Pular para o conteúdo principal
Blogs - Marcelo Alonso

Demian e Durinho analisam confronto no UFC Brasília

Considerada umas das melhores lutas de 2019, o “confronto dos sonhos da luta agarrada” entre os condecorados Demian Maia (jiu-jítsu) e Ben Askren (wrestling), agradou em cheio os fãs do esporte. Inspirado nisso e aproveitando que Demian só tem mais duas lutas no contrato, o UFC oficializou esta semana, como luta co-principal do UFC Brasília (14 de março), uma nova versão do duelo dos sonhos do grappling, só que entre dois grandes ases da arte suave: Gilbert “Durinho” Burns e Demian Maia.

Esta semana, tive a oportunidade de conversar com ambos no Resenha PVT sobre este combate, que certamente dividirá os fãs brasileiros na primeira edição do UFC realizada em solo nacional este ano.

“Na verdade não queria lutar com brasileiro, até porque só faltam duas lutas no meu contrato. Meu plano era enfrentar o Stephen Thompson, mas o matchmaker, Sean Shelby, explicou as razões dele e nós entendemos e aceitamos lutar com Durinho”, explicou Demian, revelando um fato curioso. “O assento dele no UFC São Paulo em novembro era do lado do meu. Torcemos juntos para o Jacaré e conversamos muito sobre o MMA durante o evento. Inclusive ele chegou a marcar de me visitar para treinarmos na Vila Da Luta, mas acabei viajando”.

Durinho também contou que foi pego de surpresa com a oferta de Sean Shelby. “Dei um monte de tiros errados. Pedi o Askren, ele se aposentou; pedi o Pettis e ele disse que voltaria a descer para os leves; cogitei o Neil Magny, que estava punido. De repente, logo depois das minhas três lutas no Quintet representando o UFC, o Sean apareceu com a ideia do Demian, que está em 6º no ranking, sete posições à minha frente. Apesar de todo o respeito e admiração que tenho ao Demian, eu não teria como negar. Obviamente seria mais complicado se fosse o Léo Santos, Rafael dos Anjos, Vicente Luque e até o Kamaru que são meus amigos pessoais, colados. Eu não tenho o telefone do Demian, por exemplo”, explicou Durinho.

SUNRISE, FL - APRIL 27: (R-L) Gilbert Burns of Brazil celebrates his submission victory over Mike Davis in their lightweight bout during the UFC Fight Night event at BB&T Center on April 27, 2019 in Sunrise, Florida. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)
SUNRISE, FL - APRIL 27: (R-L) Gilbert Burns of Brazil celebrates his submission victory over Mike Davis in their lightweight bout during the UFC Fight Night event at BB&T Center on April 27, 2019 in Sunrise, Florida. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Sobre a luta, Demian disse que não acredita que o niteroiense queira lutar no solo. “Por mais que o Durinho tenha um jiu-jítsu de altíssimo nível, inclusive ouvi dizer que ele aceitou esta luta porque queria passar a ser o cara a carregar a bandeira do jiu-jítsu, acredito que ele confie mais em seu muay thai. Na própria luta dele com o Gunnar Nelson, a luta de solo não foi algo que ele tenha buscado”. Burns preferiu não entrar em detalhes táticos, mas deixou claro que, apesar de adorar a idéia de representar a arte suave após o fim do contrato de Demian, não abre mão de ter seu próprio estilo. “Ainda não defini a estratégia, mas é óbvio que temos estilos diferentes e eu gosto mais da trocação. O MMA está evoluindo muito e não posso usar uma arma só. Quando comecei lá atrás com o Vitor, ele sempre me disse, desde o primeiro soco que dei numa manopla, para confiar no meu poder de nocaute. E se você for olhar os campeões hoje, nenhum deles é unidimensional: o Cejudo nocauteou o Dillashaw, o Cormier nocauteou o Miocic, o Usman aplicou knockdown no Woodley. Acho que esse é o caminho natural do esporte. Continuo evoluindo no grappling e competindo o máximo que posso com e sem quimono, mas tenho outras armas”.

Gilbert revelou ainda ser um profundo estudioso do jogo de Demian Maia. “Ajudei a dois parceiros de treino que já lutaram com o Demian. Primeiro o Ryan LaFlare, que tomou um amasso, e depois o Kamaru Usman, que continua sendo um dos meus principais parceiros diários. Quem também vai me ajudar muito nesse camp é o Vitor (Belfort), que voltou a treinar na academia conosco e, além de ser um grande amigo, é um cara que tem uma visão muito diferenciada da luta. Para mim caras como ele e o Dedé (Pederneiras) são gênios na leitura deste esporte”, analisou Burns.    

Mesmo disputando um mesmo espaço no topo do ranking dos meio-médios, os dois concordam que Kamaru Usman tem tudo para manter seu cinturão por um bom tempo. “Além de ser muito forte, ele é muito técnico. Sem dúvidas um dos oponentes mais duros que já enfrentei. Não vejo ninguém na divisão hoje para vencê-lo”, apostou Maia, prontamente apoiado pelo parceiro de treinos do campeão. “O Kamaru é sinistro. Além de forte, o cara é extremamente habilidoso, tem um gás absurdo, aguenta porrada e tem um mental diferenciado. Acredito que se manterá campeão por um bom tempo”, apostou Durinho.

Para terminar o papo, pedi que ambos escolhessem seus futuros oponentes em caso de vitória. O paulista não titubeou ao escolher a revanche com Anderson Silva como luta ideal para fechar seu contrato com o UFC e se aposentar. “Última luta perfeita é aquela que a gente vence, mas obviamente se eu pudesse escolher seria esta revanche com o Anderson. Apesar de estarmos em categorias distintas, hoje somos lutadores totalmente diferentes e certamente seria um lutão para os fãs”.

Durinho também não pensou duas vezes. “Com todo respeito ao Demian, que será o desafio mais duro da minha carreira, mas imaginando o melhor cenário, uma vitória dominante, o próximo passo seria pedir o Colby e bater muito nesse falador. Este seria meu passaporte para o Top 3”. Sobre a possibilidade de um dia ter que lutar pelo cinturão com o parceiro Usman, Durinho garante que a luta aconteceria. Já Demian fez questão de deixar claro que, com apenas uma luta em contrato, após o combate com Durinho, não sonha mais com o cinturão, revelando inclusive que já trabalha em dois projetos além do Octógono: um livro escrito com a ajuda de um parceiro dos tempos de faculdade de jornalismo, onde vai narrar algumas das mais marcantes histórias de superação de sua carreira, bem como um projeto, ao lado de amigo e head coach Eduardo Alonso, focado em aulas instrucionais de jiu-jítsu para o MMA, onde finalmente pretende revelar os principais segredos da adaptação singular que conseguiu fazer na implantação do jiu-jítsu esportivo para o Octógono.

Assine o Combate | Siga o UFC Brasil no Youtube