A imagem que muitos têm de Karine Silva dentro do Octógono é clara: pressão constante, golpes duros e uma postura sempre agressiva. Mas, às vésperas de mais um desafio no Ultimate, a brasileira mostra que há uma nova camada sendo construída por trás da “Killer”.
No dia 18 de abril, no UFC Winnipeg, Karine volta à ação contra a canadense Jasmine Jasudavicius em um confronto direto entre atletas do Top 10 do peso-mosca. Além de ser uma luta importante na divisão, o momento representa também um processo de evolução pessoal e técnica.
“Estou muito feliz. Acho que essa é a palavra que define esse camp”, resume. “Estamos todos em equilíbrio. A paciência tem sido a palavra da vez”.
Karine Silva comemora a vitória no UFC 292. (Foto por Paul Rutherford/Getty Images)
A mudança não é apenas discurso. Literalmente marcada na pele, com uma tatuagem da palavra “paciência”, a nova abordagem tem guiado a brasileira dentro e fora dos treinos. “É paciência para tudo: para a vida e para a luta. Para encontrar o momento certo”, explica.
Conhecida pelo estilo agressivo, Karine reconhece que, no mais alto nível da divisão, os ajustes podem mudar totalmente o rumo de uma luta. Foi na derrota para Maycee Barber, em sua última apresentação, que esse alerta acendeu.
“Do Top 10 para cima, todo mundo é forte, técnico e agressivo. São os pequenos detalhes que fazem a diferença”, analisa. “Foi isso que me fez entender coisas que eu não estava enxergando”.
A partir disso, o foco do camp foi claro: lapidar o que já é forte. O grappling, uma de suas principais armas, ganhou atenção especial, assim como pequenas mudanças na trocação, onde ela já se sente confortável.
“Não tem muito mais o que aprender agora. É fazer o que eu sei de melhor e aproveitar o momento”, afirma.
Karine Silva golpeia Viviane Araújo no UFC 309, em 16 de novembrode 2024. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
Se o desafio já é grande, o cenário também adiciona um ingrediente extra. Karine enfrentará Jasmine no Canadá, diante da torcida da adversária.
Algo que, para ela, não muda o panorama.
“Isso para mim é tranquilo. Todas as minhas lutas foram na casa das adversárias. Até no Brasil já lutei ‘fora de casa’, dentro da academia delas ou na cidade delas”, diz com naturalidade.
O que importa é a execução de sua estratégia, algo que a brasileira demonstra segurança.
Maturidade construída na prática
Desde sua estreia no UFC em 2022, Karine acumulou vitórias rápidas e performances dominantes, construindo um cartel de cinco triunfos em sete lutas na organização. Ao longo do caminho, também vieram aprendizados importantes, especialmente nas derrotas.
“As derrotas ensinam muito mais. A vitória às vezes mascara alguns erros”, reflete. “Na minha cabeça, o time que está ganhando melhora. Sempre dá para evoluir”.
Karine Silva comemora a vitória sobre Dione Barbosa no card preliminar do UFC 319. (Foto por Ed Mulholland/Zuffa LLC)
Hoje, mais experiente e consciente do próprio jogo, ela se vê em uma fase diferente da carreira: mais madura, mais estratégica e, ao mesmo tempo, fiel à sua essência.
Com a possibilidade de se aproximar ainda mais da elite da categoria em caso de vitória, Karine evita projetar cenários a longo prazo. O foco está totalmente no presente.
“Eu penso em dar um passo de cada vez. Não estou pensando em Top 5 ou posição. Quero chegar lá, performar bem, vencer e mostrar que posso estar entre as melhores”, afirma.
E, para quem acompanha suas lutas, a promessa é de uma versão ajustada, mas ainda perigosa da atleta.
“A agressividade de sempre…mas agora com paciência”, finaliza, com um sorriso.
O UFC Winnipeg: Burns x Malott foi um evento realizado em 18 de abril de 2026 no Canada Life Centre, em Winnipeg, no Canadá. Confira aqui a cobertura completa e reveja todas as lutas no Paramount+.