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Blogs - Marcelo Alonso

Os 10 melhores de 2018

Confira uma análise do jornalista Marcelo Alonso sobre os lutadores que mais se destacaram no último ano

Depois deste UFC 232 que fechou o calendário do UFC em 2018 em grande estilo, com Amanda Nunes e Jon Jones conquistando cinturões e fazendo história, é hora de fecharmos o ano escolhendo os 10 maiores de 2018.

1 - Daniel Cormier

Só o fato de conseguir três vitórias consecutivas após sofrer o único nocaute da sua vida (para Jon Jones em julho de 2017, no UFC 214) já seria suficiente para que Daniel Cormier figurasse em qualquer lista dos top 10 de 2018. Mas levando em conta o nível dos oponentes e o que estas vitórias representaram, Cormier tem que ser escolhido como lutador do ano de 2018.

Ele abriu o ano conquistando o cinturão dos meio-pesados (vago após Jones ser suspenso por doping) nocauteando Volkan Oezdemir, que vinha de uma sequência de 5 vitórias. Seis meses depois, disputou o cinturão da categoria de cima contra o peso pesado mais dominante da história do evento, Stipe Miocic, e o nocauteou ainda no 1º round. Em novembro, ainda voltou ao octógono para dar uma aula de wrestling no gigante “das bolas quentes” Derrick Lewis, o finalizando com um mata-leão no 2º round. Com este ano perfeito, Cormier não só foi apontado como melhor lutador do ano, como entrou na lista dos melhores de todos os tempos. Um posto que ele certamente poderá disputar em 2019 se aceitar o desafio que Jon Jones fez após a vitória contra Gustafsson no UFC 232. Os fãs aguardam ansiosos pela trilogia, antes da prometida aposentadoria do campeão em março, quando completa 40 anos.

2 - Amanda Nunes

Como escrevi no último artigo aqui no blog, o último UFC do ano valia muito mais que cinturões para os desafiantes Amanda Nunes e Alexander Gustafsson. Afinal não é todo dia que se tem a oportunidade de enfrentar os melhores da história. Gustafsson sucumbiu, mas Amanda surpreendeu o mundo das lutas, não só por acabar com a invencibilidade de 13 anos da lutadora mais dominante da história do esporte, mas pela maneira como conseguiu, aplicando dois knockdowns antes de nocautear a campeã em 51 segundos, completando suas 10º vitória em 11 lutas no UFC e se tornando a primeira mulher a acumular títulos em duas divisões (galo e pena). A conquista da baiana iniciou imediatamente um polêmico debate nas redes sociais. Com a vitória, Amanda roubaria de Cyborg também o título de maior de todos os tempos? 

Na minha opinião, sim. E explico o porquê. Quem acompanha meus textos aqui no blog sabe que sou um crítico ferrenho dos “destruidores de legados”, sempre ansiosos em definir novos “maiores de todos os tempos”. Principalmente quando os lutadores em questão são de gerações diferentes (como Fedor e Miocic, por exemplo). Também não acho justo comparar legados quando dois lutadores se enfrentam em momentos distintos da carreira (Anderson e Adesanya, por exemplo). Não é o caso em questão. Cris Cyborg e Amanda Nunes estão no ápice de suas carreiras, tem praticamente a mesma idade (33 e 30) e número de lutas (23 e 21), além de medidas bem próximas (ambas tem 1,72m). A única diferença no currículo é que Amanda já perdeu quatro vezes no decorrer de sua carreira e Cyborg tinha perdido apenas uma. Ambas também enfrentaram as oponentes mais duras de suas respectivas divisões, sendo que Amanda venceu no 1º round Miesha Tate e Ronda Rousey e duas vezes por pontos a atual campeã dos moscas, Valentina Schevchenko. Posto isso, pela maneira dominante como Amanda venceu Cyborg em seu próprio território, acho justíssimo que a baiana passe a ser apontada como maior de todos os tempos.

