em melhorar cada detalhe e quando voltei, fui lá e nocauteei um cara que muita gente teve dificuldade. E pra fechar o ano, eu ainda nocauteei um campeão, um cara que já esteve no topo do mundo. Isso, pra mim, foi a prova de que o trabalho estava dando certo, de que tudo o que a gente sofreu e se cobrou valeu a pena. Terminar assim muda tudo”.

O impacto de suas vitórias vai além do cartel. Prates se tornou um nome comercialmente atrativo para o UFC. Todas as suas vitórias na organização vieram por nocaute, acompanhadas de bônus de Performance da Noite, o que fortalece seu argumento quando o assunto é a próxima disputa de cinturão em uma divisão marcada por grandes nomes.

“Se você olhar friamente, eu acredito que sim, eu mereço essa disputa. Pelo entretenimento, pelo business, pela forma como eu luto. Se fizesse uma votação popular, eu ganhava. Tem o (Michael) Morales, mas ele ainda não venceu um ex-campeão. Tem o Ian Garry, que ganhou de mim, mas vem de duas vitórias só. Eu entrego mais, eu sei disso. Claro que tem política, tem empresário, tem o Usman querendo disputar o cinturão, tem o Makhachev no meio disso tudo. Mas eu sei o que eu entrego quando eu entro ali”.

O próprio cenário da divisão contribui para a sensação de urgência. Para Prates, o peso-meio-médio nunca esteve com tantos lutadores de qualidade. Ele enxerga um grupo de atletas capaz de disputar o título em qualquer momento, o que transforma cada camp de preparação em um momento crucial em sua carreira.

Carlos Prates comemora a vitória sobre Geoff Neal no card principal do UFC 319. (Foto por Geoff Stellfox/Getty Images)

Carlos Prates comemora a vitória sobre Geoff Neal no card principal do UFC 319. (Foto por Geoff Stellfox/Getty Images)


O paulista de Taubaté, no entanto, já tem em mente seu próximo passo. Prates pretende voltar ao Octógono entre abril e maio, mesmo que a disputa de cinturão ainda não esteja definida, mantendo-se ativo e visível dentro da organização, algo que ele considera essencial para quem quer permanecer na rota do título.

“Meu foco é o Jack Della Maddalena. Se ele quiser lutar, qualquer hora, eu estou pronto. Mas se não for ele, Belal (Muhammad), Morales, quem vier. Eu não vou ficar parado esperando ninguém. Se chegar abril, maio e não tiver nada definido, eu vou pedir outra luta. Eu preciso estar ativo, preciso continuar mostrando serviço, continuar vencendo e continuar entregando lutas boas”.

Prates construiu em 2025 uma identidade clara: a de lutador que não negocia espetáculo. Ele sobe ao Octógono para terminar a luta, e esse compromisso com a agressividade se tornou sua maior assinatura esportiva. Talvez seu passaporte definitivo para a disputa mais importante de sua carreira.

“A galera gosta de ver nocaute, gosta de ver luta sendo finalizada. E eu treino pra isso. Eu treino pra subir ali e nocautear. Quando as coisas dão certo, é gratificante demais, porque você sabe que o trabalho está no caminho certo. 2025 foi o ano em que eu provei isso pra mim mesmo. Agora é levar isso pra 2026 e transformar essa fase em título”.