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Túnel do Tempo, por Denis Martins

O carioca e tricolor Denis Martins é uma enciclopédia do MMA e traz histórias, causos e contos do MMA
 
 


 
E lá se foram 20 anos. No dia 07 de abril de 1995, Royce Grace e Ken Shamrock surpreenderam o mundo com a luta mais longa da sua história do UFC. Rivais desde a primeira edição do Ultimate, os atletas se enfrentaram por longos 36 minutos, no UFC 5 - The Return of the Beast.

36 minutos durou o combate entre Royce Grace e Ken Shamrock

O duelo marcava a revanche entre o brasileiro e o norte-americano. Um combate alimentado por provocações de ambos e pela maneira como Shamrock foi finalizado no primeiro encontro. Na ocasião, Gracie passou pelo favorito "Homem Mais Perigoso do Mundo" com um mata-leão em apenas 57 segundos de luta.
 A adrenalina em torno da luta deixava os críticos da época intrigados em como Shamrock neutralizaria o jogo de chão do membro da família Gracie e bicho-papão do MMA, e qual seria o comportamento de Royce Gracie. Para os fãs, a estranheza em relação a concepção daquela super luta, afinal Royce era um super campeão e o máximo que Shamrock tinha alcançado foi a posição de semifinalista no UFC 1 e “finalista que não fez a final” devido a uma lesão no UFC 3.
Mas existia um grande motivo para o tira-teima. Nos primórdios do UFC, Shamrock era uma espécie de “Golden Boy” da associação, e baseado no seu sucesso em lutas no Japão (16 apresentações e apenas duas derrotas) e a forma inesperada como ele foi batido no primeiro encontro, levava todos a acreditarem que na super luta, com foco total em apenas um adversário, ele poderia finalmente alcançar o ápice no UFC, se superasse o até então imbatível brasileiro.
 “Eu esperei mais de um ano e meio por isso, e não vou perder, estou aqui para vencer”, disse Shamrock. E o líder da Lion's Den estava mesmo disposto a atrapalhar os planos do brasileiro.

O UFC 5 - The Return of the Beast foi o primeiro UFC com limite de tempo

Royce começou o combate com seus tradicionais pisões para clinchar, Shamrock rechaçou com um direita que passou no vazio e foi para a queda. Neste momento, Royce posicionou sua perna direita de um jeito que parecia que um triângulo, quase que instantâneo, seria aplicado. Porém, ficou nisso. Shamrock se limitou a segurar no quimono e soltar um ou outro golpe, sem se abrir, enquanto Royce retribuía com chutes com o calcanhar nas costas e tentava tapas e socos curtos.
Eles permaneceram nessa posição por mais de 30 minutos, até que “Big” John McCarthy interrompeu o combate para o tempo extra. Reiniciando em pé, Shamrock conectou uma forte direita que fez o olho do brasileiro inchar na hora, porém, de volta ao solo, e com apenas cinco minutos para resolver, o panorama ficou parecido com o que tínhamos visto e, ao fim do tempo regulamentar, a luta foi declarada empate.

Se você ficou curioso em rever o embate mais longo da história do UFC, atente para o fato que fazer isso 20 anos depois, pode te deixar com a impressão que se isso ou aquilo fosse colocado em prática, sem dúvidas o resultado da super luta seria outro. Porém, falando do começo do esporte, e no confronto de Arte Marcial x Arte Marcial, nos primórdios, coisas que hoje parecem ser simples, como cotoveladas e ground and pound, naqueles tempos, do começo de tudo, ainda eram inéditos.

RELEMBRE O DUELO