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Entrevistas

Rafael Alves promete fazer a diferença no UFC

Saiba mais sobre o paraense de 30 anos contratado na 4ª temporada do Dana White's Contender Series

Após quatro temporadas nos Estados Unidos e uma no Brasil, o Dana White’s Contender Series já é conhecido como um evento que produz resultados fantásticos e revela grandes talentos.

Mas um brasileiro vai ser lembrado para sempre como o homem que venceu a luta e foi direto até Dana White com papel e caneta em mãos, exigindo um contrato: o peso-pena Rafael "The Turn" Alves, de 30 anos, contratado na mais recente temporada do programa. 

“Foi incrível isso. Eu conversei com os meus treinadores e falei pra colocarem caneta e papel no bolso, para eles não esquecerem, porque depois da luta eu ia dar para o Dana White. Eles falaram: 'tu não tem coragem'. E eu disse: 'rapaz, você não sabe o que você está falando'. Quando eu lutei e nocauteei, a primeira coisa que eu fiz foi ir atrás do treinador para pedir o papel e a caneta, e o outro falou: 'não vai, olha lá a proteção para ninguém chegar perto dele'. E eu falei: 'meu irmão, eu ganhei. Eu vou fazer o que quiser. Eu vou lá'”, reconta o lutador, que claramente se diverte com a memória.

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A história de Rafael nas artes marciais começou muito cedo. Nascido em Icoaraci, um distrito de Belém do Pará, ele conta que as brigas na rua chamaram a atenção de um policial militar que dava aulas de muay thai para crianças da periferia da região. Rafael tinha apenas sete anos quando começou a treinar, e 10 quando competiu pela primeira vez em um torneio de trocação.

E o início precoce já tinha um objetivo: fazer com que o jovem lutador migrasse para o MMA.

“A intenção do treinador era que eu lutasse o que naquele tempo era Vale-Tudo. Então enquanto eu treinava muay thai para lutar, comecei a treinar jiu-jítsu. Na minha primeira luta, meu pai assinou um termo porque eu ainda era menor de idade, tinha 15 anos. Eu lutei com um cara de 28 ou 26, e acabei finalizando. Foi aí que tudo começou”.

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E assim foi. Rafael teve passagem por eventos como Jungle Fight e Combate Americas, até chegou a disputar o cinturão do Titan FC. Foi lá que conheceu o presidente do UFC, Dana White, e pediu pela primeira vez a chance de competir no Octógono. Mas o mandatário tinha outros planos para o brasileiro.

“Ele me chamou para conversar e fez a proposta de lutar no Contender Series. Eu falei que meu sonho era lutar no UFC e perguntei se não podia ir direto. E ele disse : 'poder, você pode. Mas se você entrar direto, vai entrar no card preliminar e ninguém vai saber quem você é. No Contender Series, você vai explodir. Todo mundo vai saber de onde você veio'. Então eu lutei no Contender Series”.

"Eu serei campeão dos 66 Kg e estou aqui para fazer a diferença"

Rafael Alves

Foi nesse mesmo dia que, como o próprio Rafael diz, sua vida começou a mudar. Isso porque o atleta, que treina na MMA Masters, na Flórida (EUA), morava nos Estados Unidos ilegalmente havia alguns anos, e a situação inclusive o impediu de voltar ao Brasil quando seu pai faleceu.

“Faz quatro anos que não vejo a minha família. Há três anos eu perdi o meu pai e não podia sair do país porque estava ilegal. Continuei aqui, focado, mas sofrendo. Quando lutei o Titan na frente do Dana White, a minha vida começou a mudar. Quando ele me chamou, disse que me ajudaria a tirar os papéis porque eu merecia estar lá, dentro do UFC. Foi ele quem tirou os meus papeis”.

Agora, Rafael aguarda a chance de fazer a estreia oficial no Ultimate. De acordo com ele, nove atletas se recusaram a enfrentá-lo, então o plano é lutar no início de 2021.

“Eu ia lutar em setembro, mas machuquei a perna. Em novembro, meu empresário começou a procurar lutas para mim, e me mostrou as mensagens dos matchmakers. Nove lutadores não quiseram lutar comigo. O que esses caras estão fazendo aqui? É só para dizer que assinou com o UFC? Aí eu falei que pego uma luta nos 70 Kg, mas ele não conseguiu, então a gente está pensando em lutar em fevereiro. Estou voltando para o Brasil, e em janeiro venho para os EUA e treino. Nove lutadores!”

E ele garante que nós podemos esperar um jogo ainda mais dinâmico do que o que ele mostrou ao finalizar Alejandro Flores no segundo round da luta no Dana White’s Contender Series.

“No Contender eu joguei fechado porque estava atrás do contrato. Mas no UFC, você vai ver. Dentro do UFC, vixe, minha filha. Vai cair gente na minha frente. Com todo o respeito, mas é só um que vence, e eu vou sair dali vencedor”, declarou.

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“Se eu tivesse entrado no UFC antes, é capaz que já tivesse saído, como muitos que ainda não estão prontos para estar lá. Hoje eu me sinto pronto. Estou te falando aqui, e você está gravando isso: eu serei campeão dos 66 Kg e estou aqui para fazer a diferença. Não mostrei todo o meu jogo no Contender, mas você vai ver que é loucura”.

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