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Lifestyle

“Meu primeiro UFC com Spider”, por Cacá Bueno

Virou uma série: Anderson Silva volta a lutar no Rio em maio e faz famosos relembrarem a primeira vez que o viram em ação ao vivo. Agora é a vez do piloto de Stock Car

A temporada 2019 da Stock Car começa neste fim de semana, na etapa do Velopark, no Rio Grande do Sul, com um marco: é a prova de número 500 da história da categoria, que completa 40 anos. O piloto Cacá Bueno, pentacampeão e maior vencedor em atividade, que foi ganhador de uma das corridas centenárias (a 300, em 2006), está confiante de que possa vencer mais essa etapa. E foi nesse clima de otimismo que ele relembrou sua história com o UFC, opinou sobre a narração de seu pai, Galvão Bueno, e contou sobre sua admiração por Anderson Silva. Veja aqui seu depoimento:

“Admiro tudo quanto é tipo de esporte, assisto tudo quanto é tipo de esporte. E admiro um grande atleta, um grande esportista. O MMA está incluído nisso. Não tenho a menor dúvida de que para um cara ser bem-sucedido no MMA não basta a coragem de entrar num octógono, mas principalmente a quantidade de horas dedicada a treinamento, sua luta incessante por melhoras, a atenção à parte técnica. Sou um admirador do MMA. Nunca fui de praticar luta, mas sempre gostei de um bom esporte. E o Brasil durante um bom tempo foi referência no MMA. Minha relação com o UFC começou há muito tempo, desde o UFC 1, quando eu esperava a fita para assistir com os amigos no videocassete.

O mais bacana de hoje em dia é que a organização não trata o evento só como um esporte – é entretenimento. Essa é uma das lições que o MMA e outros esportes radicados nos Estados Unidos deixaram para os demais. Para o público, não basta ver o esporte em si, tem que ser um grande show, um grande entretenimento. Temos que tratar o público de uma forma diferente. Nem todo mundo que curte determinado esporte entende dele. E isso me marcou muito ao assistir a um evento do UFC ao vivo.

RIO DE JANEIRO, BRAZIL - OCTOBER 13:  Anderson Silva reacts after his TKO victory over Stephan Bonnar during their light heavyweight fight at UFC 153 inside HSBC Arena on October 13, 2012 in Rio de Janeiro, Brazil.  (Photo by Josh Hedges/Zuffa LLC/Zuffa L

Sou daqueles que preferem assistir a um esporte na arena, ao vivo. Tem o cheiro, a emoção, o barulho. Adoro futebol, mas gosto mais de ir ao estádio. Corrida é muito melhor no autódromo. Às vezes você perde um pouco o conforto, especialmente quando falamos de arenas brasileiras. Pode ser ruim de chegar, ruim de estacionar, não ter comida, não ter banheiro. E ainda assim compensa. Imagina então se a gente tivesse um conforto parecido com o que temos em casa? É isso que as melhores arenas do mundo proporcionam – e no Brasil estamos caminhando para isso.

Confira os outros relatos da série: Murilo Rosa | Daniel Zuckerman 

Fui a quase todos os UFCs no Rio de Janeiro e também já fui ver lutas em Las Vegas. Estava no UFC Rio 3, em que Anderson Silva lutou [contra Stephan Bonnar]. Ele tinha um carisma muito forte e uma técnica afiadíssima. Nunca foi o maiorzão, o mais fortão do ringue, mas ganhava. Eu tinha uma admiração especial pelo que ele fazia.

É difícil opinar sobre carreiras, cada um sabe como direcionar a sua. Não estou dizendo que vou aposentar agora, tenho planos para muitos mais anos, mas logicamente estou muito mais perto do fim do que do início. Cada um sabe das dificuldades que tem ao logo dela. Quem sou eu para opinar sobre a do Anderson? Ainda mais ele, que foi o melhor do mundo no que fez por muito tempo.

Ainda sobre o UFC, me lembro que quando meu pai falou que ia narrar MMA [na Globo] eu perguntei: ‘Mas você entende disso aí, pai?’. Ele falou: ‘Entendo, pô, entendo de tudo’, daquele jeitão dele. Então tá bom, pensei. Já vi meu pai fazendo boxe, basquete, natação, atletismo – acho que só não o vi narrando curling, o resto eu vi tudo. E ele rapidamente pegou o jeito da coisa, os termos. É lógico que um cara superentendido, um praticante, pode falar: ‘Pô, o Galvão usou um termo que não é usual’. As pessoas têm dificuldade de entender que quando você fala com uma massa, com o grande público, tem que ser o mais simples e mais claro possível. A principal missão é passar a emoção. Uma senhora de 68 anos que mora no Nordeste e que nunca praticou luta, nem ninguém da família praticou, está assistindo e precisa entender também. Então acho que ele fez muito bem isso: conseguiu transmitir sem perder a parte técnica, mas simplificar o esporte pra que mais pessoas pudessem admirar o UFC.”