Por todo histórico de 13 anos invicta que construiu, obviamente Cyborg merece a revanche. Assim como Joanna mereceu após ser nocauteada por Namajunas. O fato é que mais cedo ou mais tarde, esta revanche terá que ocorrer e, mais uma vez, tem tudo para ser a maior luta feminina de todos os tempos, com a vitoriosa saindo com o título de maior lutadora da história do MMA. Ou, se Cris Cyborg conseguir a vitória, com a trilogia já garantida. Uma coisa é certa, os fãs não deixarão que esta história termine no UFC 232. 

3 - Khabib Nurmagomedov

Finalmente a justiça foi feita entre os leves. Depois de seis anos de domínio absoluto no UFC, Nurmagomedov conseguiu o cinturão da divisão. A luta pelo título seria contra Tony Ferguson, que se contundiu na semana do evento e foi substituído por Al Iaquinta.

Após dominar o americano por 5 rounds e faturar o cinturão em abril, Khabib conseguiu fazer a primeira defesa contra Conor McGregor em outubro, aplicando uma verdadeira surra no irlandês falastrão, que acabou finalizado no 4º round.

Khabib trouxe ao UFC um jogo de quedas complementado por domínio absoluto no solo que nunca tinha sido visto. Mesmo apresentando um boxe rudimentar, o russo tem sido, indiscutivelmente, o lutador mais dominante do evento. Único atleta na atualidade que tem um currículo de 27 lutas sem derrotas.  

Nos próximos meses o UFC deverá anunciar a segunda defesa de Khabib. Tudo indica que contra o americano Tony Ferguson que esta há 11 lutas sem perder e tem tudo para ser o maior desafio da carreira do russo.

4 - Henry Cejudo

Este é outro nome que não pode faltar na lista de melhores do ano. O campeão olímpico de wrestling fez apenas uma luta em 2018 e venceu em decisão dividida, mas o oponente era simplesmente o homem que bateu o recorde de defesas de cinturão de Anderson Silva, Demetrious Johnson. Realizada em agosto no UFC 227, a luta foi, na verdade, uma revanche. No primeiro encontro, DJ havia nocauteado o novato ainda no 1º round. Foi então que Cejudo deu um dos maiores exemplos de dedicação que este esporte já viu. Se internou no Brasil com os irmão Pitbull e Alex Pantoja. Melhorou seu chão e seu kickboxing, conseguiu duas vitórias no UFC e a oportunidade da revanche de sua vida.

O fato é que, com apenas cinco anos de MMA, o campeão olímpico conseguiu vencer o atleta mais dominante da história do UFC.

Já em sua primeira defesa de cinturão, Cejudo terá um senhor desafio. O nocauteador e também campeão de wrestling TJ Dillashaw, atual detentor do cinturão dos galos, que desce para os moscas para enfrentá-lo na luta principal do UFC Brooklyn, no dia 19 de janeiro.

5 - Max Holloway

Ele teve sua carreira ameaçada quando passou mal e não bateu o peso para sua terceira defesa de cinturão, contra Brian Ortega, no UFC 226. Como os exames médicos não foram conclusivos, chegou-se a cogitar que o problema seria decorrente de uma concussão ou algum problema cerebral mais grave, que talvez pudesse levar a uma aposentadoria prematura o homem que venceu duas vezes o maior peso pena da história do UFC, Josè Aldo. Foi então que o UFC decidiu dar quase seis meses para o campeão se recuperar inteiramente e remarcou a luta para o UFC 231, em dezembro.

Pois o invicto Brian Ortega (15-0), que vinha de um nocaute impressionante sobre Frankie Egar em março, não representou risco em nenhum momento para o campeão, que, numa atuação fantástica, conseguiu o nocaute técnico ao final do 4º round. Diante da falta de desafios para Holloway na divisão e dos problemas que o campeão vem tendo para bater peso, Dana White anunciou que ele passará a lutar entre os leves, trazendo mais emoção para a divisão de Nurmagomedov e abrindo espaço para Aldo, Moicano, Ortega e tantos outros talentos disputarem o cinturão dos penas em 2019.

