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Blogs - Marcelo Alonso

UFC 2020: Expectativas para as 12 categorias

Definitivamente os fãs do UFC não tiveram motivos para reclamar por falta de emoção nas 42 edições do evento realizadas no ano passado. Além de muitas finalizações, nocautes e lutas de excelente nível técnico, acompanhamos um número recorde de novos campeões. E a julgar pelos primeiros cards anunciados, tudo indica que 2020 não será muito diferente.

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Considerada a mais competitiva do esporte, a divisão dos leves começa o ano com duas lutas definitivas. No dia 18 de janeiro, o 3º do ranking Conor McGregor volta ao UFC se testando contra Donald “Cowboy” Cerrone (#4) em um duelo de nocauteadores que dificilmente chegará ao 5º round. No dia 18 de abril será a vez do campeão Khabib Nurmagomedov colocar seu cinturão em jogo contra o 1º do ranking, Tony Ferguson, num confronto que tem tudo para ser um dos melhores do ano. Esta luta, aliás, já esteve para ocorrer em quatro oportunidades. Desta vez, porém, caso um dos dois se contunda, o UFC sabe que poderá contar com o número três da divisão Justin Gaethje, que certamente estará de prontidão para promover uma guerra à altura.

Seja qual for o resultado destas lutas, o fã terá a garantia para o segundo semestre de mais uma disputa de cinturão antológica na divisão mais acirrada do UFC.

Quem será o próximo para Cejudo?

Outra divisão que promete fortes emoções para o novo ano é a dos galos. Com a decisão do UFC de vagar seu título nos moscas, Henry Cejudo sabe que terá que defender o cinturão ainda no 1º semestre. A grande questão é: quem será seu oponente? O campeão olímpico já deixou claro várias vezes que prefere enfrentar José Aldo, mesmo com o ex-campeão dos penas tendo sido derrotado por Marlon Moraes em sua estréia na nova divisão, mas o russo Petr Yan (#3), que está vindo de uma sequência de quatro vitórias, tem mostrado que está aprendendo a fazer barulho e promete brigar para que o UFC adote o critério da meritocracia e não atenda ao lobby por um combate com muito mais possibilidades de alavancar as vendas de pay per view.

Independente de quem seja o próximo oponente do campeão, de fato as possibilidades de casamento para esta divisão são muitas. Marlon mostrou na luta com Aldo que não é o número um por acaso; Aljamain Sterling está vindo de uma seqüência de quatro vitórias.

Com as vitórias sobre John Lineker e Raphael Assunção, Cory Sandhagen chegou a 4ª posição do ranking e, se vencer a próxima, certamente entrará na fila do title shot. Tem ainda o ex-campeão dos leves Frankie Edgar, que assim como Aldo e Edson Barboza, resolveu descer no único intuito de voltar a disputar o cinturão. Isso sem falar na volta do ex-campeão Dominick Cruz. Ou seja, possibilidades de grandes casamentos não faltarão nas planilhas do matchmakers do UFC nesta divisão.

Veja também: Treinador se surpreende com McGregor pré-UFC 246 | Dana White revela luta que lamenta não ter realizado | Top 10: Lutas de janeiro | Top 12: Lutadores da década

Deiveson disputa o primeiro cinturão brasileiro em 2020

A notícia da retirada do cinturão dos moscas de Cejudo acabou abrindo caminho para que o paraense Deiveson Figueiredo fosse o primeiro representante do Brasil a ter a chance de lutar pelo título este ano. A luta com Joseph Benavidez vai acontecer no dia 29 de fevereiro UFC Norfolk. Com 18 lutas e apenas uma derrota na carreira, o lutador da Marajó Brothers promete uma guerra contra o ex-atleta da Team Alpha Male. Depois das excelentes lutas que fez contra Tim Elliott, Alexandre Pantoja e John Moraga, Deiveson mostrou que tem condições de neutralizar o favoritismo do mais experiente Benavidez. Caso vença, Deiveson será o primeiro brasileiro campeão peso-mosca do UFC e segundo paraense campeão do maior evento de MMA do mundo, depois de Lyoto Machida, também lançado pelo Jungle Fight.

