A mineira Natália Silva viveu um 2024 intenso. No Octógono, ela continuou sua trajetória rumo ao topo da categoria e venceu os dois duelos que fez no ano. Na vida pessoal, ela enfrentou uma situação delicada com a perda de sua irmã. Entre momentos de alegria e de tristeza, a atual 5ª colocada no ranking peso-mosca pensa no futuro e espera ter um 2025 com menos altos e baixos, mas mais marcante do que o ano passado.
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“Esse foi um ano de muitas realizações para mim. Foi muito feliz, mas também muito triste e desafiador”, destacou Natália durante uma conversa exclusiva com a equipe do UFC.com.br. “Consegui andar no ranking, mas também enfrentei uma perda muito grande. Apesar disso, sou muito grata por tudo o que aconteceu – pelas dificuldades e pelas vitórias”.
Desde que entrou no UFC, Natália não sabe o que é perder. A mineira fez sua estreia em 2022 e venceu a então favorita Jasmine Jasudavicius por decisão unânime. Ela entrou mais cinco vezes no Octógono desde então e superou todas as rivais, colocando-se hoje como a principal estrela em ascensão do peso-mosca.
Natália Silva comemora sua vitória no UFC Vegas 73. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
Porém, nem sempre Natália foi vista desta maneira. Antes de lutar na organização pela primeira vez, ela ficou três anos sem competir e era pouco conhecida pelos fãs e até mesmo por outras lutadoras. Três anos depois da estreia, tudo mudou.
“Quando comecei aqui no UFC, as pessoas me olhavam com o pé atrás, mas depois passaram a me ver como uma realidade. Ninguém acreditava na minha vitória na minha primeira luta. Fui tratada como azarona, mas, quando venci, a reação foi de surpresa: ‘Quem é essa menina?’. Até as adversárias, ao falar sobre mim, passaram a mostrar mais respeito, cientes do risco que é lutar comigo”.
E esse risco foi realmente mostrado, especialmente nos nocautes em cima de Tereza Bleda e Victória Leonardo, mas foi seu último triunfo no Octógono que realmente lançou Natália a um novo patamar.
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A maior vitória da carreira
Natália já havia superado oponentes ranqueadas, como Andrea Lee e a compatriota Viviane Araújo, mas o confronto contra a ex-campeã peso-palha e ex-desafiante ao cinturão peso-mosca Jéssica Andrade no UFC Vegas 97, em setembro, foi sua verdadeira prova de fogo na organização.
Ambas são especialistas na trocação. Enquanto Natália é uma lutadora técnica, que usa bem os chutes para manter a distância e aproveitar as brechas na guarda, Jéssica tem um estilo mais agressivo e mãos pesadas, que lhe renderam o recorde do maior número de vitórias entre as mulheres na história do UFC.
Natália Silva golpeia Jéssica Andrade no UFC Vegas 97. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
“A Jéssica é uma atleta muito dura. Ela venceu todas as brasileiras que enfrentou, então, quando recebi o desafio, eu falei: ‘Vamos. Nós vamos vencer’, comentou.
E ela conseguiu. Depois de 15 minutos movimentados, a mineira teve seu braço levantado pelo árbitro central após a decisão unânime dos juízes e entrou no Top 5 do peso-mosca.
“Foi maravilhoso. Existem vitórias por pontos que valem mais do que nocautes. Se eu tivesse nocauteado ela com um chute ou um golpe, por exemplo, mencionariam isso como sorte. Mas você conseguir fazer os três rounds, conseguir se impor os três rounds, conseguir lutar da forma como foi, para mim foi melhor. A Jéssica é um grande nome não só no Brasil, mas mundialmente. Foi a vitória mais importante da minha carreira”.
Cinturão na mira e mentalidade de campeã
O ano de 2025 pode ser crucial para a carreira da lutadora. Agora na elite da categoria, ela sabe que mais uma vitória pode colocá-la na posição de próxima desafiante ao cinturão que hoje pertence à Valentina Shevchenko, única atleta a conquistar duas vezes o título peso-mosca.
Apesar da proximidade com seu objetivo final, Natália analisa todas as possibilidades com calma e prevê que a chegada ao topo acontecerá naturalmente. “Acredito que a Fiorot e a Shevchenko devam disputar o cinturão em breve. É difícil traçar um caminho, pois quem define isso é o UFC. Se me falarem que minha próxima luta é a do título, estou aqui. Minha meta agora não é fazer dinheiro, é chegar ao cinturão, é ser campeã. Tudo o que precisavam ver sobre mim já foi mostrado".
Natália Silva dá entrevista após a vitória no UFC Vegas 73. (Foto por Chris Unger/Zuffa LLC)
E para ser campeã, é preciso ter a mentalidade de uma - algo que Natália reforça a todo instante em seus treinos, orações e rotina.
“Na minha cabeça, eu já sou a melhor. Sempre me vejo assim. Acredito muito no meu potencial de me tornar campeã, e as vitórias do último ano apenas confirmam isso. Não me importa quem o UFC me dá. Se me oferecerem hoje uma Top 1, eu estou pronta. Se cair a luta da campeã e me oferecerem, eu quero. É o que eu falo: treino todos os dias para ser campeã e na minha cabeça eu já sou. Estou preparada para chegar lá, lutar, dar meu melhor e vencer. Ir atrás da vitória sempre”, finalizou.