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Luta entre Hélio Gracie e Masahiko Kimura no Maracanã completa 63 anos

Duelo contou com a presença de 20 mil pessoas e é visto como um dos mais importantes da história do jiu-jitsu

Palco de diversos espetáculos quando o assunto é esporte, o Maracanã foi inaugurado para receber os jogos da Copa do Mundo de 1950, mas sua grandeza não se limita apenas ao futebol. Em 23 de outubro de 1951, o local foi escolhido para uma das lutas mais significativas da história do jiu-jitsu: o duelo entre Hélio Gracie e o japonês Masahiko Kimura.

Tudo começou em novembro de 1950, quando um emissário japonês perguntou a Hélio se ele toparia enfrentar um campeão do país, algo que o brasileiro aceitou prontamente. Sete meses depois, Masahiko Kimura, considerado o judoca número um do mundo, chegou ao Rio de Janeiro acompanhado dos faixas-pretas Yamaguchi e Yukio Kato para promover o esporte. Quando soube da presença dos lutadores, Hélio foi até o jornal Diário da Noite para encontrar Kimura e desafiá-lo para uma luta de submissão. No entanto, ficou definido que o brasileiro teria que vencer Kato antes de lutar contra o pentacampeão mundial da categoria.

Hélio Gracie e Kato se enfrentaram duas vezes. A primeira delas foi no Maracanã, onde empataram após 30 minutos de combate. Não satisfeito com o resultado, o japonês pediu uma revanche. O duelo então foi realizado no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com vitória do brasileiro por estrangulamento pela guarda. Dessa maneira, Kimura se viu na obrigação de enfrentar o mestre de jiu-jitsu.

A luta entre ambos levou 20 mil pessoas ao Maracanã, incluindo Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época. O judoca pesava 30 quilos a mais que Hélio e era quatro anos mais novo. Kimura estava tão confiante que afirmou que o brasileiro poderia ser considerado o vencedor do confronto caso o combate durasse mais de três minutos.
Quando o gongo soou, Hélio agarrou o quimono do japonês e tentou derrubá-lo, mas não teve sucesso. Kimura, então, começou a utilizar uma série de arremessos, com o intuito de fazer com que o brasileiro desmaiasse. Após 10 minutos de luta, o judoca começou a procurar uma maneira de finalizar o combate.

Usando todo seu peso, Kimura caiu sobre o corpo de Hélio e tentou sufoca-lo com a barriga. O brasileiro chegou a ficar inconsciente, mas acordou e continuou lutando. O golpe final veio aos 13 minutos, quando o mestre de jiu-jitsu deixou o braço esquerdo exposto e recebeu um ude-garami invertido. Foi então que Carlos Gracie, irmão de Hélio, jogou a toalha do corner com medo de que ele pudesse ter o braço quebrado, já que se recusava a bater em desistência.

O judô venceu, mas o jiu-jitsu praticado pela família Gracie ganhou reconhecimento e prestígio, com Kimura admitindo publicamente o valor do brasileiro como lutador. Como forma de homenagear o japonês pela vitória, a chave aplicada na luta foi batizada no jiu-jitsu com seu nome. No fim, ao invés de ter seu prestígio abalado pela derrota, Hélio Gracie foi reconhecido como o campeão moral do combate por ter conseguido lutar bravamente com um rival maior e mais forte.