Pular para o conteúdo principal
Entrevistas

Priscila Pedrita: “Voltei e vou mostrar quem sou de verdade”

Brasileira conta que pensou em desistir da carreira após derrota em estreia no UFC

As coisas nunca foram fáceis para Priscila “Pedrita” Cachoeira. Após uma dura batalha contra o vício em drogas, ela conseguiu se tornar lutadora profissional de MMA e chegar ao maior palco do mundo, estreando no UFC Belém, em fevereiro de 2018.

Logo de cara, a peso-mosca carioca enfrentou Valentina Shevchenko, e foi finalizada por aquela que meses depois se tornaria campeã da divisão. Além da derrota e da perda da invencibilidade na carreira, Priscila saiu do duelo com uma lesão séria no ligamento do joelho, que retardou seu retorno ao Octógono em mais de um ano.

Neste sábado (16), ela volta à ação, encarando Molly McCann no UFC Londres, e conversou com a reportagem do UFC Brasil sobre o confronto.

Confira o card completo do UFC Londres

UFC Brasil: Antes de chegar ao UFC, você lutava em média a cada dois meses, e logo em sua estreia sofreu uma lesão que a deixou de molho por mais de um ano. Como foi esse período para você?

Pedrita: A luta com a Valentina mexeu muito com meu psicológico, a ponto de pensar em largar tudo, de ligar para o meu mestre e falar: 'Não quero mais fazer parte de nada'. Foi uma derrota seguida de lesão, então me vi meio perdida. Como você falou, eu vinha em um ritmo de lutas consecutivas, não parava de treinar; acabava uma luta no sábado, na segunda-feira eu já estava treinando. Um ano e três meses galgando, entrei para o UFC e veio essa derrota, da forma que foi, seguida de lesão, então fiquei tão triste que pensei em largar tudo. Estava na casa da minha mãe, quando liguei para o meu mestre dizendo que não fazia mais parte da equipe, e ele foi lá e disse: 'Só saio daqui com a minha Pedrita de volta'. Conversamos, choramos, nos abraçamos, e estou aqui hoje. Foi uma lesão grave, muito tempo de recuperação, e no meio disso ainda peguei uma dengue hemorrágica, quase morri. Minhas plaquetas desceram muito e meu joelho inchou novamente, como se tivesse recém-operado, isso também mexeu muito com a minha cabeça. Achava que eu não conseguiria mais voltar. Eu pensava, 'galguei tanto, dei tanto de mim para chegar agora e tudo acabar'. Mas tive um mestre e um pai tão maravilhoso que não permitiu que eu fizesse isso.

UFC Brasil: Mesmo estreando contra aquela que era considerada por muitos a melhor lutadora da divisão, sofrer sua primeira derrota na carreira não deve ter sido fácil. Como você lidou com essa “novidade”?

Pedrita: A derrota para a Valentina mexeu muito com a minha cabeça pela forma que foi. Quando eu entrava nas redes sociais, só escutava 'surra, massacre'. Não pude mostrar como eu sou, como até hoje muitas pessoas duvidam da minha capacidade, do meu potencial. Não sabem quem eu sou. Ainda não consegui mostrar quem eu sou, mas pode ter certeza que sábado todos vão saber quem é a verdadeira Pedrita.

UFC Brasil: Como está sendo a experiência de conhecer Londres e fazer sua primeira luta fora do Brasil?

Pedrita: Nunca saí do Brasil, é a primeira vez. Demos muitas risadas ontem no passeio que a gente fez e nos emocionamos muito. Tive uma ajuda também de um hipnólogo que trabalhou muito minha cabeça durante esse período parada, inclusive ele veio para me acompanhar nesses últimos dias. Estou me sentindo muito confiante e essa viagem, essa luta é minha redenção. Vou conseguir mostrar quem eu sou de verdade, já recuperada, com a cabeça forte, mais blindada do que nunca. Estar aqui em Londres, eu via sempre por filmes, e tem um filme que eu gosto muito que mostra esse rio de Londres (Tâmisa), e eu olhava e pensava, 'nossa, como eu quero conhecer esse lugar', e hoje estou aqui. Me sinto lisonjeada, abençoada por Deus por isso. E mais abençoada ainda por ter conseguido dar a volta por cima.

"Ainda não consegui mostrar quem eu sou, mas pode ter certeza que sábado todos vão saber quem é a verdadeira Pedrita"

Priscila Cachoeira

UFC Brasil: Qual sua expectativa em relação à pressão da torcida, já que estará enfrentando uma atleta da casa?

Pedrita: No UFC é a primeira vez (que luta contra a torcida), mas tive uma luta no Brasil em que assim que eu entrei, a torcida era toda da menina, e eu escutava 'Uh, vai morrer'. Eu só pensei dentro de mim, 'vamos ver quem vai morrer...', tanto que nocauteei a menina com 48 segundos. Eu não me abalo com isso, muito pelo contrário; quando acaba a luta, faço questão de fazer com eles me aplaudam por ter sido merecido. Gosto de dar show, de aplausos, e adoro quando no final, a torcida que estava gritando para ela, grite para mim.

UFC Brasil: Que análise você faz da Molly McCann e como imagina essa luta?

Pedrita: Na minha cabeça, essa luta, na hora em que ela sentir minha mão, vai querer ir para o chão. Mas estou bem preparada nos dois lados. O que ela quiser, estou pronta para ela. Se ela quiser chão, vai ter chão, e se na hora eu quiser defender, vou continuar na porrada até ela cair, e ela vai cair; vou nocautear ela.

UFC Brasil: Algum recado para os fãs?

Pedrita: Estou de volta. Voltei mais forte do que nunca, mais blindada do que nunca, e pronta para mostrar para o mundo inteiro, e para aqueles que nunca acreditaram na minha capacidade. Deus está no controle de tudo, estou fazendo tudo por merecer; Ele sabe tudo o que eu passei. Só tenho a agradecer o carinho e o apoio de todos. Como vocês sabem, eu venho de superação, e a minha meta é salvar vidas, como a minha também foi salva. Gratidão por tudo, e assistam, porque com certeza vocês vão ver a verdadeira Pedrita.

Assine o combate | Siga o UFC Brasil no Youtube