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Blog do Marcelo Alonso

UFC pós-quarentena: Brasil em 3 disputas de título e o futuro das 12 divisões

Nesta terceira semana sem UFC, quando ainda não sabermos exatamente quando a agenda regular do evento voltará ao normal por conta desta quarentena imposta pela pandemia de coronavírus, vale relembrarmos onde paramos e de onde começaremos quando a vida voltar ao normal.

Peso-mosca (até 56,7 Kg)

Na divisão masculina mais leve do evento, o paraense Deiveson Figueiredo aguarda os matchmakers definirem a data da revanche com Joseph Benavidez, a quem venceu com facilidade no último dia 29 de fevereiro por nocaute técnico no 2º round. O brasileiro acabou não ficando com o cinturão por não ter conseguido atingir o limite da categoria por pouco mais de 1 Kg.

Deiveson Figueiredo CT

Com a vitória sobre Jussier Formiga no UFC Brasília, Brandon Moreno (#5) cresceu na divisão, mas como já foi derrotado duas vezes por Alexandre Pantoja (#4), provavelmente só deverá conseguir um lugar como próximo desafiante se o brasileiro não vencer seu próximo desafio.

Peso-galo (até 61,2 Kg)

Uma das divisões mais emocionantes da atualidade é a que será definida no UFC 250, agendado para o dia 3 de maio em São Paulo, quando o campeão Henry Cejudo colocará seu título em jogo contra o ex-campeão dos penas José Aldo. Assim como nos moscas, o Brasil também tem nesta divisão um representante na disputa pela próxima “vaga na fila do cinturão” que deverá ser definida na luta entre Marlon Moraes (#1) e Petr Yan (#3) no dia 13 de junho no Cazaquistão.

Peso-pena (até 65,7 Kg)

Depois da vitória sobre Max Holloway, o novo campeão Alexander Volkanovski se recuperava de uma lesão na mão com vistas a lutar a revanche com o norte-americano no dia 7 de junho no UFC 251, em casa, na Austrália.

Alexander Volkanovski of Australia punches Max Holloway in their UFC featherweight championship bout during the UFC 245

E não faltam opções para definir quem serão os próximos desafiantes: Brian Ortega (#2), Zabit Magomedsharipov (#3) ou o “Zumbi Coreano” (#4), que vem de dois nocautes impressionantes no 1º round (Frankie Edgar e Renato Moicano). A luta entre Ortega e Chan Sung Jung já estava até agendada, mas o norte-americano se lesionou, adiando o combate.

Também não me surpreenderia se uma possível luta entre Zabit e Yair Rodriguez (#5) for confirmada e o vencedor conseguir ser o próximo a lutar pelo cinturão. Na realidade, o nível destes quatro lutadores é tão alto, que certamente o grau de entretenimento de suas próximas lutas poderá definir o próximo contender.

Peso-leve (até 70,3 Kg)

De acordo com as últimas informações, a luta entre o campeão Khabib Nurmagomedov e o desafiante Tony Ferguson será mesmo adiada pela 5ª vez. Com a ida do campeão para a Rússia e o subsequente fechamento das fronteiras de seu país, Dana White ficou sem alternativas para manter a luta principal do UFC 249. Rumores aventam a possibilidade de um cinturão interino entre Ferguson e Justin Gaethje (#4) ou McGregor (#3), mas não faria sentido que qualquer um dos dois aceitasse um desafio deste porte com apenas duas semanas para treinar. Afinal de contas, além de estarem longe da melhor forma, ambos pesam em torno de 80 Kg e sofrem bastante para chegar ao limite da divisão.

O fato que mais preocupa a organização no momento é que Khabib entrará em jejum por conta de sua religião entre 23 de abril e 23 de maio (Ramadã) e certamente não aceitará remarcar esta disputa com Ferguson antes de julho.

Mas certamente uma categoria recheada de estrelas e com excelentes possibilidades de casamentos, não ficará parada esperando Khabib até o segundo semestre. De acordo com o treinador de Conor McGregor, as negociações estão adiantadas para uma luta entre ele e Justin Gaethje (#4), que possivelmente definiria o próximo da fila pelo cinturão.

Correndo por fora estão Dan Hooker (#5) e Dustin Poirier (#2) já agendados para a luta principal do UFC San Diego no dia 16 de maio. Logo atrás viria o nosso Charles do Bronx (#8), que após a vitória sobre Kevin Lee finalmente chegou ao pelotão de frente da divisão mais disputada do UFC. Se conseguir mais uma vitória em 2020, o paulistano certamente estará a um passo de disputar o cinturão no ano que vem.

Peso meio-médio (até 77,1 Kg)

Enquanto o campeão Kamaru Usman esperava a definição da data de sua próxima defesa de título contra Jorge Masvidal (#3), o UFC Londres, no último dia 21 era cancelado por conta da pandemia.

Curiosamente este evento iria definir, em sua luta principal, o possível próximo desafiante numa luta entre o ex-campeão Tyron Woodley (#1) e o inglês Leon Edwards (#4). Mas em meio a confusão, entre transferência e adiamento, uma nova luta acabou sendo casada pelas mídias sociais. Depois de muito trash talking com o ex-campeão, Colby Covington (#2) acabou roubando o lugar de Edwards.

