Pular para o conteúdo principal
Raoni Barcelos comemora após a vitória sobre Payton Talbott no UFC 311, em janeiro de 2025. (Jeff Bottari/Zuffa LLC)
Entrevistas

Raoni Barcelos fecha 2025 em alta e mira ranking do peso-galo em 2026

Veterano brasileiro faz balanço de um ano perfeito e projeta salto definitivo na divisão no ano que vem

Não há dúvidas de que 2025 foi especial para Raoni Barcelos. Depois de uma temporada impecável dentro do Octógono, com três vitórias sobre adversários de alto nível, o peso-galo brasileiro chega ao fim do ano convicto de que está vivendo sua melhor fase no UFC. Aos 38 anos, o veterano analisa com muito carinho tudo o que passou e olha para 2026 com um objetivo claro: conquistar, enfim, sua vaga no ranking e se colocar entre os principais nomes de uma das categorias mais competitivas da organização.

Após ter feito apenas uma luta em 2024, quando deslocou o ombro contra Cristian Quiñonez e mesmo assim saiu vitorioso, o brasileiro voltou à ativa com força total. Em janeiro, abriu a temporada derrotando Payton Talbott, uma das maiores sensações da divisão, em uma atuação que ele próprio classifica como uma das melhores de sua carreira. Na sequência, venceu o ex-campeão Cody Garbrandt, em junho, e fechou o ano superando Rick Simon em uma batalha duríssima, em novembro, consolidando uma sequência de quatro triunfos que recolocou seu nome em evidência.

“Eu sempre digo que estou melhor a cada luta", disse o peso-galo em entrevista exclusiva ao UFC.com.br. "Me sinto mais maduro, mais saudável, mais ágil. Acho que é só questão de tempo para eu chegar ao ranking e começar a brigar pelo que eu quero, que é ser campeão da categoria. O Payton (Talbott) teve a oportunidade e acabou entrando no ranking primeiro do que eu. Isso, porém, não me deixa nem magoado e nem chateado. Acho que tudo é no tempo de Papai do Céu”.

Raoni Barcelos venceu Ricky Simon no card preliminar do UFC Vegas 111. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Raoni Barcelos venceu Ricky Simon no card preliminar do UFC Vegas 111. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)


Mais do que os resultados, Raoni destaca a forma como construiu cada vitória. A performance contra Talbott, por exemplo, não apenas lhe rendeu reconhecimento imediato de muitos fãs e especialistas, como também “envelheceu bem” na sua visão, especialmente depois que o norte-americano entrou no Top 15 após vencer Henry Cejudo - inclusive derrubando o campeão olímpico de wrestling algumas vezes durante o confronto. 

Para o brasileiro, isso reforça a importância de manter a humildade para continuar sua caminhada e evolução. Todo esse momento positivo passa também por um reencontro com suas raízes técnicas. Raoni voltou a priorizar o jiu-jitsu e o wrestling, áreas onde se sente especialmente dominante, sem abrir mão da trocação. A combinação entre experiência, ajustes técnicos e maturidade emocional o faz acreditar que vive hoje o melhor momento da carreira, sensação reforçada por exemplos que ele carrega como referência.

“A gente tem a história do Charles do Bronxs, que veio trilhando o caminho com dificuldade, apanhando da vida, mas estava ali, vencendo, nocauteando, finalizando todo mundo e virou campeão. Pra mim, ele é campeão eternamente pela trajetória. E o Glover Teixeira, que se tornou campeão com 42 anos…isso me faz acreditar que é possível também, independente da categoria. Inclusive, se estou no MMA hoje é por causa do Glover. É um cara que sempre acreditou em mim”, analisou.

O cenário da divisão dos galos para 2026 não intimida o veterano. Raoni enxerga diversas possibilidades de confrontos que poderiam impulsionar sua caminhada rumo ao topo. Nomes como Rob Font e Marlon Vera aparecem como alvos desejados, além de outros atletas que orbitam a parte inferior do ranking e que, em sua avaliação, fazem todo sentido esportivo neste momento da carreira.

Raoni Barcelos golpeia Payton Talbott na luta de encerramento do card preliminar do UFC 311. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Raoni Barcelos golpeia Payton Talbott na luta de encerramento do card preliminar do UFC 311. (Foto por Jeff Bottari/Zuffa LLC)


“Estou quebrando a banca por conta da idade. Sou o lutador mais velho da minha categoria e hoje tenho quatro vitórias seguidas. Muitos duvidam de mim, mas eu luto como um garoto de 18, 19 anos. A idade é só um número. O que importa é a vontade, o querer, e eu quero estar ali entre os melhores e lutando com os melhores. De verdade, acho que esse ano de 2026 será assim. Quero entrar com tudo mesmo. Vou provar isso para organização e para todos os fãs: eu posso estar lutando ali contra qualquer um. Eu sou um alguém que pertence ao topo e mereço alguém ranqueado, como o Rob Font ou o Marlon Vera”, comentou.

Com planos de retornar ao Octógono entre março e abril, após uma rara pausa para curtir a família e recarregar as energias, Raoni se vê pronto para transformar a excelente fase em algo ainda maior. Carregando a bandeira de quem veio de baixo, construiu tudo na base da persistência e nunca precisou criar um personagem para se destacar, o peso-galo acredita que sua história é, por si só, um convite para o público brasileiro acompanhá-lo de perto ao longo de 2026.

“Eu sou a história que o brasileiro gosta. Venho de baixo, sou 'gente como a gente' e isso faz as pessoas acreditarem. Não preciso criar um personagem, entende? Eu sou eu mesmo, eu sou o Raoni. Quero que a galera sente no sofá, chame a família, os amigos, me dê força. Em 2026, só vem coisa boa. Essa história ainda não terminou e o melhor capítulo está por vir”.