A divisão dos médios começou, enfim, a se movimentar em 2026 após a vitória contundente de Sean Strickland sobre Anthony Hernandez. Enquanto o campeão Khamzat Chimaev aguarda seu próximo compromisso, boa parte do Top 10 vive um cenário de expectativa. É nesse contexto que Caio Borralho e Reinier de Ridder se encontram na luta co-principal do UFC 326.
Ambos vêm de derrotas em lutas principais, mas seguem inseridos na conversa pelo título. Em uma categoria congestionada, uma vitória convincente pode ser suficiente para reposicionar qualquer um deles a poucos passos de disputar o cinturão.
Caio Borralho enfrentou Jared Cannonier no UFC Vegas 96. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
Líder da equipe Fighting Nerds, Borralho construiu sua trajetória no UFC de maneira consistente desde que conquistou seu contrato pelo Dana White’s Contender Series. O brasileiro emendou cinco vitórias consecutivas antes de viver um momento de afirmação ao nocautear Paul Craig, resultado que o colocou definitivamente entre os principais nomes da categoria.
Na sequência, mostrou maturidade ao superar Jared Cannonier em uma luta equilibrada e estratégica, consolidando-se como candidato real ao Top 5. Em 2025, no entanto, viveu um ano de espera por um grande confronto. Apostou alto ao bater o peso como reserva em uma disputa de cinturão e semanas depois acabou superado por Nassourdine Imavov, em Paris, sofrendo sua primeira derrota no Octógono.
Aos 33 anos, Borralho retorna em busca de reafirmação. Técnico, cerebral e cada vez mais confortável em combates longos, o brasileiro sabe que precisa de uma atuação marcante para recuperar o embalo rumo às grandes oportunidades.
Reinier de Ridder
Reinier De Ridder venceu Robert Whittaker na luta principal do UFC Abu Dhabi. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
Antes de chegar ao UFC, Reinier de Ridder construiu um currículo sólido no ONE Championship, onde foi campeão e defendeu cinturões em duas categorias. Sua estreia no Ultimate, em novembro de 2024, foi um cartão de visitas eficiente: vitória por finalização sobre Gerald Meerschaert.
Ele manteve o ritmo acelerado nos meses seguintes, finalizando Kevin Holland e interrompendo a invencibilidade de Bo Nickal com uma joelhada avassaladora no corpo do norte-americano. O grande salto, porém, veio diante do ex-campeão Robert Whittaker. Mesmo balançado em momentos críticos, o europeu ajustou a estratégia, impôs pressão física constante e venceu por decisão dividida, entrando de vez no radar da disputa pelo título.
Reinier parecia estar a uma vitória da chance pelo cinturão quando aceitou enfrentar Anthony Hernandez. Após a saída do adversário por lesão, topou encarar Brendan Allen de última hora. O calendário intenso, com cinco lutas em 11 meses, cobrou seu preço. Exausto após quatro rounds, ele não conseguiu retornar para os cinco minutos finais programados, sofrendo sua primeira derrota no UFC.
Dentro do Octógono
Caio Borralho venceu Abus Magomedov no UFC São Paulo, em novembro de 2023. (Foto por Pedro Vilela/Zuffa LLC).
O duelo coloca frente a frente dois pesos-médios que preferem controlar a luta a partir do grappling, ainda que possuam ferramentas eficientes na trocação. Borralho apresenta ligeira vantagem na eficiência de quedas, convertendo 48% das tentativas, enquanto De Ridder registra maior volume, com cerca de 1,5 queda a mais por 15 minutos.
Fisicamente, o holandês usa bem seus 1,93 m, trabalhando o clinch na grade e aplicando joelhadas curtas e incômodas. Já Borralho mostra um repertório mais variado de quedas, tanto no centro do Octógono quanto na transição para o chão junto à grade.
Em pé, o brasileiro costuma exibir um kickboxing mais limpo e técnico, enquanto Reinier utiliza os golpes como ponte para encurtar a distância. O encaixe de estilos pode gerar sequências intensas de transições no solo, ou até mesmo uma batalha franca na trocação, caso ambos optem por evitar o terreno favorito do rival.
Em uma divisão onde timing é tudo, Borralho e De Ridder chegam a Las Vegas precisando mais do que uma vitória: precisam de uma afirmação. No sábado, apenas um deles sairá do Octógono com o futuro novamente apontado para o topo.