E quem pode capitalizar em cima desta mudança é Gilbert Burns, que após o nocaute sobre Demian no UFC Brasília, passou a ser o 6º do ranking. Se depender de sua vontade, Durinho estará disponível para fazer sua 4ª luta na divisão em menos de 12 meses, seja o oponente Leon Edwards, Michael Chiesa (#8) ou Stephen Thompson (#5).

Peso-médio (até 83,9 Kg)

Esta é a terceira categoria onde o Brasil tem chance imediata de cinturão. Após a vitória de Adesanya sobre Romero, Paulo Borrachinha aguarda ansioso o UFC definir a data da sua tão sonhada disputa de cinturão com o arqui-rival nigeriano, invicto em 19 lutas no MMA.

Paulo Costa of Brazil kicks Yoel Romero of Cuba in their middleweight bout during the UFC 241

Vale notar que esta divisão continua sendo uma das mais competitivas da atualidade com excelentes possibilidades de casamento entre os Top 10: Robert Whitaker (#1), Jared Canonnier (#3), Yoel Romero (#4), Darren Till (#5), Kelvin Gastelum (#7) e fenômeno invicto Edmen Shahbazyan (#8), que deveria enfrentar Derek Brunson (#7) no dia 11 de abril em Las Vegas, evento que acabou sendo adiado.

Peso meio-pesado (até 93 Kg)

Considerada por muito tempo como a mais emocionante e competitiva das divisões do UFC, o peso meio-pesado vive hoje, curiosamente, um momento sem grandes emoções sob o reinado de Jon Jones. Apesar de ter seu título claramente ameaçado nas últimas duas disputas (contra Thiago Marreta e Dominick Reyes), Jones continua sendo o homem a ser batido. Infelizmente na ausência de ameaças que o motivem, Bones tem procurado desafios fora do Octógono colocando sua carreira em risco, como na última semana, quando foi preso novamente por dirigir alcoolizado.

Se tudo correr bem nos tribunais em sua audiência no dia 8 de abril, Jones seguirá sua vida normalmente aguardando a data de uma provável revanche contra Dominick Reyes, mas se o juiz levar em conta o fato de o campeão ser reincidente, aplicando uma pena mais pesada, este novo panorama poderá levar os matchmakers do UFC a aventarem uma disputa de cinturão interino. Neste caso uma luta entre Reyes (#1) e Marreta (#2) seria a mais justa. No momento, infelizmente, não é a pandemia que impede o andamento da categoria, mas a decisão de um juiz do Novo México.

Peso-pesado (até 120 Kg)

Enquanto o UFC não marca a trilogia entre Daniel Cormier e o atual campeão Stipe Miocic, os fãs aguardam ansiosos a luta que deverá definir o próximo desafiante: Jairzinho Rozenstruick (#6) e Francis Ngannou (#2). Os dois deveriam se enfrentar no último sábado, mas com o cancelamento do evento eles aguardam novas diretrizes do UFC para saber em qual card se enfrentarão.

Peso-palha (até 52,1 Kg)

Sem dúvida, uma das divisões mais competitivas da atualidade. Não por acaso a última disputa de título, entre a chinesa Weili Zhang e a polonesa Joanna Jedrzejczyk (UFC 247) foi considerada por muitos a melhor luta feminina da história.

E a julgar pelo nível das Top 5 do ranking, Zhang não terá vida fácil nas próximas defesas. Sua próxima adversária deverá sair da revanche entre Rose Namajunas e Jéssica Andrade no UFC 249 no dia 18 de abril. A divisão tem ainda a wrestler norte-americana Tatiana Suarez (#3) invicta no MMA, mas que continua às voltas com uma lesão no pescoço, além de um segundo pelotão recheado de talentos brasileiros como Claudia Gadelha (#6), Marina Rodriguez (#9) e Amanda Ribas (#15).

Peso-mosca feminino

Depois de mostrar superioridade absoluta em suas três defesas de título (Jessica Eye, Liz Carmouche e Katlyn Chookagian), Valentina Shevchenko colocará seu cinturão em jogo pela 4ª vez em 12 meses contra a escocesa Joanne Calderwood (#3). Apesar de toda evolução da escocesa, Shevchenko entra com total favoritismo no combate agendado para o dia 6 de junho em Perth, Austrália, no UFC 251.

Pesos galo e pena femininos

Assim como o peso-mosca, a divisão dos galos e penas são marcadas pela superioridade absoluta de uma lutadora sobre as demais. A rainha no caso é a brasileira Amanda Nunes, que roubou no ano passado o título de maior lutadora da história de Cris Cyborg. Depois de cinco defesas seguidas do seu título na divisão dos galos, Amanda sobe novamente aos penas para defender pela primeira vez o cinturão, que roubou de Cyborg, contra a americana Felicia Spencer na luta principal do UFC 250, que está marcado para o dia 9 de maio em São Paulo.

Como vimos acima, as próximas edições do UFC prometem. Mas por enquanto só nos resta fazer a nossa parte para controlar esta pandemia de coronavírus e ajudar o mundo a voltar a sua rotina normal o quanto antes.

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