A divisão dos moscas, aliás, continua sendo a que tem maior presença brasileira entre os Top 15. São 5 no total. Além de Deiveson (#3), Jussier Formiga (#2), Alexandre Pantoja (#4), Rogério Bontorin (#6) e Raulian Paiva (#14).

Volkanovski tem pressão para um longo reinado?

Depois de vencer, num período de oito meses, José Aldo e Max Holloway, os dois maiores pesos-pena da história, Alexander Volkanovski tem atraído a curiosidade de fãs e especialistas. A grande pergunta é, será que agora que passará a ter seu jogo estudado por todos, o australiano será capaz de manter a coroa, em uma das divisões mais disputadas do esporte, por muito tempo?

A julgar pelo ranking da divisão, fica claro que o australiano não terá vida fácil. Depois de bater Calvin Kattar, engatando sua sexta vitória consecutiva no UFC, o russo Zabit Magomedsharipov assumiu a 3ª posição e, por tudo o que vem mostrando, entraria como favorito contra o campeão caso o UFC o coloque como primeiro contender. Na sequência estão o zumbi coreano (4º) e Yair Rodriguez (5º). Isto sem falar em Brian Ortega (2º) e no ex-campeão Max Holloway, que continua como 1º do ranking. Ou seja, não faltam ótimas possibilidade de grandes lutas nesta divisão até 2021.

Ameaças reais para o duplo reinado nigeriano?

Figurando em todas as listas de melhores lutadores de 2019, os nigerianos Kamaru Usman (meio-médio) e Israel Adesanya (médio), novos campeões do UFC, também não terão um ano fácil. Principalmente Adesanya. Caso o UFC decida esperar a recuperação de Paulo Borrachinha, o nigeriano que ainda está invicto no MMA (18-0), defenderia seu cinturão contra o brasileiro até abril. Uma luta que, pela rivalidade genuína envolvida, teria tudo para ser uma das mais violentas do ano. A outra opção, caso o UFC decida colocar o cinturão dos médios em disputa ainda no primeiro trimestre, seria trazer o cubano Yoel Romero (3º do ranking), que acaba de perder para Borrachinha mas, assim como o mineiro, tem condições reais de roubar o cinturão do campeão.

E quem conseguir ficar com o cinturão (seja Adesanya, Borrachinha ou Romero) deverá enfrentar até o fim do ano um dos Top 9 do ranking. Pedreiras como Darren Till, Jared Cannonier ou Edmen Shahbazyan. Ou seja, certeza de desafios duríssimos para o campeão e muita diversão para os fãs.

Depois das atuações contra Tyron Woodley e Colby Covington, Kamaru Usman entrará como franco favorito contra qualquer Top 5 do ranking da divisão dos meio-médios. Mas seja quem for o escolhido, Usman sabe que assim como seu compatriota nos médios, não terá luta fácil. Como já venceu a grande maioria dos Top 10, as possibilidades estariam entre Jorge Masvidal (#3) e o vencedor da luta entre Tyron Woodley (#1) e Leon Edwards (#4). O talentoso Geoff Neal, vindo de uma impressionante sequência de cinco vitórias, também pode vir a aparecer como futuro contender.

Loteria na melhor divisão feminina

Mas se há uma categoria onde apostar em quem terminará o ano com a cinta não será tarefa fácil, esta é o peso-palha. Por sinal, o ano de 2019 foi um retrato claro do quão acirrada é esta divisão com o cinturão passando pelas mãos de três campeãs distintas: Rose Namajunas, Jéssica Andrade e Weili Zhang.

