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PREVIEW UFC Salt Lake City, por Alexandre Matos

Alexandre Matos é fã de todos os esportes de combate e fundador do site MMA Brasil. Ele estará aqui toda semana para comentar e palpitar os eventos.

O octógono mais famoso do mundo vai desbravar mais um estado americano no próximo sábado, quando chegar a Salt Lake City, capital de Utah. A Vivint Smart Home Arena será palco do UFC Fight Night: Rodriguez vs. Caceres, um evento que aposta mais na qualidade de entretenimento do que no poder de estrela. 
O duelo principal será disputado por dois jovens em ascensão que se especializaram em malabarismos marciais: o mexicano Yair Rodriguez e o americano Alex Caceres. Eles sucederão um par de combates com brasileiros em ação. No mais importante, Rony Jason retorna de suspensão contra Dennis Bermudez, enquanto Thales Leites tenta voltar ao top 10 dos médios diante de Chris Camozzi
Vamos ver o que estes combates nos reservam? 
Peso Pena: Yair Rodriguez vs. Alex Caceres 
Desde que conquistou a primeira edição do TUF América Latina, “El Pantera” Rodriguez soma cada vez mais fãs a cada apresentação. Ele bateu o prospecto Charles Rosa numa excelente luta e Dan Hooker em outra decisão movimentada, mas foi contra Andre Fili que Yair entrou na disputa do nocaute do ano com o chute voador com direito a double step. Simplesmente sensacional. 

Caceres, que veio do TUF 12, é mais irregular que Rodriguez, mas seu estilo nada ortodoxo, cheio de golpes inventivos e uma personalidade atrativa mantiveram seu emprego. Ele então resolveu voltar ao peso pena, depois de um período ruim entre os galos, e anotou duas vitórias seguidas, uma sobre Masio Fullen, fruto do mesmo TUF de Pantera, e outra contra o veterano Cole Miller
Não há quem fique impassível assistindo a Rodriguez lutar. Ele é originalmente um grappler, dono de boas quedas, especialmente o double leg, mas tem um arsenal dinâmico de chutes que vão desde os rodados, voadores até bicicleta e cambalhota. Ele finta os golpes com maestria, tem precisão cirúrgica e atleticismo para implementar um jogo tão bonito quanto imprevisível. No chão, ele imprime ritmo forte nas transições, tem uma guarda ativa e mostra agressividade para buscar as finalizações e trabalhar as cotoveladas no ground and pound.

 
Assim como Rodriguez, Caceres também é um lutador de mentalidade ofensiva, muito criativo, dono de combinações que facilmente pegam seus oponentes desprevenidos. Ele tinha um problema grave, o de ser quase irresponsável taticamente. Nos últimos combates pode-se ver um “Bruce Leroy” (apelido em homenagem ao personagem do lendário filme O Último Dragão, clássico da sessão da tarde) mais disciplinado, desperdiçando menos golpes e ainda assim mesclando bem as combinações de socos e chutes com entradas de quedas. 
Dificilmente este combate não será de excelente nível. O favoritismo é de Rodriguez, mas Caceres é bom o suficiente para lhe dar trabalho seja lá aonde a luta transcorrer. O principal caminho para o americano é quebrar o controle de distância do mexicano e forçá-lo a lutar no infighting, situação em que Yair experimentou problemas contra Rosa. No entanto, o mais provável é que a movimentação lateral constante faça com que El Pantera esteja quase sempre um passo à frente. 
Palpite: Yair Rodriguez por finalização. 
Peso Pena: Dennis Bermudez vs. Rony Jason 
Temos aqui mais um confronto de veteranos do TUF. Bermudez foi finalista da 14ª edição, quando perdeu o título para Diego Brandão, o primeiro brasileiro que venceu o programa. Jason foi o segundo ao conquistar o torneio da temporada inicial do TUF Brasil contra Godofredo Pepey na decisão.

