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UFC 166: Velasquez vence Cigano numa noite memorável

Americano manteve o cinturão de pesados em grande apresentação, mas o evento em Houston foi repleto de grandes combates

Um evento para ficar marcado na história. Foi assim o UFC 166 – Velasquez x Cigano, neste sábado, em Hosuton, Texas. A primeira preliminar já anunciava o que viria pela frente, com um nocaute do japonês Kyoji Horiguchi. Nas 13 lutas, foram sete nocautes e uma finalização, mas mesmo as vitórias por decisão dos jurados, como as de Gilbert Melendez e Daniel Cormier, levantaram o público. Na trilogia Cain Velasquez x Junior Cigano, melhor para o americano, que segue como campeão peso pesado. A torcida brasileira pôde, especialmente, comemorar mais um triunfo de Gabriel Napão e, claro, a edição como um todo, que vai ficar por bastante tempo na memória dos fãs. Num evento que trouxe disputas eletrizantes desde o início, o principal desafio da noite correspondeu ao que se viu no restante do card, numa verdadeira batalha valendo o cinturão de pesos pesados. Nela, Cain e Cigano, que já haviam se enfrentado em duas oportunidades, com uma vitória de cada lado, definiriam quem seria o número dos pesos pesados. E o brasileiro entrou decisivo, tendo aplicada um bom soco. Entretanto, Velasquez rapidamente passou a controlar as ações, com a estratégia de prensar Cigano nas grades. Num ritmo frenético, com um fôlego fenomenal, o americano tentava derrubar, enquanto aproveitava as brechas para desferir socos e cotoveladas, sempre na curta distância. Desta forma, Cain abriu vantagem round a round. No terceiro, chegou muito perto de definir, com uma sequência pesada de socos. Cigano se aguentou como pôde, enquanto tentava responder com cotoveladas curtas, golpes isolados, mas que levavam perigo a Velasquez. Parecia que o brasileiro não resistiria mais, mas ele chegou até o quinto assalto, quando gastou as últimas forças numa tentativa de estrangulamento. No momento do golpe, bateu com a cabeça no tablado e ficou tonto, o que acabou resultando na interrupção do árbitro Herb Dean, aos 3min9s. “Ele veio mais forte que da última vez, tentou me vencer nos primeiros socos e eu tentei fugir disso. Este é o meu nível de competição, foi ótimo ter um cara como o Daniel Cormier no meu camp, ele me ajudou muito, além de eu treinar numa das melhores equipes”, disse Cain, ainda no Octógono. Depois foi a vez de Cigano falar: “Ele é o verdadeiro campeão. Eu estava muito bem para a luta, não sei o que falar, ele foi o melhor. Agora tenho que voltar para casa e treinar, sei que ainda posso fazer melhor para vocês e vou voltar”, disse.  No co-evento da noite, Daniel Cormier buscava manter a invencibilidade contra o sempre perigoso Roy Nelson. Cormier dominou desde o início, quando buscou as quedas, derrubou Nelson e grampeou o adversário por quase todo o primeiro round. Entretanto, no decorrer da luta Daniel mostrou que também está com a trocação em dia. Aplicou duros socos e também surpreendeu com chutes, sem sofrer perigo em quase nenhum momento. Por decisão unânime, Cormier chegou à 13ª vitória, a segunda entre os pesos pesados do UFC. “O plano era cansar ele no início, mas também queria mostrar que posso trocar socos, que tenho diversidade. Mostrei isso hoje, mas ainda não mostrei o meu melhor”, disse ele, que também admitiu que deve descer para a categoria meio-pesado.  Simplesmente um show o que o ex-campeão do Strikeforce Gilbert Melendez e o campeão do The Ultimate Fighter 1 Diego Sanchez fizeram dentro do Octógono, outro desafio marcante. Apesar da superioridade de Melendez, que desde o início conectou a maioria dos golpes na trocação e abriu um rombo no supercílio esquerdo de Sanchez, não faltou emoção. Diego não se entregava e buscava conectar um golpe certeiro em momentos frenéticos de trocação. E quase conseguiu no final do terceiro round, quando aplicou um upper que derrubou Gilbert e depois grampeou as costas do adversário. Apesar disso, no final dos três assaltos, inegavelmente, prevaleceu a superioridade e Melendez, por decisão unânime.  “Levei aquele soco e fiquei desligado por alguns segundos! Foi uma das minhas melhores vitórias, respeito muito Diego e trabalhamos para proporcionar grandes lutas para o público. Podemos lutar contra qualquer um da categoria e vou para o cinturão”, declarou o peso leve Melendez. “O público tem o que merece! Quero cinco rounds, quero uma revanche”, falou Diego. “Vi ele caindo e queria ganhar, foi por pouco. Só quero agradecer ao UFC por ter me dado uma carreira gloriosa. Amo este esporte!’, completou Sanchez, ovacionado pelo público.  Primeiro brasileiro no Octógono em Houston, Gabriel Napão buscava manter o bom desempenho na organização contra Shaw Jordan, entre os pesos pesados. E foi o que o brasileiro fez, em apenas 1min33s. Nos primeiros instantes, Napão aproveitou uma investida de Jordan para aplicar um soco devastador de direita, um cruzado que fez o americano desabar. Alguns golpes depois, só restou ao árbitro Jay Stafin intervir. É a quinta vitória em seis lutas desde que Gabriel voltou a se apresentar pelo Ultimate, em outubro de 2011. Além disso, ele segue com scouts impressionantes no cartel: definiu por finalização ou nocaute nas 16 vitórias da carreira (sete derrotas).   “Tenho treinado muito muay thai e boxe. Acho que hoje foi perfeito, porque ele (Shaw Jordan) é muito duro e também tem poder de nocaute. Aguardo agora uma chance pelo cinturão, quem sabe vencendo a próxima”, comentou o brasileiro.  Na primeira luta do card principal, John Dodson teve uma atuação perfeita contra o estreante em UFCs Darrel Montague e se recuperou do revés na última apresentação, quando foi freado por Demetrious Johnson na disputa do cinturão peso mosca. Perigoso com a mão esquerda, Dodson quase definiu com uma sequência de socos. Usando a canhota, o americano conectou mais uma bomba, que acabou com as chances de Montague a 4min13s do round inicial. “Obrigado Houston! Sabia o que tinha que fazer para voltar aqui e ir bem, voltei mais calmo. Venho trabalhando cada vez mais a minha trocação, mas ainda tenho que trabalhar duro se quiser ser o campeão e é o que vou fazer”, comentou olutador.   As preliminares começaram a mil no Toyota Center. Cinco das oito lutas terminaram antes do toque final, com nocautes impressionantes de Kyoji Horiguchi em Dustin Pague; Andre Fili em Jeremy Larsen; Adlan Amagov em TJ Waldburger; e Hector Lombard, que não tomou conhecimento de Nate Marquardt e precisou de apenas 1min48s para definir. Já Tony Ferguson foi o responsável pela finalização em Mike Rio, com um justo triângulo de braço.  Já as outras preliminares foram marcadas pela igualdade. KJ Noons teve trabalho contra George Sotiropoulos, mas foi um pouco melhor na trocação e recebeu a decisão unânime. As meninas Jessica Eye e Sarah Kaufman também mantiveram o confronto em pé e foram parelhas, mas a estreante na organização Jessica teve vantagem por decisão dividida. O mesmo resultado valeu o triunfo de Tim Boetsch sobre CB Dollaway. Vale lembrar que Dollaway perdeu um ponto, por acertar duas dedadas nos olhos do oponente, o que provavelmente o atrapalhou no julgamento final. Confira todos os resultados do UFC 166: Card principal Cain Velasquez venceu Junior Cigano por TKO aos 3min9s do R5  Daniel Cormier venceu Roy Nelsonpor decisão unãnime Gilbert Melendez venceu Diego Sanchez por decisão unânime  Gabriel Gonzaga venceu Shaw Jordan por TKO a 1min33s do R1 John Dodson venceu Darrel Montague por KO aos 4min13s do R1 Card preliminary Tim Boetsch venceu CB Dollaway por decisão dividida  Hector Lombard venceu Nate Marquardt por KO a 1min48s doR1 Jessica Eye venceu Sarah Kaufman por decisão dividida  KJ Noons venceu George Sotiropoulos por decisão unânime  Adlan Amagov venceu TJ Waldburger por KO aos 3min do R1 Tony Ferguson finalizou Mike Rio com um triângulo de braço a 1min52s do R1 Andre Fili venceu Jeremy Larsen por TKO aos 53s do R2 Kyoji Horiguchi venceu Dustin Pague por TKO aos 3min51s do R2