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PREVIEW UFC 202, por Alexandre Matos

Alexandre Matos é fã de todos os esportes de combate. Ele estará aqui toda semana para comentar e palpitar os eventos

Jogos Olímpicos chegando ao fim, é hora de voltarmos às atenções com prioridade para o MMA. Este sábado (20) será o primeiro de uma série de nove semanas seguidas com o octógono sendo montado em alguma parte do mundo. O UFC 202, que acontecerá na T-Mobile Arena, em Las Vegas, será o primeiro.

A luta principal do UFC 202 traz um confronto que fez muita gente reclamar do ponto de vista esportivo, mas que poucos vão perder. Nate Diaz e Conor McGregor farão a revanche do combate que rendeu uma das maiores vendagens de pay-per-view da história da companhia. Eles serão antecedidos pelo confronto titânico entre Anthony Johnson e Glover Teixeira, e do importante encontro dos meios-médios Rick Story e Donald Cerrone.
Veja também: UFC 202 em números | A luta inesquecível de Glover | Anthony Johnson - Signature Moves | Olho neles | 5 motivos para não perder | Glover - de lenda urbana a estrela | Johnson: "Glover bate forte como eu"

Vamos ver o que estes combates podem nos apresentar?

Peso Meio-Médio: Nate Diaz vs. Conor McGregor

Não faz muito tempo que Diaz parecia estar a um passo de desistir da carreira. Muito desmotivado, foi escovado por Rafael dos Anjos, nocauteado por Josh Thomson e dominado por Ben Henderson. Quando foi escalado contra Michael Johnson, parecia a pá de cal. No entanto, Nate se reinventou, trouxe de volta seu velho estilo e venceu. Em seguida, conquistou a maior vitória da carreira, pelo menos no sentido de visibilidade, quando finalizou McGregor em março.

A trajetória do irlandês até aqui foi bem diferente. Ele se tornou a maior estrela do UFC na atualidade com nocautes e língua afiada. McGregor viveu um ano mágico em 2015 ao liderar dois eventos que venderam mais de um milhão de pacotes e nocautear Chad Mendes e José Aldo, terminando o ano com o cinturão dos penas. O confronto de março seria pelo cinturão dos leves, na ocasião de posse de Dos Anjos, mas a contusão do brasileiro abriu caminho para Diaz. O resto é história.

Este duelo une dois lutadores com algumas semelhanças e diferenças importantes. Ambos se fundamentam no striking. McGregor traz mais um misto de caratê com taekwndo, cheio de chutes rodados e socos em linha, especialmente utilizando a falsa guarda, que é quando o tronco e os braços parecem estar longe demais, mas o pé da frente está posicionado dentro do raio de ação, o que faz com que apenas um giro rápido de quadril seja suficiente para acertar o alvo. Já Diaz tem um boxe que parece ser desajeitado, mas que traz um volume de golpes assombroso e uma precisão que vão minando os oponentes. Em meio a isso, seu estilo provocativo tem até os Stockton Slaps, vulgarmente conhecidos como tapa na cara mesmo, que deixam os adversários irritados.

Na luta agarrada, Conor já mostrou categoria ofensiva no wrestling, mas o lado defensivo é muito deficiente e facilmente explorável por especialistas. Nate é faixa-preta de Cesar Gracie, bastante perigoso no chão, com um instinto finalizador aguçado mesmo com as costas no chão. Porém, o wrestling ofensivo não é dos melhores, o que dificulta sua tarefa contra bons defensores de queda.

No primeiro encontro, McGregor sentiu o sobrepeso por estar lutando pela primeira vez como meio-médio e viu seu ritmo cair. Diaz, que começou lento por ter aceitado a luta de última hora, cresceu e aproveitou o lapso de rendimento do irlandês, chegando à finalização. Para esta revanche, teremos um irlandês mais bem adaptado ao excesso de peso e um norte-americano com camp de treinamento completo. E o melhor: os dois tiveram tempo para se preparar para o outro. Se McGregor apostar na potência, poderá ter problemas com a durabilidade de Nate. Se apostar na velocidade, dará um passo importante para a vitória.