 
Após o TUF, Bermudez emendou sete vitórias e chegou a ter a maior série invicta da divisão, à frente até do então campeão José Aldo. Quando era hora de invadir o top 5 rumo a uma disputa de cinturão, o americano tombou diante de Ricardo Lamas e de Jeremy Stephens, numa luta tão espetacular que só não foi a melhor de 2015 porque aconteceu no mesmo dia de Robbie Lawler vs. Rory MacDonald 2. 
Jason abriu 3-0 no UFC quando foi vitimado por uma canelada monstruosa de Stephens. Em seguida, venceu o parceiro de TUF de Bermudez Steven Siler, perdeu para Robbie Peralta e superou Damon Jackson, mas caiu no antidoping e viu a luta ficar sem resultado. O cearense retorna agora, 14 meses depois. 
Este é um confronto de estilos em quase todos os ramos. Bermudez tem origem no wrestling, Jason vem do jiu-jítsu. Dennis usa um ritmo frenético, quase doentio, enquanto Rony luta mais plantado, menos móvel, mas bem mais potente. Em pé, o americano aposta no boxe e o brasileiro usa mais o muay thai. 
Em seus rompantes alucinados, é comum que Bermudez fique “cego” no meio do tiroteio. Esta será a hora ideal para Jason acertar um petardo, levar o adversário para a lona e finalizá-lo. Porém, o mais provável é que Rony não aguente o ritmo intenso de Dennis. Conforme o compartimento de gás de Jason vai ficando vazio, Bermudez aumentará seu domínio. A vitória do americano pode ser numa decisão larga ou até num nocaute técnico na segunda metade da luta.
Palpite: Dennis Bermudez por nocaute. 
Peso Médio: Thales Leites vs. Chris Camozzi 
Quando voltou ao UFC, em 2013, Thales venceu cinco vezes consecutivas, papando dois bônus de desempenho nas mais recentes, quando nocauteou Francis Carmont e finalizou Tim Boetsch. Dentro do top 10, viu o nível da concorrência subir e os resultados sumirem. Ele teve muita dificuldade com o agora campeão Michael Bisping e não viu a cor da bola diante de Gegard Mousasi.


Camozzi é um sujeito que tem reputação abalada por causa das duas derrotas para Ronaldo Jacaré. A primeira foi seguida de mais três revezes que lhe custaram o emprego. De volta ao UFC, perdeu de novo para o brasileiro, finalizado do mesmo modo. Desde então, Chris nunca mais perdeu: superou Tom Watson numa animada pancadaria, aplicou um violento nocaute com joelhada voadora em poucos segundos contra Joe Riggs e teve a mais sólida atuação da carreira na decisão contra Vitor Miranda
Faixa-preta de jiu-jítsu de alto gabarito, Thales evoluiu bastante em sua segunda passagem pelo UFC. Ele antes tinha apenas punhos pesados em pé, mas pouca capacidade de combinar golpes. O boxe agora está mais polido e ele é capaz de lançar combos com socos e chutes com mais precisão. Como ele ainda bate pesado, ficou mais perigoso em pé. O niteroiense pode melhorar ainda no wrestling ofensivo, o que otimizaria bastante seu jiu-jítsu.


Ex-jogador de rúgbi e praticante de wrestling nos tempos universitários, Camozzi virou um lutador de MMA completo, capaz de trocar golpes em pé, de derrubar e de trabalhar no chão. Ele não é um fenômeno ofensivo em nenhuma área, tampouco é ruim. Defensivamente trata-se de um lutador sólido, capaz de mudar o rumo de uma luta em uma transição mesmo num contragolpe, o que o deixa um passo acima do meio da tabela do peso médio.
Se Camozzi cair por baixo de Thales como caiu contra Jacaré, o destino provavelmente será o mesmo. A questão aqui é que Leites não tem o nível de wrestling do compatriota e talvez a defesa de quedas de Camozzi seja capaz de deter suas tentativas de conduzir o combate para o solo. Neste caso, teremos um duelo equilibrado. O brasileiro sempre terá a seu favor a potência no soco para explorar os momentos de inatividade do americano. Por outro lado, Camozzi usa bem o jab o suficiente para anular as investidas de Leites. 
Palpite: Chris Camozzi por decisão.