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Reginaldo, a triste perda do seu pai-herói

 

A vida de um lutador profissional não é fácil. São várias horas de treinos por dia, dedicação durante anos e é preciso abdicar da maioria dos programas de lazer. Reginaldo Vieira segue à risca todos esses tópicos, mas passou por um problema pessoal ainda mais sério e dramático.

Ele tinha 17 anos e morava no interior de São Paulo, Santa Izabel, quando a polícia foi até seu trabalho - era ajudante de pedreiro - avisar que um vizinho tinha agredido seu pai, que estava internado no hospital. "Achei que era uma simples agressão, que logo ficaria tudo bem", conta ele, que na época já tinha o patriarca como maior herói.

Chegando no hospital o médico avisou que o incidente era mais sério. Seu pai estava inconsciente, não voltaria a falar e, se sobrevivesse, ficaria em estado vegetativo. "Meu pai foi brutalmente assassinado a enchadadas. Faz mais de dez anos que não assisto filmes de terror, porque vivi uma dessas cenas no hospital", lembra o lutador.

Já com os olhos cheios de lágrimas e a fala trêmula, Reginaldo conta que o médico liberou sua entrada para um visita, mas ele não reconheceu seu pai, que estava completamente desfigurado. Uma semana depois, para a surpresa de todos, o pai de Reginaldo teve uma recuperação inexplicável e estava conversando perfeitamente. Mas morreu dois dias depois. "Ele quebrou todas as regras da ciência, foi uma permissão de Deus para se despedir de mim".

Depois disso, Reginaldo decidiu se mudar para São Paulo. Fã do desenho Street Fighter, ele sempre gostou de lutas, mas não tinha condição financeira para pagar uma academia. "Só comecei a treinar quando consegui um emprego com carteira assinada, em uma doceria". Mesmo assim, ele ainda tinha outra dificuldades. O caminho da zona leste para a zona sul, local da academia, leva mais 1h30 apenas um trecho.

Mas o lutador persistiu no seu sonho. Começou no jiu-jitsu, foi para o muay-thai, se tornou campeão de boxe e estreou no MMA. Apesar de sempre chorar quando fala do seu pai, ele explica que lembra do seu herói quando entra no octógono. "Eu sei que vou enfrentar apenas uma pessoa, enquanto meu pai enfrentou a morte. Minha missão é muito mais fácil que a dele".

Além de ser campeão, o maior sonho de Reginaldo é ter filhos e formar uma família com sua esposa. "Todo homem precisa deixar um legado, espero criar bem meus filhos". Enquanto os herdeiros não nascem ele vai tratando de cuidar dos seus quatro gatos: Maximus, Loira, Alemão e Nega. "Minha casa é pequena, mas tento dar tudo de melhor para os meus gatinhos", conta ele.