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Natalia Silva poses outside of Delta Center in Salt Lake City, Utah on September 29, 2026. (Photo by Kiana Solomon/Zuffa LLC)
Entrevistas

Natália Silva comemora chance pelo cinturão: "Acreditar me trouxe até aqui"

Brasileira encara Wang Cong na luta principal do UFC 332, valendo o título vago do peso-mosca, neste sábado (3)

Para a brasileira Natália Silva, o cinturão peso-mosca sempre foi o grande objetivo de sua carreira nas artes marciais mistas, independentemente de quem estivesse com ele. Neste sábado (3), a mineira terá a oportunidade de conquistar o título ao enfrentar Wang Cong na luta principal do UFC 332, em Salt Lake City, nos Estados Unidos.

A brasileira chegou a ficar triste quando soube que não enfrentaria Valentina Shevchenko, que era a dona do título até o fim de agosto. A frustração, porém, logo deu lugar à felicidade ao descobrir que a ex-campeã deixou seu posto para tratar de uma lesão e que ela disputaria o cinturão vago da categoria. O foco, afinal, nunca esteve em uma adversária específica, mas na chance de chegar ao topo da divisão até 57 Kg.

“Quando anunciaram que eu não lutaria contra a Valentina, fiquei chateada porque ela tinha o cinturão e eu queria ele. Era por isso que eu queria enfrentá-la, porque ela era a campeã e eu estava buscando o título, mas quando soube que disputaria o cinturão vago, fiquei feliz do mesmo jeito. Meu propósito, meu trabalho e tudo o que faço é para ser campeã. No sábado, vou atrás disso”, disse em entrevista exclusiva ao UFC.

Natália Silva caminha no Octógono antes da luta com Alexa Grasso no UFC 315, em 10 de maio de 2025. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)

Natália Silva caminha no Octógono antes da luta com Alexa Grasso no UFC 315, em 10 de maio de 2025. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)


Aos 29 anos, Natália é natural de Pingo-d’Água, cidade mineira com cerca de cinco mil habitantes. Ela começou no taekwondo aos 16 anos e migrou para o MMA dois anos depois, mas teve um início difícil, com derrota na estreia, vitória por desclassificação na segunda luta e duas derrotas por finalização na sequência. 

Depois de perder para Marina Rodriguez no fim de 2017, quando tinha um cartel de seis vitórias, cinco derrotas e um empate, ela iniciou três meses mais tarde a sequência de 14 triunfos consecutivos que permanece ativa. No UFC, a brasileira soma duas vitórias pela via rápida e seis decisões unânimes, batendo ex-campeãs como Alexa Grasso, Jéssica Andrade e Rose Namajunas – uma campanha construída com base em consistência e superação.

“Eu acredito que o que me trouxe até aqui foi acreditar em mim, nunca desistir e continuar independentemente do que acontecesse. Passei por muitos desafios e, em vários momentos, pensei em desistir, mas Deus sempre me fortaleceu e colocou pessoas ao meu redor para me inspirar a continuar”, afirmou.

O período mais complicado ocorreu entre a última vitória no cenário regional e a estreia no UFC. Foram 30 meses de espera, durante os quais a lutadora quebrou o nariz uma vez e o braço em duas oportunidades. A emoção de finalmente disputar o título ficou evidente durante a conversa. Feliz e agradecida, Natália destacou o trabalho feito na preparação e a importância de aproveitar cada momento da semana mais especial da carreira. 

“Se eu pudesse conversar com aquela Natália do passado, diria que Deus não fez aquilo sem motivo. Ele estava me preparando, dando força e mostrando que eu teria uma bela trajetória, uma chance de disputar o cinturão e me tornar campeã algum dia. Estou muito feliz e muito empolgada para essa luta. Treinei bastante, sou muito grata por este momento e trabalhei a vida inteira para chegar até aqui”.

Natália Silva comemora a vitória sobre Rose Namajunas no card principal do UFC 324. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)

Natália Silva comemora a vitória sobre Rose Namajunas no card principal do UFC 324. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)


Natália, no entanto, terá uma difícil missão pela frente. Wang Cong chega a Salt Lake City embalada por quatro vitórias consecutivas e é conhecida pela velocidade e pelo poder na trocação, características que Natália reconhece como ameaças importantes. Para superar a chinesa, a mineira pretende manter o estilo que a levou até a disputa pelo título, apostando em movimentação, criatividade e leitura dos melhores momentos para atacar. 

“Como vou superar a trocação dela? Sendo a Natália, sendo eu mesma. Vou ser criativa, me movimentar, dançar do meu jeito pelo Octógono e aproveitar as oportunidades para vencer a luta e me tornar campeã. Wang é uma grande striker, muito rápida e também tem potência. Acho que ela representa perigo porque, se está tendo a oportunidade de disputar o cinturão, significa que é uma adversária dura”, analisou a brasileira.

A disputa representa mais do que a possibilidade de alcançar o principal objetivo esportivo. Natália também carrega o peso dos sacrifícios feitos ao longo da carreira, como o tempo longe da família durante um período de treinos no México, quando seu sobrinho nasceu.

E garante: tudo valerá a pena no fim.

“Só eu sei como foi difícil chegar até aqui e tudo o que precisei abrir mão. Sei o quanto essa jornada foi dura, então vou comemorar muito quando anúnciarem meu nome como vencedora no Octógono e colocarem o cinturão em mim. Vocês vão me ver rindo, vão me ver chorando. Perder o nascimento do meu sobrinho foi muito triste. São momentos que não posso recuperar, que não tem como voltar atrás, então, no fim, irei celebrar muito todos os frutos do meu trabalho”.