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Donald Cerrone and son exit the Octagon during the UFC 276 event at T-Mobile Arena on July 02, 2022 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Chris Unger/Zuffa LLC)
Atletas

Donald "Cowboy" Cerrone anuncia sua aposentadoria

Donald Cerrone está pendurando suas luvas de quatro onças.

Sábado à noite, no UFC 276, "Cowboy" subiu ao Octógono para encarar o também veterano Jim Miller, um de dois homens com mais combates na organização do que ele, e o segundo membro do trio de atletas - que também inclui Andrei Arlovski - que começaram a noite empatados com o maior número de vitórias na história do UFC.

No início do 2º round, os veteranos trocaram chutes ao mesmo tempo, Cerrone caiu no tablado e Miller rapidamente atacou, encaixando uma guilhotina que deixou Cerrone sem opção além de desistir. Enquanto aguardavam o anúncio oficial do resultado no meio do Octógono, o atleta de 39 anos tirou a fita das luvas e as colocou dentro de seu tradicional chapéu de caubói no chão antes de informar Joe Rogan que era hora de dizer adeus.

Veja também: Jim Miller se torna o maior vencedor da história do UFC | Personalidades do MMA reagem ao nocaute de Alex Poatan

Ele deixa o UFC com um cartel de 23-14, além de uma luta sem resultado, e 36-17, 2 SR na carreira, além da garantia de uma vaga no Hall da Fama do UFC em um futuro não muito distante.

Todos lutadores dizem "qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lugar", mas com Cerrone, era para valer.

Ele lutou cinco vezes em seu primeiro ano no UFC, foi sempre o primeiro a levantar sua mão sempre que uma vaga precisava ser preenchida e flutuou entre os pesos leve e meio-médio, com uma verdadeira postura de "se tenho punhos, vou viajar". Ele encarou praticamente todos os que foram alguém no peso-leve e diversos nomes da primeira prateleira dos meio-médios, incluindo os ex-campeões Anthony Pettis (duas vezes), Conor McGregor, Justin Gaethje, Tony Ferguson, Robbie Lawler, Rafael dos Anjos (duas vezes), Benson Henderson, Eddie Alvarez e Charles Oliveira.

Embora nunca tenha chegado ao título, Cerrone foi um desafiante em potencial em duas divisões de peso e consistentemente um dos mais empolgantes e queridos lutadores da última década; um em um milhão, que manteve sua autenticidade em todos os momentos. De sua tradicional caminhada ao som de Kid Rock ao seu sempre presente chapéu de caubói, seu sorriso brincalhão e seu inegável amor pela luta, você sabia que quando o "Cowboy" estava no card, a diversão seria garantida, independentemente do resultado.

Isso é seu legado.

Isso é quem ele era.

Isso é quem ele sempre quis ser.

Caçar títulos nunca pareceu ser uma prioridade para ele, mas entrar em uma briga e entreter o público? Ele toparia todos os dias e duas vezes aos domingos se pudesse.

O que é maluco sobre o lugar de Cerrone na lista dos atletas com mais vitórias e mais lutas no UFC é que ele passou três anos competindo no WEC antes de migrar para o Octógono após a companhia do cage azul ser absorvida pelo UFC. Adicione aquelas 10 lutas ao seu total, e ele tem uma vantagem de cinco lutas em relação a Miller em termos de vitória, e de oito lutas no total de aparições.

Donald Cerrone punches Jim Miller in a welterweight fight during the UFC 276 event at T-Mobile Arena on July 02, 2022 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Donald Cerrone punches Jim Miller in a welterweight fight during the UFC 276 event at T-Mobile Arena on July 02, 2022 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)


Cerrone sempre disse que queria somar 50 lutas entre WEC e UFC, mas se aposenta a duas lutas disso, optando por explorar novas oportunidades a se manter em busca do recorde quando seu coração já não queria mais isso.

Embora sua carreira chegue ao fim em uma longa sequência negativa, o que deve ser lembrado são marcas como as oito vitórias seguidas que somou entre as duas derrotas para Rafael dos Anjos, uma sequência que começou com dois nocautes e duas finalizações, teve dois triunfos em 15 dias no início de 2015, e teve fim com uma vitória sobre John Makdessi no 2º round, que lhe garantiu sua única disputa de título no Ultimate.

Ele deve ser lembrado por subir à divisão dos meio-médios após aquela luta e vencer quatro combates seguidos, incluindo o nocaute com uma sequência de videogame sobre Rick Story no UFC 202.

Confira o perfil de Donald Cerrone

Ele deve ser lembrado por sua vitória em casa sobre Mike Perry no aniversário de 25 anos do UFC em Denver, no Colorado, onde provou que apesar de estar atravessando uma dura sequência de combates, boatos sobre sua demissão eram um pouco prematuros.

Pessoalmente, vou me lembrar dele pelas diversas conversas que tivemos ao longo dos anos - incluindo uma em que pensei que ele pularia através do telefone e me estrangularia, e uma antes de sua luta com Patrick Cote no Canadá durante sua primeira passagem nos meio-médios em que sua avó o repreendeu por mostrar o dedo do meio como sua forma pessoal de cumprimentar um rosto familiar.

Vou me lembrar de receber o mesmo dedo do meio, seguido por uma piscada e um sorriso, quando ele apareceu após a vitória sobre Makdessi no UFC 187 com quatro garrafas de cerveja nas mãos, e as discussões sobre como se tornar pai chacoalharam seu mundo e seu amor pelos garotos, pelo telefone.

Vou me lembrar dos chutes "Vá se f****!" que ele aplicou em Vagner Rocha em Vancouver e repetiu anos depois em Myles Jury, do nocaute em Melvin Guillard e da finalização em Edson Barboza.

Donald Cerrone Walkout

Vou me lembrar da maneira como ele sorria e dizia, "conheço um cara" sempre que estava querendo garantir uma luta de última hora ou que outra pessoa assinasse as linhas pontilhadas, a maneira que seu olho inchou quando ele assoou o nariz antes do 3º round com Tony Ferguson e a maneira como eu automaticamente sorria cada vez que ouvia os primeiros acordes de "Cowboy" ecoando na arena.

Cerrone foi uma personalidade única, uma presença fixa no card principal e no Top 15 e um lutador eternamente empolgante que realmente estava disposto a enfrentar qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lutar.

Ele foi um em um milhão e deixará saudades.

Boa aposentadoria, Cowboy.