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Faber vê sua última luta como um começo, e não um final

Veterano se despede do MMA no UFC Sacramento, neste sábado


Urijah Faber tinha 24 anos e havia acabado de sair da faculdade. Com seu estilo meio surfista, ele tinha um emprego como professor substituto em uma escola, que pagava algo como 14 dólares por hora.
Mas ele queria mais da vida. Por isso, no dia 12 de novembro de 2003, Faber entrou em um cage de MMA pela primeira vez - lutando para menos de mil fãs em um pequeno cassino. Ele levaria para casa a soma de 480 dólares como premiação por finalizar seu oponente em apenas 82 segundos.
Faber era inteligente o suficiente para não contar para sua mãe até algumas semanas depois, porque ele sabia que ela teria pago para que ele não lutasse. Mas, naquela noite, Faber deixou o cage convencido de que seria uma estrela em um esporte que, naquela época, ainda era visto como um espetáculo underground.
“Era tão improvável e cômico, agora que eu penso nisso”, disse Faber, “Mas eu tinha grandes planos para mim, por mais irrealistas que eles fossem. Eu pensava ‘Vou explodir nisso’. Eu acreditava em mim mesmo, apesar de a estrada não estar lá naquele momento ainda”.
Avance 13 anos. Faber está chegando ao fim de uma marcante, improvável estrada. Sua carreira no MMA, de fato, explodiu. Ela foi dos dias de fora da lei, quando o Senador John McCain, do Arizona, chamava o esporte de “rinha de galo humana”, ao sucesso e fenômeno cultural atual, que viu o UFC realizar um evento no maior palco de Nova York, o Madison Square Garden, no último mês.
Apesar de nunca ter sido campeão do UFC, Faber sempre foi um dos lutadores mais populares do MMA durante sua trajetória. Neste sábado, o ex-campeão peso-pena do WEC vai pisar no octógono pela última vez em sua cidade natal, Sacramento. Faber vai encerrar sua carreira contra Brad Pickett em um evento liderado por sua pupila da Team Alpha Male, Paige VanZant.
Confira o card completo do UFC Sacramento
Aos 37 anos, o “California Kid” não é mais um kid (garoto). Ele está pronto para deixar o octógono em seus próprios termos.
“Em minhas últimas lutas, eu estive procurando por aquela emoção, aquele arrepio que senti durante toda minha carreira”, disse Faber, “Já não é tão intenso quanto costumava ser”.
“Meu corpo se sente ótimo, e ainda estou lúcido. Mas você só pode lutar até um certo ponto antes de seu corpo se esgotar. Eu não quero chegar nesse ponto. Quero parar enquanto me sinto bem”.
Quando convidado a viajar de volta ao passado e refletir sobre sua jornada nas lutas, Faber não se dá o luxo de ficar sentimental.
“É difícil aproveitar o momento, porque é uma briga contra um cara que quer acabar comigo”, disse sobre o duelo pelo peso-galo contra Pickett, “Estou me preparando para uma batalha violenta. Mas estou tentando aproveitar o processo e perceber quão sortudo fui de viver esse sonho”.

