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Atletas

Ketlen Vieira está pronta para a guerra no UFC Vegas 43

Brasileira fará sua primeira luta principal no Octógono contra Miesha Tate, no próximo sábado (20)

Todo mundo age de uma forma diferente ao ouvir notícias ruins; as emoções ficam à flor da pele e pensamentos rondam a nossa cabeça.

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Para Ketlen Vieira, ouvir Joe Martinez falar a pontuação dos juízes a favor de Yana Kunitskaya, sua última adversária, teve um efeito contrário. A brasileira garante que está mais focada e só tem a agradecer.

"Nos meus olhos e nos olhos dos meus treinadores, a vitória era nossa", falou a peso-galo, que enfrenta a ex-campeã Miesha Tate na luta principal do UFC Vegas 43, no próximo sábado (20)."Eu dominei o primeiro e o último round, mas infelizmente eu posso ter deixado aberturas para a interpretação dos juízes, que me custaram a luta".

"Porém, eu sempre tomo as coisas que acontecem em minha vida como uma lição e só posso agradecer a Yana por esta. Pode ter certeza de que não vou cometer o mesmo erro novamente".

"Também quero agradecer por todas as dificuldades", ela afirmou. "Todas que me venceram, na verdade, foram grandes professoras para mim".

Quem lê "todas que me venceram" acha que a lutadora de 30 anos já deve ter perdido várias lutas na categoria do peso-galo feminino, mas na verdade ela possui apenas duas derrotas: para Yana, em fevereiro deste ano, e para Irene Aldana em 2019, quando voltava de uma grave lesão no joelho.

Antes de perder para Aldana, a lutadora da Nova União - que é faixa-preta em judô e jiu-jítsu - tinha o cartel perfeito em dez lutas, conquistando quatro delas no Octógono e se tornando uma legítima lutadora de elite na divisão. Alguns podem argumentar que ela não faz mais parte desse seleto grupo, mas um cartel de 11-2, com vitórias contra lutadoras como Sara McMann e Cat Zingano, além do confronto contra Miesha Tate, mostram o contrário.

Originalmente marcada para o meio de outubro, a luta entre ambas foi adiada para este final de semana após Tate testar positivo para COVID-19 no fim de setembro. A ex-campeã voltou a lutar neste ano após mais de quatro anos longe do Octógono, vencendo Marion Reneau no 3º round.

Lutando pela primeira vez desde que anunciou sua aposentadoria no UFC 205, quando perdeu de Raquel Pennington, a veterana de 35 anos pareceu que nunca tinha parado de lutar, mostrando melhorias na trocação e sendo ainda mais perigosa nas suas quedas, dominando Reneau durante todos os rounds.

"Miesha é uma lutadora muito experiente", falou Ketlen. "É uma ex-campeã, lutou com as melhores da divisão, então eu preciso estar bem treinada para tudo, pois ela é preparada para tudo".

"Estou motivada para grandes desafios e ela é um".

Além de poder lutar contra uma ex-campeã no Octógono, a lutadora também está entusiasmada com a oportunidade de estar em uma luta principal do UFC pela primeira vez na carreira.

"Estou muito feliz e honrada com essa oportunidade. Uma menina que deixou Manaus, nascida de uma família tradicional do local, e hoje estou no maior evento do mundo, fazendo a luta principal? É um sonho virando realidade, especialmente por lutar contra uma das pioneiras do MMA".

"Sou a primeira mulher do Amazonas a lutar no UFC", continuou a lutadora, que se mudou para o Rio de Janeiro quando assinou o contrato com o UFC. "A primeira mulher do Amazonas a fazer uma luta principal, então estou muito feliz e honrada com essa oportunidade".

Além da felicidade em dividir o Octógono com Miesha Tate, Ketlen sabe que uma boa apresentação pode colocá-la na linha de frente de uma disputa de cinturão, já que a campeã Amanda Nunes defende seu cinturão daqui um mês contra Julianna Peña.

Nenhuma outra atleta se estabeleceu como a próxima desafiante, e Nunes já varreu boa parte da categoria. Apesar de Ketlen e Miesha ocuparem o 7º e o 8º lugar no ranking, respecticamente, a luta entre ambas pode determinar um 'title-shot' para a vencedora, apesar da brasileira pensar apenas em Miesha Tate no momento.

"Não sei se essa luta vai me levar a uma disputa de cinturão, mas me coloca no bolo", disse sobre a possibilidade. "Acho que vencer essa luta e mais uma me coloca como a próxima na disputa, com certeza".

"Mas meu foco agora é todo na Miesha", acrescentou. "Não há nada além dela, principalmente pelo motivo que se eu não vencê-la, não tem próximo passo nessa direção, certo? Só estou focada nela e em mim mesma, para melhorar todo dia".

Por mais que ela saiba que a vitória não virá de forma fácil, a talentosa brasileira acredita que sua vontade e determinação serão fundamentais para sair com a vitória no sábado à noite, independente de como a luta se desenrolar.

"A Miesha é muito perigosa - tem muita experiência e lutou com a elite da divisão - mas o que me faz mais perigosa do que ela é esse desejo de vencer, meu desejo de estar onde ela já esteve. Ela alcançou o topo e foi campeã, eu ainda não".

"Estou faminta por isso e confiante em ter uma boa luta. Me sinto 100% preparada e vou dar tudo de mim lá dentro. É matar ou morrer. Dia 20 de novembro será uma guerra e estou pronta", finalizou.

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