O fato é que nesta divisão o nível é tão parelho que continua sendo difícil prever o que pode acontecer, afinal de contas, qualquer uma das Top 4 tem condições reais de ser campeã: Jéssica Andrade (#1), Rose Namajunas (#2), Tatiana Suarez (#3) e Joanna Jedrzejczyk (#4).

Se tivesse que apostar, arriscaria que a ex-campeã Joanna roubará o cinturão de Weili Zhang no dia 7 de março em Las Vegas e depois perderá o título para Suarez ou Andrade. Aliás, seria excelente se o UFC casasse Tatiana Suarez e Jéssica Andrade neste mesmo card, com a vitoriosa ganhando a chance de lutar pelo cinturão na seqüência.

O mais interessante desta divisão é que a competitividade não se restringe ao topo do ranking, com muitos talentos protagonizando grandes lutas no meio do ranking, como Claudia Gadelha, Michelle Waterson, Nina Ansaroff e Carla Esparza. Bem como na porção final dos Top 15 com a chegada de novos valores como Marina Rodriguez (#9), Amanda Ribas (#15) e Mackenzie Dern, que até o fim do ano tem tudo para figurar entre as melhores da divisão.

Renovação entre os pesados

E por falar em novos talentos a renovação foi a marca da divisão dos pesados em 2019. Com a aproximação da aposentadoria do ex-campeão Daniel Cormier (#1) e a queda de rendimento de talentos da velha guarda como Overeem, Oleynik e Arlovski, além da suspensão de Werdum por doping, foram os novatos que garantiram o brilho da divisão em 2019. Destaque para Curtis Blaydes (#3), Jairzinho Rozenstruik (#4), Francis Ngannou (#2). Os dois últimos, inclusive, devem decidir no dia 28 de março quem será o próximo oponente do campeão Miocic.

Jairzinho Rozenstruik of Suriname punches Alistair Overeem of Netherlands in their heavyweight bout during the UFC Fight Night

Correm por fora Junior Cigano (#4) e Curtis Blaydes, que lutam no dia 25 de janeiro. Se um dos dois vencer de maneira convincente e Ngannou e Rozenstruik conseguirem a improvável tarefa de entregar uma luta monótona, Cigano x Blaydes pode definir o próximo contender.

Um rei e duas rainhas a espera de um milagre

Mas se não falta emoção e grandes possibilidades de surpresas em oito divisões do UFC, outras quatro delas são hoje marcadas pela total previsibilidade em decorrência do domínio absoluto de seus campeões. Me refiro a divisão dos meio-pesados, onde Jon Jones reina absoluto; os pesos galo e pena, onde Amanda Nunes continua sem adversárias e a divisão dos moscas, onde Valentina Shevchenko segue sem oponentes à altura.

UFC women's bantamweight champion Amanda Nunes smiles after her unanimous-decision win over Germaine de Ranamie during UFC 245

Em se tratando de um esporte com alto grau de imprevisibilidade como o MMA é óbvio que surpresas podem ocorrer, mas se formos analisar o nível dos desafios já transpostos pelos três e as possibilidades que o UFC têm na seqüência, não é leviano dizer que dificilmente Amanda, Valentina e Jones perderão seus cinturões em 2020. Não por acaso, o UFC já começa a cogitar desafios em outras divisões, falando em Jon Jones nos pesados e até começando a cogitar uma trilogia entre as rainhas Valentina e Amanda.

Mas isso absolutamente não quer dizer que não há emoção nestas divisões. Mesmo não havendo aparentemente oponentes a altura dos campeões as divisões continuam com excelentes possibilidades de confrontos entre os Top 15. Só não vejo nenhum, na atual conjuntura, em condições de ameaçar o reinado de Jones, Amanda e Valentina. Mas num esporte extremamente dinâmico como o MMA, onde novos fenômenos surgem todos os anos, não me surpreenderia se mudasse esta minha percepção antes da virada do ano. Tomara!

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