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Entrevistas

Gregory Rodrigues dedica vitória ao pai, e garante: “não mostrei todo o meu jogo”

Brasileiro, que venceu estreia no UFC Vegas 28, fala da performance e planos futuros

Vencer a estreia no UFC é uma das metas dos lutadores de MMA. Mas para Gregory Rodrigues, que saiu de mão erguida em seu debute no UFC Vegas 28, no último sábado (5), a situação vem com um misto de emoções, como ele mesmo definiu.

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Isso porque o brasileiro, filho de um professor de capoeira, não contou com a presença física de um de seus maiores incentivadores para comemorar uma das grandes conquistas na carreira.

“Um dos meus maiores sonhos era trazer o meu pai para ver uma luta minha. O sonho dele era ser lutador e não conseguiu, então estava vendo o sonho no filho. Em 2015, eu ia fazer uma luta no Brasil. Eu já morava no Rio de Janeiro e meus pais em Manaus. Consegui comprar uma passagem para eles verem a minha luta, e 10 dias antes a minha mãe chegou ao Rio. Meu pai chegaria no dia seguinte, mas ele faleceu na madrugada. Para a gente foi um choque. Eu tive que ir para Manaus com a minha mãe para enterrar o meu pai, foi muito difícil. A luta estava marcada e eu não saí dela. Ele não ia querer que isso acontecesse”, conta o atleta em conversa com a reportagem do UFC Brasil.

Gregory Rodrigues e seu pai

“Lutei, acabei perdendo por decisão, estava bem mal. Foi um momento muito difícil, mas ao mesmo tempo aquilo me ensinou muito. Desde então, eu consegui olhar para a luta com olhos diferentes. Eu estava vivendo um sonho que era dele, e se tornou meu, e eu vi ele dando a própria vida como se estivesse me lançando. Meu pai e minha mãe trabalharam para me lançar o máximo que eles puderam, e hoje estou dentro do UFC. Devo muito a eles, tudo o que tenho e vivo hoje é resultado do trabalho que eles fizeram. Claro que eu sempre vou honrar meus pais por essa vitória e todas as vitórias da minha vida e da minha carreira. Então eu digo sim que essa vitória é para o meu pai, minha família, minha esposa e as pessoas próximas que sempre deram o máximo delas para que isso acontecesse. Eu creio na vida eterna, creio que vou voltar a ter um tempo com ele ainda e creio que ele viu isso acontecer. Eu sei que ele está orgulhoso. A gente está junto ali no cage, ele está comigo sempre”.

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Em termos de performance, Gregory afirma estar satisfeito. A vitória por decisão sobre Dusko Todorovic veio apenas duas semanas após o brasileiro conquistar o cinturão peso-médio do LFA, mas ele garante que a proximidade entre os combates não interferiu no seu desempenho. Ainda assim, ele afirma que não vimos tudo o que o “Robocop” tem a oferecer.

“Acho que a minha estreia não poderia ser melhor. Me testar dentro do UFC, lutar os três rounds. Foi uma luta muito boa e nem consegui mostrar tudo, não consegui mostrar todo o meu jogo ali. Tem muito mais que eu posso fazer. Mas para mim isso foi muito bom, acho que foi necessário nessa minha estreia, no momento que estou na minha carreira, para eu ver que meu cardio está bom, a cabeça está boa, mantive a estratégia do início ao fim. Mesmo que não tenha vindo um nocaute ou finalização, para mim foi uma grande luta. E o melhor de tudo é que saí com a vitória”.

Gregory Rodrigues reacts after his victory over Dusko Todorovic of Serbia in a middleweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on June 05, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)
Gregory Rodrigues reacts after his victory over Dusko Todorovic of Serbia in a middleweight fight during the UFC Fight Night event at UFC APEX on June 05, 2021 in Las Vegas, Nevada. (Photo by Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Com três vitórias em três lutas, realizadas nos últimos quatro meses, Gregory revela que seu próximo passo é descansar.

“A gente sempre fica pensando na próxima luta, mas o descanso faz parte do processo. Eu acabei de me mudar para a Flórida, cheguei aqui em fevereiro, mas falo que praticamente nem cheguei. Eu vim já com luta marcada, naquela loucura, não tinha nem casa ainda. Agora estou com a minha casa, com a minha esposa, lutei em março, em maio e em junho. E minha cabeça está nesse ritmo de luta, quero lutar de novo, mas vou dar um tempinho de duas semanas até voltar a treinar. Acredito que agosto ou setembro seria um tempo bom para voltar a lutar”, disse, sem citar nomes para um possível próximo adversário.

“Eu acabei de chegar. Eu quero construir a minha carreira bem estruturada, uma base boa e sólida, então não penso em nenhum nome. Eu gosto de pegar desafios que me são oferecidos, e acho que o UFC faz um trabalho muito bom de casar as lutas, então vou esperar o UFC e vou dar o meu melhor sempre. Eu sempre gosto de falar que meus adversários não têm rosto nem nome, é só uma pessoa que vou enfrentar. Não tenho ninguém em mente, nem quero pensar em ninguém. Só quero ir lá e dar o meu melhor”.

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