Pular para o conteúdo principal
/themes/custom/ufc/assets/img/default-hero.jpg

Urijah Faber é confirmado na classe de 2017 do Hall da Fama do UFC

Lutador se despediu do octógono em 2016


Urijah Faber admite que a notícia de que será induzido ao Hall da Fama do UFC no próximo mês de julho foi inesperada, mas não deveria ser uma surpresa, já que o “California Kid” nunca foi de olhar para trás, e sim para frente.
“É bacana ser reconhecido e é bacana que os caras parem para ver o que eu fiz no esporte, porque, honestamente, nem eu tenho tido muito tempo para fazer isso”, disse Faber, que entrará pela ala da Era Moderna do Hall da Fama durante a International Fight Week, no dia 6 de julho. “Fui direto da aposentadoria para os negócios, e outros projetos que tenho. Então isso é um lembrete para ver que eu fiz algumas coisas bacanas e as pessoas são gratas, então é legal”.
No último mês de dezembro, o atleta de 37 anos lutou pela última vez, se despedindo em sua cidade, Sacramento, com vitória sobre Brad Pickett. Foi a última vitória de uma carreira com um cartel de 34-10, mas que não pode ser reduzida a vitórias e derrotas, apesar de ele ter vencido nomes como Dominick Cruz, Jeff Curran, Jens Pulver, Raphael Assuncao, Eddie Wineland e Brian Bowles ao longo de 13 anos no esporte.
Durante o percurso, Faber também foi campeão peso-pena do WEC de 2006 a 2008, realizou superlutas com Pulver, Cruz, Jose Aldo, Renan Barao e Frankie Edgar, e se consolidou como um dos melhores de seu tempo.
Mas o verdadeiro motivo pelo qual Faber deve ser lembrado é seu intenso esforço para popularizar as divisões mais leves ao público norte-americano. Como campeão do WEC quando da compra da organização pela Zuffa, ele foi um dos primeiros com a tarefa de falar com a imprensa, aparecer em eventos e, finalmente, subir no octógono e destruir seus oponentes.
Foi uma missão bem sucedida, uma na qual ele já pensava muito antes de tê-la depositada em seus ombros.
“Sempre visualizei isso”, disse sobre a ascensão das divisões mais leves, se lembrando do dia em que essa visão começou a ficar mais clara. Ex-estrela do wrestling universitário, Faber estava começando sua carreira no MMA e em meio a um camp de treinamentos quando seu carro quebrou.
“Comprei um carro por 300 dólares e tinha uma fita cassete que você conectava e ela ligava ao CD player”, disse Faber, dando risadas, “Troquei um par de shorts com um aluno por um CD, e o CD falava coisas como ‘Vou ser maior do que isso, vou ser maior que implantes de silicone, vou ser mais que cigarros’”.
“Então estava dirigindo para casa pensando ‘Vou estourar nesse esporte’”, ele continuou, “Eu não tinha ideia do que isso significava, mas tinha confiança de que aconteceria. Sempre acreditei que as divisões mais leves tinham um papel importante”.

