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Contagem regressiva para o UFC 200: o legado de Georges St-Pierre

Ex-campeão dos meio-médios entrou em hiato na sua carreira como lutador em 2013


Alguns dos meus pensamentos sobre Georges St-Pierre continuam valendo nos dias de hoje.

"É fácil sentir inveja de Georges St-Pierre. Em uma terra cheia de narizes amassados, cicatrizes e dentes perdidos, ele parece um astro de Hollywood em sua aparência. Sua pose e carisma também se traduzem durante o seu trabalho, onde ele sempre parece conseguir as coisas na primeira tentativa, com diversas repetições para beneficiar sua memória muscular, mas não em busca da perfeição da execução dos movimentos, os quais ele parece ter atingido desde o começo.

É por isso que sua esposa ou namorada, que não sabem de nenhum outro lutador senão Chuck Liddell, conhece Georges St-Pierre; é por isso que seu sobrinho, que não acompanhava muito lutas desde que Mike Tyson limpou a categoria dos pesados, soltará um chute lateral e gritará "Aqui é GSP", e também é por isso que 22 mil fãs irão lotar o Bell Centre em Montreal para ver St-Pierre desafiar Matt Serra pelo cinturão dos meio-médios nesse sábado.

Ele é quem você gostaria de ser quando você era apenas uma criança e achava que seria legal ser um lutador renomado. Você não queria ser o cara que fica no card preliminar, que ganha apenas por decisões; você queria ser o cara que consegue finalizar o combate de maneira fantástica no card principal, o cara que beija a menina quando tudo acaba."

Isso foi em 2008. Oito anos depois (caramba, tudo isso?), St-Pierre ainda pode estar em seu hiato do octógono, mas depois de ter nove lutas contra a elite dos meio-médios após reconquistar seu cinturão contra Serrano UFC 83, ele ainda parece que nunca se envolveu em um combate. E, sim, sua namorada ainda acha ele um gato e a maioria dos fãs só pensam em vê-lo calçar as luvas novamente.



Se ele retornará? Isso depende do rumor que aparece no dia. No meio tempo, o orgulho das lutas de Montreal se mantem como o santo patrono do MMA no Canadá. Ele não se esconde dos seus fãs, não deixa de comentar o esporte o qual dominou por tantos anos. Ele está apenas de repouso, esperando. Um passo à frente, assim como ele fazia no octógono.

Para St-Pierre, agora com 35, lutar não era sobre sangue e porrada. Era um exerício cerebral e poucos fizeram melhor. Se você quisesse nocauteá-lo, ele apagava você. Se você quisesse finalizá-lo, ele te acertava jabs até seu rosto ficar inchado. Se o "Plano A" não funcionava, ele tinha os "Planos B e C" no seu bolso, prontos para serem utilizados se necessário. Isso não significava que ele sempre estava na boa e que sempre foram lutas lindas, mas era impossível não apreciar o que ele trouxe ao octógono.

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Pense nisso: durante seu segundo reinado como campeão, ele praticamente limpou a divisão. E não era como um campeão mundial peso-pesado da atualidade do boxe, que só vencia uma seleção de desafiantes meia-bocas. Os nomes que St-Pierre bateu eram os melhores da era que ele reinou. Fitch, Penn, Pitbull, Hardy, Koscheck, Shields, Condit, Diaz, Hendricks.

Carlos Condit deu muito trabalho. Johny Hendricks quase o venceu por decisão. Nick Diaz foi Nick Diaz. Mas apesar disso tudo, St-Pierre quase nunca foi levado ao limite, mesmo com esses grandes nomes, por praticamente cinco anos e meio. Nos esportes coletivos, nós chamamos isso de dinastia. Em esportes de combate, nós chamamos esses caras de lendas. Georges St-Pierre foi um lutador fantástico, e isso tinha pouco a ver com sua técnica ou capacidade atlética.

"Tem a ver sim com habilidade, mas eu acho que ter mais habilidades que meu oponente não é o bastante", ele me disse antes da revanche com Serra. "Você precisa estar pronto para se sacrificar. Eu acho que é isso que me ajuda muito - eu sou um atleta muito habilidoso e atlético, mas eu também estou pronto para fazer sacrifícios para chegar ao topo."

Ele chegou ao topo e lutou ainda melhor para se manter lá. Se ele pode fazer isso novamente? Bem, a divisão está muito diferente desde que ele anunciou sua pausa no mundo da lutas, no final de 2013, depois de vencer Hendricks. A categoria que já era uma das melhores do UFC está ainda melhor, com Robbie Lawler reinando, mas seguido de perto por matadores como Rory MacDonald, Stephen Thompson, Tyron Woodley, Demian Maia, Neil Magny e Matt Brown. E não podemos esquecer que Nate Diaz e Conor McGregor vão lutar nessa divisão, então vamos colocá-los nessa lista também.

É algo intrigante pensar se St-Pierre iria reconquistar as glórias passadas ou se sua sequência incrível de vitórias seria dizimada depois do tempo afastado. O que será que ele fará? Quando ele vai decidir o que realmente quer?

Somente o tempo vai dizer, mas conhecendo GSP, quando ele fizer sua escolha, provavelmente será a certa. É assim que ele funciona e é isso que ele fez durante sua vida no UFC.



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