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Grande estrela do UFC hoje, Nate Diaz percorreu o caminho mais difícil

Conheça melhor a trajetória de um dos atletas mais populares do Ultimate

Nate Diaz era um garoto entre os homens…literalmente. Em uma academia que tinha não apenas Cesar Gracie, mas os atletas do UFC David Terrell e Gil Castillo, o irmão de Nate, Nick, e as revelações Gilbert Melendez e Jake Shields, cada dia era uma luta por sobrevivência para o adolescente de Stockton.
“Era realmente intimidante ir lá”, disse Diaz em 2011 sobre seu início. “Eu ia para a academia do Cesar e tínhamos Dave Terrell, Gil Castillo, Cesar, Nick e Jake, e Nick e Jake eram apenas garotos também. Nick me dizia, ‘não seja finalizado hoje’. Então eu ia lá com essa atitude competitiva e era realmente difícil não ser finalizado naquela academia. Geralmente não era possível”.
Mesmo assim, Diaz seguiu aparecendo, o que, em sua vizinhança, era mais do que metade da batalha. Sua mãe, Melissa, fez sua parte, trabalhando longas horas como garçonete para colocar seus dois filhos e sua filha em variados esportes e mantê-los longe das ruas. Mas sempre havia um perigo iminente.
“Crescer lá, sempre havia muita tensão, muitas gangues, muitos caras durões”, disse Nate, “Tinha muita coisa acontecendo. Como em qualquer cidade, tem a parte boa e a ruim, então você precisa prestar atenção onde está. Eu não estava tentando me manter em encrenca, mas era difícil me afastar dela. Você tem continuar seguindo o seu caminho”.
Para Nate, o caminho era pavimentado por seu irmão mais velho, que já havia começado sua própria estrada como lutador profissional. E, um dia, Nick decidiu que era hora de Nate fazer o mesmo.
“Assim que eu terminei a escola, estava sentado em casa e não tinha muito o que fazer”, lembra Nate, “Nick disse, ‘o que você está fazendo? E jogou um par de calças de kimono em mim”.
Naquele momento, não tinha mais volta, apesar de que Nate se lembra, “naquela época, treinar e lutar jiu-jítsu não estava na moda”.
No começo, não havia muitas entrevistas, ensaios fotográficos e um caminho rápido para o UFC. Ao invés disso, era uma situação em que um grupo de amigos colocavam a amizade de lado por algumas horas para bater uns nos outros e aprender a serem lutadores. Nate acabou desenvolvendo uma relação especial com o futuro campeão peso-leve do Strikeforce, Gilbert Melendez.
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“Me lembro de fazer verdadeiras guerras com ele”, disse Diaz, que jamais se permitia faltar a um treino quando sabia que “El Niño” estaria.
“Era duro só de ir para lá. Eu dizia para o Nick que ia dar uma descansada, e ele me dizia ‘Gilbert está indo’. Certo, então vamos. Era muito bom, porque era algo competitivo e, ao mesmo tempo, nós éramos todos amigos”.

Eventualmente, Nate se juntaria a seu irmão, Melendez e Shields no circuito profissional de lutas de MMA, com duelos de boxe amador e competições de briga. Em 2006, ele era uma promessa respeitada, mas, após uma derrota para Hermes França no WEC, já se viu em uma encruzilhada, aos 21 anos de idade.
Entrar no The Ultimate Fighter, um caminho para o UFC que nenhum dos irmãos Diaz queria ter que tomar.
“Estávamos sentados em casa quando começou o The Ultimate Fighter e nós pensamos ‘isso é ridículo’”, conta Nate, “Estávamos falando muito mal do programa e rindo juntos, dizendo ‘eu jamais faria isso’. Então chamaram ele para o TUF, e o Nick dizia ‘não vou entrar nesse programa’”.
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Nick recusou um lugar na quarta temporada do TUF, mas quando o convite chegou para a temporada seguinte, foi para Nate. O Diaz mais novo também recusou, mesmo embora Cesar Gracie acreditasse que ele deveria tentar. Então, Nick entrou em cena.
“Acho que você deveria fazer”, Nick disse a seu irmão mais novo.
Então ele topou, mas, assim que as filmagens começaram, ele quis sair.
“Eu disse, ‘estou caindo fora’”, lembra Nate. “‘Nem sei o que estou fazendo aqui’”.
Mas então sua primeira luta contra Rob Emerson foi agendada.
“Naquele momento, eu não poderia mais sair, pois seria como se eu estivesse fugindo de uma luta com alguém”.
Diaz venceu Emerson e, novamente, passou noites em claro pensando em uma forma de sair do reality. Mas ele acabou não fazendo isso, e, após vencer Corey Hill, Gray Maynard e Manny Gamburyan, venceu a temporada e conquistou um contrato no UFC.
“Foi bom que eu permaneci, porque foi um atalho e me colocou direto no UFC”, disse. “Foi a melhor coisa que poderia ter acontecido. Eu não tinha dinheiro, estava quebrado, e era uma criança, não tinha direção, e aquilo meio que me deu um norte”.
Ele seguiu em frente desde então, construindo um cartel de 13-8 após a luta com Gamburyan, mas os números não contam toda a história. Ex-desafiante ao cinturão, que já competiu entre os leves e meio-médios, Diaz está empatado com o maior número de bônus pós-luta na história do UFC, e é um dos lutadores mais populares no esporte atualmente. Esta popularidade aumentou ainda mais após a surpreendente vitória sobre Conor McGregor em março, em uma luta que será novamente realizada no dia 20 de agosto, em Las Vegas.
Diaz-McGregor II é vista como a maior luta de 2016, e uma que vai incrementar ainda mais a popularidade e a conta bancária de Nate. Mas, em suas raízes, Diaz não liga para prêmios e reconhecimento; ele só liga para a luta, uma atitude que alguns competidores acabam perdendo ao longo do caminho. Não importa como você se sente em relação a Diaz, você tem que respeitar o fato de ele ser sempre consistente e estar sempre determinado a dar um show para os fãs. Mais de uma década após pisar pela primeira vez na academia de Cesar Gracie, isso nunca mudou.
“Quando eu luto, estou bravo”, diz Nate, “Estou faminto. Tive que cortar peso, treinei duro demais, e estou lá para entreter. Estou apenas tentando fazer o que eu preciso fazer. Algumas pessoas vão lá e tentam ser os mocinhos, mas acho que muito disso é mera aparência. Acho que a diferença entre eu e as outras pessoas é que eles tentam bancar os mocinhos e se comportam bem apenas em frente as câmeras. Eu sempre conheço pessoas que me dizem ‘você nem é um cara tão mal’. O que isso significa? Quando você me vê na câmera, eu estou indo lutar com outro cara, e não vou colocar uma máscara”.
É uma luta. Nate Diaz não deixará você esquecer disso.
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