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Minha luta inesquecível: Jéssica Andrade

Em depoimento exclusivo, brasileira relembra combate que marcou sua vida: a conquista do cinturão peso-palha no duelo com Rose Namajunas, dia 11 de maio de 2019, no UFC 237

Eu estava muito feliz. Na semana da luta, tinha uma alegria que não cabia dentro de mim. Lutar em casa, comendo a minha comida, respirando o mesmo ar de todos os dias no clima maravilhoso do Rio de Janeiro, com a família por perto… foi uma semana muito boa. E eu bati o peso super bem.

Antes da pesagem, a gente estava no saguão do hotel e a Fernanda (esposa de Jéssica) falou:

“Amor, vamos fazer algo diferente? Vamos agradecer a Rose por ter vindo ao Brasil? O que você acha de entregar uma rosa para ela?”.

Eu achei uma ideia maravilhosa. A gente sabe que a Rose é muito focada, muito centrada. Ela usa isso como incentivo para lutar melhor. Ela usa o ódio que a pessoa passa para ela como força e coloca isso dentro do Octógono. A Fernanda quis quebrar isso. Então levei a rosa na mochila e na hora da encarada, entreguei dizendo ‘bem-vinda ao Brasil’.

Jéssica Andrade entrega rosa a Rose Namajunas na pesagem do UFC 237, em maio de 2019, no Rio de Janeiro.

Ela não conseguiu ficar séria, me deu um abraço, foi muito legal. Acho que consegui mostrar o respeito pela nossa profissão, pela carreira dela, por tudo que ela passou na vida e dizer que a gente iria fazer uma luta incrível no dia seguinte. E foi.

Eu estava tranquila, sabia tudo o que tinha que fazer dentro do Octógono. A estratégia era colocar para baixo, trabalhar o ground and pound e cansar a Rose para, quem sabe, buscar o nocaute no 3º ou 4º rounds. No vestiário, conversando com o Mestre (Gilliard Paraná, treinador de Jéssica) antes da luta, ele falou:

“Filha, não tem problema se você perder o 1º round. Vamos ver o que ela tem para oferecer. A gente vai ganhar essa luta do 2º round em diante”.

Dito e feito.

Quando consegui levá-la para a grade, quando fiz a pegada mão com mão, escutei o Mestre dizendo, “Joga ela para cima que você vai conseguir a queda”. É uma queda que eu faço em praticamente todas as minhas lutas.

Acho que ela treinou muito a finalização com a kimura, a americana no braço, e em todas as quedas em que eu a erguia acima da cabeça, ela tentava a mesma posição. Então inverti, coloquei minha cabeça para o lado de fora e fiz o giro como se estivesse jogando um saco de batatas no chão. Ela soltou meu braço e acabou caindo naquela posição.

Jéssica Andrade comemora com o cinturão após vencer Rose Namajunas no UFC 237, em 11 de maio de 2019, no Rio de Janeiro.

De começo, achei que tinha feito alguma coisa errada. Pensei: “Tomara que tenha valido a queda, tomara que eu não tenha matado ela”. A primeira sensação foi de preocupação, de achar que eu não tinha ganhado. Mas quando subi na grade e olhei todo mundo gritando e comemorando, percebi que ganhei a luta. Foi uma emoção muito grande.

Minha família estava ali, a mãe do Mestre estava ali. Sem ela, talvez ele não tivesse continuado no mundo da luta, e talvez eu não estivesse aqui hoje. Foi um momento de muita gratidão. Não só pela minha equipe, pelo meu Mestre, mas pela minha vida, por tudo que passei até chegar ali. Foi a realização de um sonho.

Até hoje olho e penso: “Não acredito que isso aconteceu comigo”.

Reveja a luta na íntegra:

UFC 237: Rose Namajunas x Jéssica Andrade
UFC 237: Rose Namajunas x Jéssica Andrade
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