O que Faber não sabia na época é que ele influenciaria o esporte de outras formas. Eventualmente, seu objetivo não era mais somente ser o melhor lutador do mundo, mas construir um time para dominar o esporte. O resultado foi a Team Alpha Male.
“Meu objetivo era construir uma tradição de campeões e ter o melhor time do mundo, então pensei muito nisso”, disse, “Também é parte da família e parte da comunidade, o que é uma coisa inspiradora, eu gosto muito de retribuir”.
Celebridades do esporte começaram a emergir da Team Alpha Male ao longo dos anos, desde TJ Dillashaw, Joseph Benavidez e Chad Mendes a Paige VanZant e Danny Castillo, isso só para citar cinco das estrelas do esquadrão. Mesmo no último sábado, a Alpha Male teve Josh Emmett e Cynthia Calvillo competindo no UFC 210, continuando com a tradição que viu Faber não apenas ajudando seus parceiros de equipe a lutar, mas preparando para a vida fora da competição.
“Não sei se é a natureza humana, mas gosto de ser parte do sucesso das outras pessoas”, disse, “Eu estudei Desenvolvimento Humano na faculdade, o que faz de mim, na minha opinião, um pouco mais introspectivo a respeito do por que as coisas são como são e o que fez com que eu e outros nos destacássemos. Uma vez que você entende isso, é algo que você pode ensinar, e é empolgante poder passar isso adiante e mostrar à próxima geração. Vi muitas pessoas desaparecerem nesse esporte e, para mim, é bacana construir algo maior do que eu mesmo”.
Essa é, no mínimo, uma atitude altruísta, e quando você soma isso à habilidade nas lutas, a boa aparência e a capacidade de fazer qualquer pessoa que ele encontra se sentir única, não é surpresa que Faber tenha transcendido o esporte e se tornado uma super estrela. Mas ele nunca se esqueceu de quem realmente é.
“É estranho para mim ver alguém conquistar algo e, de repente, ter um problema de soberba”, disse, “Para mim, isso é insegurança. A verdade é que todos somos importantes. Todos temos pontos fortes e pontos fracos, então fico honrado que as pessoas queiram me conhecer. É importante se manter humilde e esse é um esporte que permite que você se mantenha humilde”.
Como prova, ele fala sobre uma das promessas da Team Alpha Male, Joseph Morales.
“Ele está invicto, tem 22 anos, é casado e está esperando um filho, está muito perto de ir para o UFC e ele me conhece desde que tem nove anos, quando eu era campeão mundial”, contou Faber, “Mas um certo dia, ele vai me pegar em uma finalização ou conectar um golpe duro, e você tem que se lembrar que o que vai, volta”.
Faber dá risadas, sabendo que, enquanto seu tempo de lutador se foi, há muito o que fazer como treinador, mentor e homem de negócios. Mas não importa o que aconteça no futuro, “Lutador” sempre estará no topo do seu currículo, e quando for perguntado sobre qual luta representa quem era ele quando vestia luvas, ele não vai falar sobre uma grande vitória, mas sobre uma derrota.
“Provavelmente foi a revanche com Mike Brown”, disse, citando a luta pelo WEC em 2009 pelo cinturão dos penas que Faber havia perdido para Brown sete meses antes, “Era uma época miserável no octógono, mas foi um grande aprendizado para mim”.

E uma das performances mais duronas de todos os tempos, já que Faber quebrou sua mão no primeiro round e deslocou o dedão esquerdo logo depois, mas ainda foi até o fim.
“Minha mão direita era minha mão boa, e eu não tive ela por quatro rounds e meio”, ele relembra, “Depois desloquei meu dedão e fiquei sem mão nenhuma, mas quase o peguei no último round com uma finalização. Seguir em frente e fazer uma grande luta, isso resume o que eu era”.
Ele até conquistou um fã cético naquela noite.
“Lembro que fui a uma padaria e o cara falou ‘Sabe, nunca fui seu fã por essa coisa de rostinho bonito, mas, depois daquela luta, realmente me tornei um fã’”.
Faber não conseguiu acreditar.
“Sou o cara menos metrossexual do planeta”, ele disse, “Não faço as sobrancelhas, nem depilo o peito. Não faço bronzeamento e mal arrumo meu cabelo. Então, ‘rostinho bonito?’, eu nunca escolhi minha aparência; eu nasci assim. Eu não fico me cuidando, eu luto o dia inteiro. O que faz de mim um rostinho bonito? Então eu respondi, ‘Obrigado cara’, e segui com meu dia. Mas aquela luta resume o espírito guerreiro que eu tenho”.
Ele foi único.
Assine o Combate | Siga o canal do UFC no YouTube | Visite a UFC Store | Baixe o aplicativo do UFC