Por enquanto, é tarefa para outros, como Reed Harris, fundador do WEC, colocar a carreira de Faber em perspectiva.
“Ele é definitivamente um dos pioneiros, alguém que levou o esporte na direção certa”, disse Harris, atualmente vice-presidente de desenvolvimento de atletas do UFC, “Toda vez que ele lutava, sabíamos que seria empolgante. Ele realmente ama este esporte”.
“Ele é um cara muito carismático e esperto, que cumpre o que promete. Sempre respeitei Urijah como lutador, mas o respeito mais como homem”.
Faber foi um bom wrestler durante a faculdade, mas encontrou seu destino no MMA. Dentro do octógono, ele se transformou em um demônio da Tasmânia - um tornado de cotoveladas, chutes, joelhadas e socos. Ele estava disposto a enfrentar qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer momento.
No início, ele lutava regularmente por bolsas de alguns milhares de dólares, sem cobertura televisiva. Mas ele se tornou o rosto do WEC - que mais tarde foi comprado pelo UFC - em parte, porque entendia a necessidade da promoção e de ajudar a construir a marca no esporte.
“Me lembro quando Dana White e Lorenzo Fetitta me sentaram e disseram, ‘Você tem a chance de ser o cara. Apenas continue vencendo as lutas”, lembrou Faber, “E eu disse, ‘Certo, eu consigo fazer isso’”.
Mesmo assim, não foi fácil construir um nome, porque as categorias mais leves eram vistas mais como ornamentos. O sucesso de Faber, que ajudou o esporte a se tornar uma sensação, mudou esse pensamento.
O UFC descobriu algo que o boxe havia aprendido décadas antes: o tamanho dos lutadores não importa nas telas - mesmo quando são telas do tamanho de uma parede em HD. O importante é a ação.
“Quando comecei a lutar, o UFC tinha apenas até a divisão dos meio-médios”, disse Faber, “Então a exposição para os mais leves não existia. Mas pense no boxe - Roberto Durán, Sugar Ray Leonard, Oscar de la Hoya, Floyd Mayweather, Manny Pacquiao”.
“Estes lutadores mais leves são estrelas que se sobressaíram. Foi uma questão de tempo até isso acontecer no MMA. Apenas precisávamos das personalidades. E eu estava motivado a ser parte do primeiro grupo a fazer isso”.

Ao longo do caminho, Faber desafiou o estereótipo do atleta. Ele escreveu um livro com o jornalista Tim Keown, “The Laws of the Ring”, que não é uma autobiografia esportiva, mas um tratado sobre o poder do pensamento positivo. Isso porque Faber sempre foi meio como Tony Robbins, só que com mais técnicas de finalização.
Esta atitude positiva veio de sua mãe, que tinha uma frase grudada na geladeira durante a infância de Faber, que ele nunca esqueceu: “Sonhe sonhos impossíveis. Quando estes sonhos se realizarem, faça com que os próximos sejam ainda mais impossíveis”.
Essa paixão por se esforçar ao máximo foi além do cage. Ele está prestes a abrir uma nova academia em Sacramento para abrigar a Team Alpha Male, que foi fundada em 2004. Ele tem uma marca de roupas, parte de um laboratório de suplementos, uma companhia de gerenciamento, uma empresa de construção, ações imobiliárias… e a lista vai longe.
A aposentadoria pode ser um estado temporário para os lutadores porque eles sentem falta da emoção… e porque precisam de dinheiro. Mas é difícil imaginar que esse seja o caso para Faber.
“Não é como se eu tivesse feito uma enorme fortuna como lutador, porque não havia muito dinheiro no começo”, disse Faber, “Mas consegui fazer uma ótima vida, e isso me deu a chance de viver sem precisar lutar. Quero focar nisso antes de chegar na zona perigosa como lutador”.
Nem tudo foi auge, é claro. Apesar de estar consistentemente entre os melhores do esporte, Faber perdeu suas últimas sete disputas de título. A mais recente foi em junho, quando foi derrotado por Dominick Cruz por decisão unânime no UFC 199, em duelo pelo cinturão peso-galo. Quando sofreu outra derrota em seguida, para Jimmie Rivera, por decisão unânime, em setembro, Faber soube que era a hora.
“Tive minhas oportunidades de conquistar o cinturão”, disse Faber, “Agora, estou pronto para passar a tocha adiante”.
Em um esporte muitas vezes extravagante, Faber parte com sua imagem intacta como um cara bacana e com os pés no chão, que sempre dá um bom show. Sua última ordem de trabalho é sair com um tiroteio, não um lamúrio.
No sábado à noite, as luzes se apagarão para ele pela última vez. O som inconfundível de “California Love”, sua clássica música de entrada, vai explodir nas caixas de som. Então, Faber vai caminhar na Golden 1 Arena, em Sacramento, em direção ao cage.
E o público vai delirar.
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