6 - Tyron Woodley

Outro que só fez uma luta em 2018, mas pelo peso da vitória merece muito um lugar entre os melhores do ano, é o campeão dos meio-médios Tyron Woodley. Depois de manter seu cinturão vencendo Stephen Thompson e Demian Maia de maneira burocrática em 2017, Woodley fez uma luta absolutamente fantástica contra o desafiante Darren Till, que vinha de uma seqüência invicta de 17 lutas. Além de dominar o striker em pé, Woodley usou seu wrestling e jiu-jitsu para vencer o inglês. Após aplicar uma queda no inicio do 2º round e puni-lo com quase 3 minutos de ground and pound o campeão, encaixou um triangulo de mão e obrigou o garoto a bater.

7 - Rose Namajunas

Para aqueles que achavam que o nocaute técnico no 1º round de Rose Namajunas sobre a campeã mais dominantes da história dos palhas, Joanna Jedrzejczyk, no UFC 217, havia sido golpe de sorte, ela voltou cinco meses depois no UFC 223 e mais uma vez dominou a polonesa. Desta vez vencendo quatro dos cinco rounds e merecendo uma vitória por decisão unânime. Este ano, Namajunas deverá fazer sua segunda defesa contra a brasileira Jéssica Andrade.

8 - Thiago Marreta

Outro que merece menção especial. Marreta fez cinco lutas em 2018 em duas divisões diferentes, conquistou quatro vitórias e se firmou como novo ícone do nosso MMA. Começou o ano nocauteando Anthony Smith no 2º round, em fevereiro. Aliás, depois da derrota, Smith subiu para os meio pesados e atropelou Shogun, Rashad e Oezdemir, passando a ser o 3º do ranking. Em abril Marreta foi surpreendido por David Branch, mas não esmoreceu. Na sequência, venceu Kevin Holland em agosto, na decisão, e decidiu seguir os passos de Smith subindo para os meio-pesados.

Na divisão de cima realizou seu sonho de fazer a primeira luta principal do UFC em setembro, em São Paulo, onde nocauteou Eryk Anders, que aceitou substituir Jimi Manuwa em cima da hora. Dois meses depois, Marreta foi ao Canadá enfrentar Jimi Manuwa (dezembro), completando o melhor ano de sua carreira com um nocaute espetacular no 2º round, conquistando o 7º lugar do ranking. No dia 23 de fevereiro, Marreta enfrenta o 4º do ranking no UFC Praga. Se vencer, o garoto da Cidade de Deus estará a uma luta do cinturão dos meio-pesados.

9 - Israel Adesanya

Ele estreou no UFC em fevereiro como talento do kickboxing que poderia ter futuro no MMA. Exatos doze meses depois, terá a chance de enfrentar o maior peso-médio da história e seu ídolo no esporte, Anderson Silva, no UFC 234. A vitória valerá a chance de disputar o cinturão dos médios com o vencedor da luta principal deste mesmo evento, entre o campeão Robert Whittaker e o desafiante Kelvin Gastelum. Em apenas 10 meses de UFC, Adesanya enfileirou Rob Wilkinson (TKO), Marvin Vettori (dec), Brad Tavares (dec) e mostrou que já merecia figurar entre os top 10 com um nocaute no 1º round sobre Derek Brunson.

10 - Jéssica Bate-Estaca

Ela não poderia ficar de fora de uma lista dos melhores do ano. Depois de dominar a duríssima Tecia Torres numa vitória unânime em fevereiro, Jéssica atropelou em pouco mais de um minuto Karolina Kowalkiewicz, a última mulher que conseguiu vencer a atual campeã Rose Namajunas. Primeira da divisão dos palhas, Jéssica certamente terá em 2019 a chance de lutar pelo cinturão. Caso vença, garantirá o 3º cinturão brasileiro no UFC.

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Amanda Nunes é a maior lutadora da história do UFC?

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