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Glaico, o universitário que contrariou a família e virou lutador

 

A altura para a categoria dos leves é a primeira coisa que se destaca no catarinense Glaico 'Nego' Franca: 1,83 m, seis centímetros a mais que o ex-campeão Anthony Pettis. Aos 24 anos, ele entra no The Ultimate Fighter Brasil 4 com doze vitórias e três derrotas - além de uma força física que impressiona.

Natural de Curitibanos, cidade a 4 horas de Balneário Camburiu, Glaico sempre foi um garoto com muita energia. Quando ainda era criança, em sua cidade natal, teve a ideia de queimar jornal em um quarto na casa da sua avó e quase todo o compartimento. O incêndio só não aconteceu porque ele disse para a sua mãe que um ladrão tinha começado o incidente e eles correram para evitar.

Quando não estava aprontando pelas rua, ele estava "brincando de lutar" com seu irmão mais velho, Guilherme. "Preciso admitir que eu chorava muito, mas nunca desistia nas brigas". Os dois cresceram e se tornaram melhores amigos. "Somos irmãos duas vezes: de nascença e porque escolhemos ter uma relação de irmão", conta ele todo orgulhoso.

Glaico começou treinando judô aos 6 anos, mas logo se arriscou no caratê, kickboxing e MMA. A cidade de Curitibanos já estava ficando sem graça para ele. Apesar de gostar dos treinadores e estar perto da família, ele sentia que precisa de uma mudança radical para continuar evoluindo como artista marcial. Ele aproveitou uma oportunidade amorosa e se mudou para Balneário Camburiu.

"Minha namorada decidiu ir morar em Balneário Camburiu, aproveitei que minha avó tinha uma kitnet lá e também troquei de cidade", conta ele. Mas a decisão não foi fácil. Ele precisou trancar a faculdade de Engenharia Florestal que estava cursando em Curitibano, mas, felizmente, conseguiu transferir o curso de Educação Física. Isso mesmo, além de treinar, ele fazia duas faculdades totalmente diferentes.

"Eu estava cursando Educação Física, mas abriram uma Universidade Federal em Curitibanos e minha mãe queria que eu fizesse Engenharia Florestal", lembra ele, que acatou o pedido da mãe, mas depois convocou os pais para explicar que seguiria o sonho de ser lutador. "A família sempre vai querer nosso melhor, mas não podia fazer uma coisa que não tinha vontade", explica.

Mas o instinto de aluno e a vontade de aprender seguiram com Glaico. Basta acompanhar um treino e perceber que ele está sempre questionando os treinadores para conseguir o movimento perfeito. "Minha principal meta é evoluir como lutador, o lado pessoal caminha junto com o profissional. Vão sair apenas dois campeões do programa, espero ser um deles, mas sei que vou crescer bastante com os treinos".