Não há dúvidas de que 2025 foi especial para Raoni Barcelos. Depois de uma temporada impecável dentro do Octógono, com três vitórias sobre adversários de alto nível, o peso-galo brasileiro chega ao fim do ano convicto de que está vivendo sua melhor fase no UFC. Aos 38 anos, o veterano analisa com muito carinho tudo o que passou e olha para 2026 com um objetivo claro: conquistar, enfim, sua vaga no ranking e se colocar entre os principais nomes de uma das categorias mais competitivas da organização.
Após ter feito apenas uma luta em 2024, quando deslocou o ombro contra Cristian Quiñonez e mesmo assim saiu vitorioso, o brasileiro voltou à ativa com força total. Em janeiro, abriu a temporada derrotando Payton Talbott, uma das maiores sensações da divisão, em uma atuação que ele próprio classifica como uma das melhores de sua carreira. Na sequência, venceu o ex-campeão Cody Garbrandt, em junho, e fechou o ano superando Rick Simon em uma batalha duríssima, em novembro, consolidando uma sequência de quatro triunfos que recolocou seu nome em evidência.
“Eu sempre digo que estou melhor a cada luta", disse o peso-galo em entrevista exclusiva ao UFC.com.br. "Me sinto mais maduro, mais saudável, mais ágil. Acho que é só questão de tempo para eu chegar ao ranking e começar a brigar pelo que eu quero, que é ser campeão da categoria. O Payton (Talbott) teve a oportunidade e acabou entrando no ranking primeiro do que eu. Isso, porém, não me deixa nem magoado e nem chateado. Acho que tudo é no tempo de Papai do Céu”.
Raoni Barcelos venceu Ricky Simon no card preliminar do UFC Vegas 111. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
Mais do que os resultados, Raoni destaca a forma como construiu cada vitória. A performance contra Talbott, por exemplo, não apenas lhe rendeu reconhecimento imediato de muitos fãs e especialistas, como também “envelheceu bem” na sua visão, especialmente depois que o norte-americano entrou no Top 15 após vencer Henry Cejudo - inclusive derrubando o campeão olímpico de wrestling algumas vezes durante o confronto.
Para o brasileiro, isso reforça a importância de manter a humildade para continuar sua caminhada e evolução. Todo esse momento positivo passa também por um reencontro com suas raízes técnicas. Raoni voltou a priorizar o jiu-jitsu e o wrestling, áreas onde se sente especialmente dominante, sem abrir mão da trocação. A combinação entre experiência, ajustes técnicos e maturidade emocional o faz acreditar que vive hoje o melhor momento da carreira, sensação reforçada por exemplos que ele carrega como referência.
“A gente tem a história do Charles do Bronxs, que veio trilhando o caminho com dificuldade, apanhando da vida, mas estava ali, vencendo, nocauteando, finalizando todo mundo e virou campeão. Pra mim, ele é campeão eternamente pela trajetória. E o Glover Teixeira, que se tornou campeão com 42 anos…isso me faz acreditar que é possível também, independente da categoria. Inclusive, se estou no MMA hoje é por causa do Glover. É um cara que sempre acreditou em mim”, analisou.
O cenário da divisão dos galos para 2026 não intimida o veterano. Raoni enxerga diversas possibilidades de confrontos que poderiam impulsionar sua caminhada rumo ao topo. Nomes como Rob Font e Marlon Vera aparecem como alvos desejados, além de outros atletas que orbitam a parte inferior do ranking e que, em sua avaliação, fazem todo sentido esportivo neste momento da carreira.
Raoni Barcelos golpeia Payton Talbott na luta de encerramento do card preliminar do UFC 311. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)
“Estou quebrando a banca por conta da idade. Sou o lutador mais velho da minha categoria e hoje tenho quatro vitórias seguidas. Muitos duvidam de mim, mas eu luto como um garoto de 18, 19 anos. A idade é só um número. O que importa é a vontade, o querer, e eu quero estar ali entre os melhores e lutando com os melhores. De verdade, acho que esse ano de 2026 será assim. Quero entrar com tudo mesmo. Vou provar isso para organização e para todos os fãs: eu posso estar lutando ali contra qualquer um. Eu sou um alguém que pertence ao topo e mereço alguém ranqueado, como o Rob Font ou o Marlon Vera”, comentou.
Com planos de retornar ao Octógono entre março e abril, após uma rara pausa para curtir a família e recarregar as energias, Raoni se vê pronto para transformar a excelente fase em algo ainda maior. Carregando a bandeira de quem veio de baixo, construiu tudo na base da persistência e nunca precisou criar um personagem para se destacar, o peso-galo acredita que sua história é, por si só, um convite para o público brasileiro acompanhá-lo de perto ao longo de 2026.
“Eu sou a história que o brasileiro gosta. Venho de baixo, sou 'gente como a gente' e isso faz as pessoas acreditarem. Não preciso criar um personagem, entende? Eu sou eu mesmo, eu sou o Raoni. Quero que a galera sente no sofá, chame a família, os amigos, me dê força. Em 2026, só vem coisa boa. Essa história ainda não terminou e o melhor capítulo está por vir”.