Palpite: Nate Diaz por submissão.

Peso Meio-Pesado: Anthony Johnson vs. Glover Teixeira

O retorno de Johnson ao UFC, finalmente como meio-pesado, rendeu nocautes brutais e uma disputa de cinturão. Na ocasião, ele quase arrancou a cabeça de Daniel Cormier do pescoço, mas o rival segurou as pontas e o finalizou. Em seguida, mandou Ryan Bader e Jimi Manuwa para as profundezas da vala.

Glover também deixou um rastro de destruição até chegar à disputa do título. Jon Jones o dominou inteiramente e derrubou a confiança do mineiro, que perdeu a luta seguinte para Phil Davis em casa, de modo melancólico. No entanto, a recuperação veio na mesma forma que ele abriu sua participação no UFC, com uma finalização sobre Ovince St. Preux e espancamentos contra Patrick Cummins e Rashad Evans.

Temos aqui um confronto que junta um cavalo com um equino, tamanha a capacidade de destruição que esses sujeitos carregam em seus golpes. Glover tem um boxe devastador, que abre um bom caminho para um wrestling acima da média de seus compatriotas e um jogo de solo versátil, punitivo e finalizador. Anthony confia mais no kickboxing e também é um wrestler competente, até mais do que o brasileiro. Seu problema reside na luta agarrada defensiva no chão, especialidade de Teixeira.

Quando o combate estiver sendo disputado com os lutadores em pé, Johnson terá vantagem por ser mais veloz e com ataques mais diversificados, além de controlar melhor a distância. Se conseguir colocar seu rival com as costas no chão, será questão de tempo até Teixeira forçar os tapinhas de Rumble Johnson em sinal de desistência. No entanto, este momento terá que chegar via knockdown, já que derrubar o americano com uma queda e controlá-lo no solo só foi possível com o wrestling de nível estelar de Cormier.

Palpite: Anthony Johnson por decisão.

Peso Meio-Médio: Rick Story vs. Donald Cerrone

Story foi outro que estava em fase ruim, com mais derrotas do que vitórias depois que viu seu nome cogitado a uma disputa de título por seis triunfos consecutivos. O mau momento ficou para trás quando ele finalmente recuperou a confiança para impor seu jogo. No caminho, finalizou Leonardo Macarrão e bateu Gunnar Nelson e Tarec Saffiedine em importantes decisões que o levaram ao top 10 de uma das mais fortes categorias do MMA mundial.

Sequência de vitórias é algo que Cerrone conhece. Ele teve uma de oito, que o levou a finalmente desafiar o cinturão. Porém, foi facilmente nocauteado pelo então campeão Rafael dos Anjos e achou por bem subir de categoria, já que havia sido batido duas vezes pelo brasileiro. Como meio-médio, o “Cowboy” finalizou Alex Oliveira e nocauteou Patrick Cote com atuações dominantes – a vitória sobre o canadense talvez tenha sido a maior atuação de sua carreira.

A recuperação de Story aconteceu quando ele conseguiu retornar às raízes do boxe de alta potência com um wrestling sufocante. Os golpes na luta em pé até têm saído com maior fluidez, facilitando sua tarefa de encurtar para chegar ao combate corpo a corpo. Por outro lado, Cerrone tem um arsenal ofensivo dos mais diversos de todo o MMA, baseado num muay thai agressivo e de alto poder de definição.

O wrestling definitivamente estará ao lado de Story, mas colocar Cerrone no chão pode representar perigo frente a guarda ativa do “Cowboy”. Porém, Rick é um lutador que sabe aplicar pressão, algo que é a maior dificuldade defensiva de Donald. Deste modo, é provável que Story pressione Cerrone contra a grade e tire seus espaços enquanto o desgasta no clinch. Com o oponente cansado, o risco de ser finalizado diminui enquanto o de punir no ground and pound aumenta, deixando a luta ainda mais a mercê do renovado “História de Terror”.

Palpite: Rick Story por decisão.